Terminou ontem de manhã, pelas 10h45, o prazo limite para a venda em hasta pública do direito fundeiro (propriedade do solo) dos terrenos do Estádio do Bonfim. Nenhuma proposta de compra foi apresentada, em carta fechada, na secretaria da secção de execução da Comarca de Setúbal. O valor base de licitação era de um milhão e quinhentos mil euros, enquanto a quantia exequenda se cifrava em 520 mil euros.

O não surgimento de propostas acontece numa altura em que a direção do Vitória também estará a desenvolver esforços no sentido de impedir uma nova hasta pública dos terrenos do estádio do Bonfim. O clube entregou, no passado dia 4 de Dezembro, no Tribunal de Setúbal, um pedido de um novo PER (Processo Especial de Revitalização), desta vez para o clube (a Sociedade Anónima Desportiva do Vitória já avançou com dois PER).

A eventual aprovação deste novo PER terá como consequência a suspensão imediata de todas as reclamações de créditos sobre o Vitória. Recorde-se que a venda em hasta pública dos direitos de superfície dos terrenos do Estádio do Bonfim foi requerida pelo um credor do Vitória, António Casaca, antigo gerente bancário que comprou créditos de um banco sobre o clube.

Os terrenos foram penhorados a favor do credor a 15 de Janeiro de 2009, na execução de uma dívida de 1992, no valor de 520 mil euros António Casaca adquiriu, em Dezembro de 2007, os créditos de uma livrança de 100 mil contos (500 mil euros), avalizada por Josué Monteiro e Fernando Pedrosa, do antigo Banco Exterior de Espanha (que entretanto se fundiu com o Banco Bilbao e Vizcaya).

Dai para cá, António Casaca não conseguiu receber o montante de 500 mil euros mais juros, de que era credor, e avan- çou com a penhora do direito de superfície dos terrenos do actual estádio do Bonfim, designadamente do lote 8 da área urbanística, em que estava prevista a construção de um centro comercial e de um hotel.

O requerimento de António Lobo Marques Casaca, que entrou no tribunal a 14 de Abril de 2008, ao tempo da Comissão de Gestão do Vitória liderada por Carlos Costa, e que foi executado a 15 de Janeiro de 2009, tornou-o no novo dono dos terrenos do actual estádio do Bonfim.

Entretanto, com o objetivo de precaver eventuais consequências jurídicas, a Câmara Municipal de Setúbal, em sessão pública realizada anteontem, aprovou, com os votos favoráveis da maioria CDU e dos partidos da oposição, PS e PSD/CDS, a “intenção” de revogar os protocolos. O executivo camarário quis “precaver eventuais consequências jurí- dicas para o clube sadino”.