Acordo para gerir o espaço de forma partilhada é hoje rubricado no Centro Interpretativo de Miróbriga

A gestão das Ruínas Romanas de Miróbriga, em Santiago do Cacém, vai ser partilhada entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e a Câmara e a União de Freguesias, fruto de um protocolo a assinar já hoje.

“Esta é uma velha aspiração da Câmara, há anos que andamos a defender a necessidade de haver um protocolo para a gestão partilhada do espaço, que é único e tem de ser rentabilizado”, disse à agência Lusa Álvaro Beijinha, presidente do município de Santiago do Cacém.

O sítio arqueológico de Miróbriga, classificado como Imóvel de Interesse Público desde a década de 40 do século XX, era, até agora, gerido exclusivamente pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCAlen). Com o novo acordo que será hoje rubricado, no Centro Interpretativo de Miróbriga, a Câmara e a União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra passam também a participar na gestão e valorização das antigas ruínas romanas.

“Este sítio arqueológico tem uma grande potencialidade a vários níveis, desde logo patrimonial e turístico, e ao longo dos anos sentimos que a DRCAlen, por mais vontade que possa haver em dinamizar o espaço, está confrontada com limitação de recursos, humanos e financeiros”, frisou o autarca.

A Câmara de Santiago do Cacém “também tem limitações”, mas está “mais próxima” e “melhor do que ninguém pode ter um papel fundamental na dinamização de Miróbriga”, sublinhou. “Nos últimos tempos, tem havido uma colaboração informal entre a Câmara e a DRCAlen para algumas iniciativas no sítio arqueológico”, lembrou Álvaro Beijinha, realçando que este protocolo vai “formalizar e alargar essa parceria”.

Atrair estudantes

A título de exemplo de iniciativas que poderão vir a ter lugar, o presidente da Câmara revelou que a autarquia pretende promover visitas regulares de alunos do concelho às antigas ruínas romanas, porque, “por incrível que pareça, há muitos estudantes que nunca visitaram o espaço”.

Miróbriga pode também voltar a acolher trabalhos arqueológicos, com a participação de estudantes de Arqueologia, e ser “palco” de iniciativas culturais e musicais, segundo a Câmara. “Não vamos, certamente, fazer tudo de um dia para o outro, mas vamos pensar em iniciativas, em articulação com todos, e, com o tempo, vamos dinamizar o espaço”, afiançou.

Miróbriga terá sido habitada, pelo menos, desde a Idade do Ferro, partilhando as características das cidades provinciais romanas. As ruínas são compostas por um forum com um templo dedicado ao culto imperial e um outro possivelmente dedicado a Vénus, uma zona comercial (“tabernae”), hospedaria e termas, calçadas de xisto e uma ponte. A cerca de um quilómetro de distância, encontram-se as ruínas de um hipódromo, destinado a corridas de carros puxados por dois ou quatro cavalos.