A ministra do Mar justifica a necessidade da fusão das administrações dos portos de Setúbal e Sesimbra com o porto de Lisboa como forma de “inverter” a tendência de quebra na actividade destes portos, que, segundo Ana Paula Vitorino, são os que mais preocupam o Governo actualmente.

“Esta medida não é um capricho. Estava no programa do PS e está no programa do Governo”, disse a governante ontem em Sines, acrescentando que “a decisão está tomada” e que “para a próxima semana diremos qual será nova administração e será uma boa administração”.

Ana Paula Vitorino revelou que estes portos são a maior preocupação do Governo em matéria portuária. “Temos Lisboa a decrescer há dois anos e Setúbal agora também a decrescer. A nossa preocupação são estes dois portos porque são estes que estão a decrescer em termos de carga. Temos de inverter a estratégia”, disse Ana Paula Vitorino.

Sobre a contestação em Setúbal, a ministra afirmou que teve “oportunidade de falar com a presidente da Câmara de Setúbal [Dores Meira] e com a vice-presidente da Câmara de Sesimbra [Felícia Costa], antes desta medida ser tomada”. A responsável pela pasta do Mar, defendeu que administração conjunta com Lisboa é melhor para o porto de Setúbal, cujos terminais de carga “estão abaixo dos 30%” da sua capacidade e, para mostrar que Setúbal tem a ganhar com a fusão, exemplificou com um investimento a fazer brevemente no porto sadino: “Setúbal vai ter um novo sistema informático para [a gestão] os contentores”, garantiu.

Sobre o desafio, lançada pelo município de Setúbal para a sede da nova administração ficar na cidade sadina, a ministra não correspondeu. Recordou que Setúbal está integrada na região de Lisboa e Vale do Tejo e que “tem de haver essa lógica regional”. Manteve apenas a promessa de que a nova administração “vai estar nos dois lados”.

Marina Ferreira nos portos de Setúbal e Lisboa já na próxima semana, nova administração em Sines um pouco depois

A nova administração conjunta dos portos de Setúbal, Sesimbra e Lisboa deverá ter como presidente Marina Ferreira, actual presidente do porto de Lisboa. Outro dos cinco administradores será Ricardo Roque, representante da margem sul na nova administração.

Já na Administração dos Portos de Sines e Algarve (APS), a substituição só deverá acontecer uma semana ou duas mais tarde. Certo é que João Franco deixará de ser presidente do porto. Para lhe suceder, o nome mais provável é o de José Simão, engenheiro e quadro superior da APS. No discurso de ontem, João Franco deixou dois pedidos ao Governo; que a APS seja autorizada a contratar pessoal e que os meios da Autoridade Tributária de Sines possam também ser reforçados, para acompanhar o crescimento da actividade e evitar o “estrangulamento” da operação. A ministra desvalorizou os pedidos, contrapondo com a maior eficiência alcançada com novos meios tecnológicos.