Impacto no emprego no emprego é de 1.689 trabalhadores em todo o país. A fábrica gera riqueza anual de 44 milhões de euros para a Penisula de Setúbal e 122 milhões para o pais. Sobre o impacto ambiental, o estudo diz que foram recuperados 41 hectares de pedreira e reduzidas as emissões poluentes 

 

O complexo fabril do Outão vale 672 empregos e 44 milhões de euros de riqueza anual na Peninsula de Setúbal, revelou ontem a Secil, empresa proprietária da fábrica que labora há 110 anos na Serra da Arrábida, em Setúbal.

Segundo um estudo elaborado pela consultora KPMG e divulgado esta quinta-feira ao inicio da noite pela Secil, a fábrica do Outão contribui direta e indiretamente para a geração de 672 empregos na Península de Setúbal e 1.689 empregos em Portugal, assim como para a geração de forma direta e indireta de 44 milhões de euros de riqueza na Península de Setúbal e 120 milhões de euros em Portugal.

O emprego na região é gerado sobretudo nos concelhos de Setúbal (54%), Barreiro (18%) e Montijo (14%).

Sobre o impacto ambiental, o estudo diz que foi recuperada uma área de pedreira de 41,35 hectares, que a recuperação paisagistica passou pela colocação de 600 mil plantas no terreno. Os dados revelados referem também uma redução da emissão de gazes poluentes para a atomosfera.

Desde 2009 há uma redução das emissões de CO2 (-2%, que chega a uma redução de 22% em termos relativos à produção de cimento equivalente), emissões de outros poluentes (-59%) e emissões de partículas (-21%).

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O trabalho da KPMG analisou também o impacto da actividade da empresa na comunidade local e regional, em que a Secil tem procurado ajudar a desenvolver, através do apoio financeiro anual a dezenas de colectividades.

Em 2015, o grupo atribuiu 191 mil euros de donativos a cerca de uma centena de associações, cluebes e instituições humanitárias. Desde que foi criado, este programa chegou já aos milhões de euros e afirmou-se como uma referencia nacional na área da responsabilidade social.

“Ao longo de 13 anos, a empresa doou mais de 2,5 milhões de euros ao movimento associativo e humanitário de Setúbal, dando assim forma a um dos mais robustos programas de responsabilidade social corporativa existentes em Portugal”, afirma o estudo.

Gonçalo Salazar Leite, presidente da comissão executiva da empresa diz que os resultados do estudo confirmam o que já se sabia há muito tempo, que “a fábrica da Secil-Outão, presente no mesmo local desde o início do século passado tem um importante impacto económico direto e indireto, cria riqueza e emprego na região e contribui para a dinamização da economia local e nacional”.

“Esta fábrica é muito mais que uma unidade produtiva e de criação de valor”, defende o responsavel, para quem a Secil é já uma “pedra basilar da economia regional”.

O presidente da empresa conclui que a laboração da unidade é compativel com o interesse ambiental da Serra da Arrábida, porque é possível estabelecer uma “relação equilibrada”.

“É possível operar uma unidade fabril num ecossistema protegido de forma produtiva e sustentável e beneficiar ainda a comunidade envolvente”, afirma Gonçalo Salazar Leite.

Fábrica de Cimento do Outão foi fundada em 1904

secil-interiorA história da atual Secil-Outão começa em 1904, com a fundação da Fábrica de Cimento do Outão, em plena Serra da Arrábida. A produção arrancou em 1906, com a laboração de dois fornos verticais com capacidade de produção de 10 mil toneladas de cimento por ano.

Em 1925 nasce a marca Secil, que, cinco anos depois, em 1930, evolui para Secil – Companhia Geral de Cal e Cimento SA em resultado da fusão com a Companhia Geral de Cal e Cimento e da participação das firmas dinamarquesas F. L. Smidth & Co. E Hojgaard & Schultz A/S.

Uma fusão que, em 42 anos, transforma a unidade do Outão na maior fábrica de cimento de Portugal, com a instalação sucessiva de sete fornos mais modernos, por ‘via húmida’, que vão aumentando a capacidade de produção anual até um milhão de toneladas de clínquer.

Em 1975, a seguir ao 25 de Abril, a empresa foi nacionalizada e, em 1978, instala o primeiro forno de ‘via seca’, que reduz custos de operação e aumenta capacidade de produção.

A Semapa, de Pedro Queiroz Pereira, entra na empresa em 2003, como acionista principal, e intensifica a estratégia de internacionalização iniciada em 2000 com a entrada na Tunísia. A Secil chegou entretanto ao Líbano (2002), Angola (2004) e ao Brasil (2012), onde a fábrica que tem instalada em Adrianópolis é considerada a mais moderna do país. No total, a empresa tem agora oito fábricas a funcionar em quatro continentes e emprega mais de 2.600 colaboradores a nível mundial (910 em Portugal).

Atualmente, o complexo fabril do Outão tem uma capacidade de produção anual de 2,2 milhões de toneladas de cimento.

No ano passado a fábrica vendeu 1,2 milhões de toneladas de cimento e 600 mil toneladas de clínquer, num volume de negócios de 95,4 milhões de euros. Quase dois terços da produção (68%), no valor de 65 milhões de euros por ano, são para exportação. 31% do volume de transporte associado à exportação passa pelo Porto de Setúbal, o que faz da Secil um dos principais operadores da comunidade portuária sadina.

700 fornecedores locais surpreendem administração

Entre as diversas conclusões expostas pelo estudo, a administração da Secil ficou surpreendida, sobretudo, com o número de fornecedores locais e regionais da fábrica de Setúbal.

goncalo-leite-secil“Sermos clientes de 700 empresas da região, de todos os sectores, foi o número que mais nos surpreendeu”, disse ao DIÁRIO DA REGIÃO Gonçalo Salazar Leite. O administrador da empresa destaca também a vertente ambiental, sublinhando que a área da serra que está sob gestão da Secil é a que se encontra mais bem cuidada.

“Mais de 40% da área de pedreira foi recuperada. Não há nenhuma outra parte da serra melhor cuidada do que a área que está sob gestão da Secil”, afirma Gonçalo Leite.

O administrador garante que “a continuidade da fábrica do Outão é uma realidade” e explica que a empresa decidiu avançar com este estudo porque queria “há muito tempo quantificar o real valor” do impacto que tem na região.

Segundo o responsável, Setúbal foi apenas a primeira fase de um trabalho deste género, estando prevista a realização de estudos idênticos sobre as outras fábricas da Secil, em Maceira e Pataias, e também da globalidade do grupo.