Encontro sobre DPOC reuniu especialistas, doentes e cuidadores

O Hospital de São Bernardo, em Setúbal, trata, de forma continuada, cinco mil doentes com insuficiência respiratória crónica. O número foi revelado durante o 1º Fórum Luísa Soares Branco, que decorreu na sexta-feira no estabelecimento hospitalar. O evento foi promovido pela RESPIRA, Associação Portuguesa de Pessoas com a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e outras Doenças Respiratórias Crónicas, numa iniciativa integrada nas comemorações do Dia Mundial da DPOC.

A DPOC é uma doença pulmonar crónica, com base inflamatória, que se manifesta por um bloqueio do fluxo aéreo, o que faz com que seja cada vez mais difícil respirar. A RESPIRA, associação que ajuda as pessoas com esta doença, foi fundada em Fevereiro de 2007 e tem como objectivo melhorar a qualidade de vida dos doentes, apoiar e fornecer informação a estas pessoas.

Na sessão de abertura do evento contou-se com a presença de José Albino, presidente da RESPIRA, com a Dra. Paula Duarte, a directora do serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) e ainda com o Dr. Manuel Francisco Roque Santos, presidente do conselho de administração do CHS.

Nesta sessão foi explicada a importância de organizações, como a RESPIRA, para o fornecimento de informação e ajuda aos doentes e cuidadores. Segundo Paula Duarte, a literacia em saúde é cada vez mais importante, de modo a que os doentes e respectivos cuidadores conheçam e possam actuar perante a sua doença.

Deste modo, este evento contou com uma abordagem de menor cariz científico e com uma maior ligação às pessoas e às suas experiências de vida, causando um maior impacto nas pessoas presentes, tendo em conta que no Hospital de São Bernardo são tratados cinco mil doentes com insuficiência respiratória.

Este evento teve também como objectivo homenagear a Dra. Maria Luísa Gentil Soares Branco, ex-presidente da RESPIRA, falecida em Janeiro passado. A vida e obra de Luísa Soares Branco foram recordadas através da exibição de um filme de vídeo.

No seguimento desta sessão, foram partilhadas experiências de vida de doentes, de forma a que dessem a conhecer os seus hábitos, como a prática de exercícios físico e a alimentação, de modo a percebermos as suas condicionantes na vida.

Esteve presente também o fisioterapeuta Paulo Abreu, que falou sobre a importância da actividade física na vida destes doentes. De acordo com este especialista, nem sempre é fácil manter uma actividade física regular mas esta é bastante importante pois ajuda a reduzir os sintomas da doença. Porém, é importante que se tenha conhecimento sobre as suas limitações pois o exercício físico também tem riscos.

O fisioterapeuta realça ainda que é importante ter uma atitude positiva perante a vida.

O nutricionista Nuno Nunes, deu uma explicação sobre aquilo que devemos fazer a nível alimentar, como ter uma alimentação variada e equilibrada. Neste capítulo, a enfermeira Cátia, do CHS, explicou ainda de que forma a alimentação pode fazer parte do tratamento dos doentes. Em pequenas quantidades e diversas vezes ao dia, esta alimentação fraccionada é como que uma aliada ao tratamento desta doença, um anti-inflamatório natural.

Esta sessão foi moderada pela Dra. Susana Carreira, pneumologista do Centro Hospitalar de Setúbal.

A segunda parte do encontro teve como moderadora a Dra. Emília Lucas, psicóloga do Centro Hospitalar de Setúbal e teve como objectivo partilhar experiências de vida de cuidadores de doentes, tendo nomeadamente como testemunho, a cuidadora de Luísa Soares Branco, Maria Pereira Nunes.

Cuidadores informais são aqueles que ajudam outras pessoas que, devido a algum tipo de incapacidade, não conseguem realizar todas as actividades de que necessitam. Segundo a Dra. Emília Lucas, existe um factor de gratificação no acto de cuidar e as associações e hospitais têm um papel importante no apoio a essas pessoas.

A sessão terminou com o discurso de Isabel Saraiva, vice-presidente da RESPIRA.