O Fórum Turismo “Gastronomia e Vinhos – Qualificação, Inovação, Desenvolvimento” juntou no Cine-Teatro S. João, em Palmela, entidades municipais, representantes do turismo nacional e empresários para reflectir sobre a temática da gastronomia e vinhos como factores de atracção turística e a promoção do sector enoturístico, em Portugal e no estrangeiro

“A aposta nos vinhos e na gastronomia não é nova, mas um dos pilares do desenvolvimento de qualquer economia local”. Esta foi uma das conclusões de Álvaro Amaro, autarca de Palmela, que considerou o fórum “um momento privilegiado para fomentar o debate, a apresentação de prácticas de sucesso e a partilha de experiências, que inspiram todos a fazer mais e melhor”. No que toca a Palmela, o presidente da Câmara aproveitou a ocasião para frisar “a tradição milenar da vila na produção vitivinícola” e o enorme avanço do sector nos últimos 20 anos, “fruto do caminho trilhado pela autarquia e as empresas locais, através da sensibilização para a importância da modernização dos sistemas de produção, comunicação e marketing, numa região conhecida pelo bom vinho, que acumula prémios sobre prémios em certames internacionais”.

Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, sublinhou igualmente o potencial estratégico da gastronomia e vinhos no turismo nacional. Para ilustrar essa importância, apresentou as conclusões de um inquérito recente às unidades de enoturismo. Os dados revelaram que 50% da procura é internacional, 62% das unidades registou um aumento significativo da procura, desde a sua promoção como estruturas de enoturismo e 97% dos inquiridos assumiu o contributo do sector para a valorização vitivinícola das regiões.

Já Vítor Costa, presidente da Entidade Regional do Turismo da Região de Lisboa, destacou que o enoturismo e o turismo de natureza devem ser vistos como actividades complementares. Daí que a estratégia desenvolvida para 2017 aposte na centralidade Arrábida, constituída pelos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal. “Estamos a trabalhar na infra-estruturação da visitação da Arrábida. É um recurso com grande potencial, mas têm de se construir elementos turísticos para que possa ser visitada”, afirmou. Para isso, o Turismo da Região de Lisboa está a trabalhar com as empresas para a comercialização dos produtos, factor essencial ao crescimento e maturidade turística da Arrábida. A estratégia de relações públicas encentada segue o mesmo objectivo, com a vinda de jornalistas estrangeiros para visitar especificamente a serra da Arrábida e a vila de Palmela.

Nesta lógica de aproximação dos turistas aos ambientes naturais, assinou-se um acordo de parceria entre o município de Palmela e a empresa e a CP – Comboios de Portugal, que vai garantir a ligação de Lisboa e Pinhal Novo, através do Intercidades, à aldeia de Fernando Pó. “Trata-de um programa de Rotas do Sado, que aposta na utilização do comboio para trazer visitantes de Lisboa ao coração das nossas freguesias rurais, nomeadamente à aldeia de Fernando Pó para programas enoturísticos. Para além dos passeios nos nossos jardins de vinhos, a parceria vai privilegiar experiências nas adegas Filipe Palhoça, Fernão Pó e Casa Ermelinda de Freitas, com visitas guiadas, provas comentadas e degustação de produtos regionais”, acrescentou Álvaro Amaro, autarca de Palmela. O acordo antecedeu o início dos trabalhos do fórum.

No âmbito do Painel I – Gastronomia e Vinhos como Factores de Promoção de Atracção Turística fez-se um balanço do projecto “Palmela – Experiências com Sabor!”, iniciativa de promoção turística, com seis anos de existência. O grande objectivo desta acção da Câmara é que a gastronomia seja vista enquanto elemento de um programa de desenvolvimento turístico global valorizador da economia e restauração locais. O projecto assenta numa parceria entre a Câmara de Palmela e 21 restaurantes aderentes e conta com o apoio da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE). “Nós incentivamos a criação de menus confeccionados com produtos regionais de qualidade e fomentamos a inovação gastronómica, através de concursos, show cookings e formações profissionais”, referiu Susana Caetano, do município de Palmela. Para 2017, estão previstos 10 fins-de-semana gastronómicos, onde o queijo de ovelha, a fogaça, o vinho e a fruta da região terão de constar das ementas dos vários estabelecimentos.

Em seguida, foi apresentada a Rota de Bacalhau como exemplo de uma actividade turística diferenciadora. Trata-se de uma rota temática percorrida no varino Amoroso, uma das embarcações tradiconais seixalenses. Começa com a saída de Belém, passagem pelo Terreiro do Paço até à Baía do Seixal, com possibilidade de regresso por via marítima ou rodoviária. Ao longo da travessia de 20 minutos, os turistas podem desfrutar de 12 atracções, como a Tipografia Popular do Seixal, a Estação Naútica da Baía do Seixal, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro e o Núcleo Naval da Arrentela, entre outras.

A terceira intervenção coube a António Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, que se debruçou no trabalho encetado na região para a transformação da gastronomia e vinhos em produtos turísticos de qualidade. Para introduzir o tema, começou por dizer que não nos devemos esquecer que o perfil do turista mudou. “Hoje temos um turista mais culto, exigente e necessariamente mais informado, com um elevado grau de expectativas baseadas nas pesquisas na internet”. Em virtude dessas novas exigências, torna-se indispensável adaptar as estratégias. Na óptica de Ceia da Silva, “alguns decisores políticos pensam que o turismo é feito apenas de promoção, mas primeiro é preciso criar condições para a entrada dos produtos turísticos nos mercados”. No caso concreto do Alentejo, foi elaborada uma carta gastronómica composta por 1055 receitas tradicionais e enviada aos restaurantes para a melhoria dos menus. Além disso, certificaram-se 84 restaurantes alentejanos com o selo de qualidade e traduziram-se as ementas para várias línguas. No sector do enoturismo, está previsto o recenseamento das ofertas das adegas, a construção de novas experiências e a introdução de uma sinalética viária unidireccional, que substitua as antigas placas indicativas das rotas de enoturismo.

A última intervenção do painel de oradores centrou-se na valorização da economia local, através da doçaria, com o caso da Farinha Torrada de Sesimbra, o actual bolo oficial da região e especialidade tradicional local. No Painel II – Promoção e Valorização do Enoturismo em Portugal e no Estrangeiro, o destaque foi para a apresentação de dois casos de sucesso de enoturismo no concelho de Palmela, a Quinta do Piloto e a Venâncio da Costa Lima.