Suinicultores esperam que Feira do Porco ajude a devolver crédito ao sector

 

O presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), Vítor Menino, espera que a Feira do Porco ajude a “devolver o crédito” ao sector, referindo que é uma actividade necessária para milhares de portugueses.

O responsável salientou que a feira tem que ser diferente este ano.

“Esta tem que ser uma feira diferente, de crédito e de acreditar, de uma geração com vontade de continuar a produzir porcos em Portugal. Temos alguns problemas que, com o poder político, temos que ultrapassar, mas precisamos de devolver o crédito à suinicultura e que seja encarada como uma atividade necessária para a sustentabilidade de milhares de portugueses e para o equilíbrio da balança comercial”, disse.

Vítor Menino afirmou que existem suinicultores no país que continuam a viver situações “precárias”, elogiando o facto de os preços da carne de porco estarem a melhorar.

“Acreditamos na vontade do ministro e do nosso governo, que tem que fazer mais, passando mais das palavras aos actos. É preciso unir esforços para salvar um sector com esta importância, produzimos 600 milhões de euros em carne de porco e criamos emprego a muitos milhares de portugueses”, destacou.

Nuno Canta, presidente da Câmara do Montijo, que apoia o evento, referiu que a suinicultura tem ciclos e tem passado ao longo dos tempos por dificuldades.

“É um momento de definição para a suinicultura mas também para a agricultura e toda a produção primária. A distribuição e comércio de alimentos estão mais concentrados e esta batalha dos suinicultores tem que ser alargada a toda a agricultura”, disse.

O autarca frisou que as empresas do concelho ligadas ao sector têm perdido volume de negócios, mas referiu que não tem conhecimento de problemas graves, destacando a importância da suinicultura e das empresas relacionadas no concelho.

“No Montijo falamos de empresas das maiores da Europa, com explorações de cerca de quatro mil porcas reprodutoras. Temos aqui unidades de produção muito modernizadas”, disse, lembrando alguns apoios municipais, como a redução de taxas.

Óscar Garcia, que vem de Espanha para participar pela segunda vez na feira, referiu que a situação nos dois países é muito diferente.

“A Espanha tem 2,2 milhões de porcos e Portugal tem 200 mil. Em Espanha, as empresas integram muito a produção, com produtores com muito volume, registando-se uma maior eficiência dos recursos”, disse.

“Os produtores em Espanha não estão a sair as ruas a reivindicar os seus direitos, estão a estudar maneiras de reduzir os custos de produção. Este é um sector globalizado, é o mundo que marca o preço de mercado e pouco podemos fazer dentro de um país”, acrescentou.

João Barreto representa uma empresa de nutrição animal e também está presente na feira, referindo que os protestos que se têm registado são legítimos.

“Os protestos são legítimos, porque é desesperante ver suinicultores a perderam grande parte da sua capacidade financeira. Esta recuperação de preço é estrutural, mas os suinicultores não devem adormecer sobre a situação. 80% dos custos de produção são na alimentação e nós também sentimos a crise, mas estivemos sempre ao lado dos suinicultores”, concluiu.


Feira do Porco é o “espelho” da actividade económica do Montijo

 

NUNO CANTA. Presidente da Câmara do Montijo.

NUNO CANTA. Presidente da Câmara do Montijo.

O presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta, afirmou que a suinicultura é uma actividade económica importante para o concelho, referindo que a Feira do Porco é um “espelho da actividade” existente.

“Toda a base económica do concelho sustenta-se na agricultura, pecuária, florestas e também na transformação da carne de porco. Esta feira é um espelho da nossa atividade económica principal”, disse, referindo que Montijo é o principal centro de abate de suínos do país.

O concelho do Montijo vai receber, entre os hoje e o dia 14 de maio, a 23ª edição da Feira do Porco, numa evento que reúne 180 expositores, 33 deles estrangeiros, e 250 stands no Parque de Exposições.

Vítor Menino, presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), referiu que os profissionais vão encontrar todas as novidades do sector na feira.

“Os profissionais vão encontrar nesta feira tudo quanto inovação em termos de métodos de produção, genética ou equipamentos. Para os visitantes vamos ter um programa lúdico importante, gastronomia ligada ao porco e vamos fazer um caderno de encargos que vai permitir ter uma carne diferenciada para os consumidores”, afirmou.

João Barreto, da área da nutrição animal, referiu que a feira chega “na altura certa”.

“Vivemos uma crise muito profunda na suinicultura nacional, que tem perdido muito dinheiro, e esta feira vem na altura certa, porque o porco está a recuperar preço. Esta feira promove a carne de porco nacional”, concluiu.

Óscar Garcia vem da Espanha para tentar mostrar os seus produtos e maquinaria, com o objectivo de entrar no mercado português, deixando elogios à feira.

“ É a segunda vez que estamos aqui. Este ano apostámos mais com a intenção de nos posicionarmos em Portugal e esta feira está muito mais profissional, com instalações mais modernas. Tudo o que existe no mercado está aqui representado”, salientou.