João Soares Franco deixa APS com número recorde de 48,5 milhões de toneladas de carga movimentada este ano. Sines passa a terceiro maior porto da Península Ibérica, à frente de Barcelona. Nomes de novos administradores estão na CRESAP

O Governo prepara-se para substituir os actuais membros da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), tendo a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, comunicado já a decisão ao actual presidente do conselho de administração revelou o próprio ontem, num encontro com jornalistas.

“A senhora ministra informou-me, na sexta-feira passada, que ia haver alteração da composição da administração”, disse João Soares Franco, acrescentando deixar a empresa com “enorme solidez financeira” e “ excelente relação com todos os concessionários”. Segundo o administrador “os negócios estão a correr muitíssimo bem”, o porto de Sines tem “um volume de negócios de 45 milhões de euros, um resultado líquido, no final deste ano, de 18 milhões, e quase 40 milhões em caixa”, tendo atingido uma quota de mercado em Portugal superior a 55% e uma “clara implantação internacional”, além de ser uma referência “em termos tecnológicos”.

A administração do Porto de Sines será totalmente substituída, sendo que os nomes dos novos administradores já estão na Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública.(CRESAP), à espera de parecer, para que a ministra Ana Paula Vitorino possa fazer a nomeação e o anúncio.

O porto de Sines deve terminar o ano com uma movimentação de mercadorias de 48,5 milhões de toneladas, mais cerca de três milhões do que o inicialmente previsto no orçamento da administração portuária para 2016. “A movimentação de mercadorias prevista para este ano de 2016 seria de 45,5 milhões de toneladas, mas o que vai acontecer é que vão ser perto de 48,5 milhões de toneladas”, disse João Franco.

Com este resultado, o porto alentejano, de acordo com a APS, afirma-se como terceiro maior porto da Península Ibérica em carga movimentada, atrás dos portos de Algeciras e Valencia e à frente de Barcelona. O movimento em Sines cresceu este ano também em número de navios (13,9%), para um total de 2.284 navios até ao momento, além de que “a dimensão dos navios também está a aumentar”.

Em 2015, o porto de Sines terminou o ano com um total de 44 milhões de toneladas de carga movimentada nos cinco terminais, de granéis líquidos, petroquímico, multipurpose, de contentores e de gás natural, estimando conseguir atingir no final deste ano um aumento de cerca de 4,5 milhões de toneladas. Este “crescimento sustentado” representa uma subida da “quota de mercado” a nível nacional, que “deve andar à volta dos 55% da mercadoria movimentada”, acrescentou.

O mesmo responsável atribuiu o crescimento à resposta positiva do mercado “ao esforço que a empresa e os seus concessionários e os diversos agentes económicos têm feito para dinamizar a actividade”. “Em todos os trimestres é assim em Sines, ou em cada mês até, os resultados são melhores do que no mês anterior ou que o período homólogo”, destacou João Franco.

Segundo as estimativas, até ao final do ano, o terminal de granéis líquidos é o que movimentará maior carga, com cerca de 22,3 milhões de toneladas, seguido do terminal de contentores, com 19,4 milhões.

A expectativa é a de que o crescimento continue até ao final do ano e que, ao longo de 2017, se sintam os efeitos do alargamento do Canal do Panamá, que poderão representar “um aumento potencial” de mais “200 navios” a operar em Sines, em 2017.

Apesar de o resultado geral esperado no final do ano ser de crescimento, os terminais multipurpose e de gás natural liquefeito registam uma redução da movimentação de carga, algo que João Franco atribui a factores externos.

“O terminal multipurpose está dependente do consumo de carvão das duas centrais [termoeléctricas que abastece]” e a redução da movimentação no terminal de gás natural liquefeito “decorre de um decréscimo de consumo”, justificou.

Para o desenvolvimento da infra-estrutura portuária nos próximos anos, João Franco defendeu a necessidade de “aumentar a capacidade de movimentação de contentores”, o que poderá passar por uma negociação com a actual concessionária, a PSA Sines, para a ampliação do actual terminal ou a construção de um segundo terminal e uma nova concessão.

“Obviamente que eu defendo a primeira hipótese, não escondo isso”, disse, avançando haver uma proposta da PSA Sines para investir “140 milhões de euros” na ampliação do cais em mais 500 metros, mediante a “prolongação do prazo de concessão”, que hoje é até 2029.

“É uma questão que já foi colocada ao governo anterior por esta administração, foi também posta ao actual governo e certamente que em breve deverá haver uma decisão sobre a matéria”, disse o mesmo responsável.

José Luís Cacho

José Luís Cacho

Do porto de Aveiro para Sines. José Luís Cacho vai ser novo presidente da APS

O Novo presidente da Administração do Porto de Sines (APS) vai ser José Luís Cacho, apurou ontem o DIÁRIO DA REGIÃO. O nome do futuro administrador, que tem larga experiencia na administração portuária, está já na CRESAP.

José Luís Cacho foi presidente da Administração do Porto de Aveiro e do Porto da Figueira da Foz durante 10 anos, até Março de 2015. Iniciou funções como presidente do Porto de Aveiro, em Maio de 2005 e alargou-as ao Porto da Figueira da Foz em 2008, quando as administrações dos dois portos foram objecto de fusão.