Uma Feira de Adopção juntou 20 animais (cães e gatos) recolhidos pela Câmara Municipal de Setúbal e associações de protecção animal no sábado, no Parque de Vanicelos, em Setúbal. O objectivo da campanha organizada pela autarquia, em parceria com as associações Sobreviver, Projeto Conchinha, Rafeiros Leais e Pravi foi promover adopções responsáveis pelas novas famílias de acolhimento. Para isso, os interessados dirigiram-se ao jardim, onde foram recebidos por técnicos da autarquia e voluntários das organizações, que esclareceram as dúvidas dos futuros donos.

Rita Vairinhos, uma das responsáveis pelo abrigo dos Rafeiros Leais, olha expectante para as famílias que passam. “A feira está a correr muito bem, até agora estamos a ter muita adesão. Hoje é mais uma oportunidade para eles ganharem uma nova vida”, afirmou. A maioria dos animais foram abandonados e chegaram às associações maltratados, assustados e doentes. Rita Vairinhos constata com tristeza os vários tipos de abandono. “Há abandonos de cães jovens, que notamos que foram adoptados no Natal. Provavelmente foram uma prenda, mas como deram trabalho, os donos abandonaram-nos. Muitos cães velhos também são colocados à porta dos abrigos, porque estão doentes e os donos deixam de ter condições para cuidar deles”.

Apesar da alteração, em Agosto, da legislação sobre a protecção de animais, que pune criminalmente os maus tratos aos animais de companhia, o número de abandonos continua a crescer na cidade. Para a voluntária do abrigo, “Setúbal não é das melhores cidades para acolher animais. Por exemplo, uma campanha em Lisboa tem muito mais impacto do que cá. Mas com o tempo, acredito que o desinteresse sobre estas matérias seja cada vez menor”.

De mão dada com a mãe, Clarice, de cinco anos, aponta para os dois gatos bebés, que se encontram em cima da bancada dos Rafeiros Leais. A menina tem dois peixes e uma tartaruga, mas sempre desejou um gato para lhe fazer companhia. “Nós já tivemos um, quando ela era muito pequena, que era o Miau, mas como chorava muito, tivemos de devolvê-lo”, explica a mãe, Luísa Graça.

Depois de ponderar, o casal decidiu fazer a vontade à filha e levar o gato para casa. O processo de adopção ficou concluído com a assinatura de um termo de responsabilidade, no qual os adoptantes se comprometeram a tratar devidamente do animal. “Estou muito feliz e hoje vou já brincar com ele e oferecer-lhe uma bolinha”, afirma Clarice. Passadas as burocracias, chegou a altura das despedidas. “Isto é sempre um misto de sentimentos, mas estou satisfeita, porque sei que ele vai ficar bem”, confidencia Rita Vairinhos, enquanto acena para o casal e o novo membro da família.