Maria Luís Albuquerque continua como Ministra das Finanças, Fernando Negrão assume a pasta da Justiça e Pedro do Ó Ramos é hipótese forte para secretaria de Estado da Agricultura. Nuno Magalhães não arrisca deixar liderança parlamentar
O novo governo da coligação PSD/CDS-PP inclui algumas figuras ligadas ao distrito de Setúbal.
Para já estão confirmados dois nomes, para ministros, mas podem chegar a três, somando-se uma secretaria de Estado.
Maria Luís Albuquerque, cabeça-de-lista do PSD pelo distrito nas últimas duas eleições legislativas, mantém-se como Ministra de Estado e das Finanças. Fernando Negrão, residente na cidade de Setúbal, que já foi cabeça-de-lista pelo círculo da região, em legislativas anteriores, e candidato à Câmara de Setúbal, em 2005, vai ser Ministro da Justiça.
Além destes dois nomes, divulgados ontem oficialmente, é possível que entre os secretários de Estado seja incluído um nome do distrito. Pedro do Ó Ramos, deputado eleito e dirigente distrital do PSD, é o nome falado para Secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural, apurou o Diário da Região junto de fontes da coligação Portugal à Frente (PaF).
Pedro do Ó Ramos, natural de Santiago do Cacém e de uma família historicamente ligada à agricultura, integrou, na anterior legislatura, a Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar, sendo o coordenador da bancada do PSD nesta área.
Falta saber se o governo de Pedro Passos Coelho chega à fase de indicar os secretários de Estado. O primeiro-ministro pode optar por apresentar primeiro o programa de governo na Assembleia da República, permitindo, nesse caso, que o executivo seja rejeitado pela oposição ainda antes da tomada de posse dos novos titulares das secretarias de Estado.
Já Nuno Magalhães, primeiro nome da lista do CDS-PP pelo círculo de Setúbal nas duas últimas eleições legislativas, era um nome apontado para Secretário de Estado da Administração Interna, cargo que já exerceu.
O Diário da Região sabe que essa hipótese é recusada pelo próprio. Nuno Magalhães, que na última legislatura foi líder do grupo parlamentar centrista, prefere continuar com essa função na Assembleia da República, do que integrar um governo envolto em incerteza.
Mesmo entre os eleitos pela PaF, a convicção quanto à durabilidade do governo é muito fraca. “É um governo de 10 dias”, fereia uma fonte ouvida ontem pelo Diário da Região, referindo-se ao calendário previsto para as próximas semanas.
Depois da tomada de posse, marcada para sexta-feira (ver caixa), o novo executivo tem até dia 09 de Novembro para apresentar o programa de governo ao parlamento. Um teste decisivo à viabilidade do executivo PSD-CDS, num cenário em que a maioria é apenas relativa e os partidos de esquerda (PS, PCP e BE) já fizeram saber que vão rejeitar o executivo minoritário de direita.