Soldados que treinavam a meio da tarde abrasadora de domingo, sofreram “golpe de calor”. Hugo Abreu sucumbiu após a hora de jantar, com paragem cardio-respiratória, e o outro militar foi transferido para o hospital do Barreiro

O Exército esclareceu ontem que apesar da morte de um militar, Hugo Abreu, e de um outro ter ficado ferido, no domingo, os treinos continuaram, tanto logo no domingo como ontem, embora adaptados ao tempo quente que sentir.

Hugo Abreu

Hugo Abreu

As relações públicas do Exército explicaram que os incidentes ocorreram ambos na região de Alcochete, distrito de Setúbal, embora em locais diferentes, sendo que o incidente com Hugo Abreu, que veio a falecer, ocorreu pelas 15h40 e o do ferido cerca de uma hora mais tarde.

De acordo com a mesma fonte, os treinos de domingo “não foram suspensos, foram adaptados”, o mesmo sucedendo ontem, com a previsão de realização de mais treinos, igualmente adaptados às condições atmosféricas.

Hugo Abreu morreu no domingo à noite devido a um “golpe de calor” depois de um treino do curso de Comandos.

De acordo com uma primeira nota do Exército português, o militar, que frequentava o 127.º curso de Comandos, sentiu-se “indisposto durante uma prova de tiro (tiro reactivo)” tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou “um golpe de calor”.

Por esse facto determinou a saída do militar da instrução e a sua transferência para a enfermaria de campanha, onde terá ficado em observação, segundo a mesma nota.

Como após o jantar, a situação clínica de Hugo Abreu piorou, o médico optou pela sua retirada para um hospital, mas o militar acabou por morrer após uma paragem cardio-respiratória antes de chegar a ser transferido.

Segundo o Exército, houve ainda um outro militar que se sentiu indisposto na instrução técnica de combate (progressão no terreno), ao qual também foi diagnosticado “golpe de calor” e retirado, numa primeira fase para a enfermaria de campanha, e mais tarde, cerca das 23h40, para o hospital do Barreiro.

O General Chefe do Estado-Maior do Exército ordenou já um inquérito para apurar as causas em que o “trágico acontecimento ocorreu”, pode ler-se ainda na nota, que adianta também que a Polícia Judiciária Militar já se encontra a tomar conta da ocorrência.

Governo manifesta “profundo pesar” por morte de militar

O ministro da Defesa manifestou ontem “profundo pesar” pela morte de um militar de um curso de Comandos, tendo já transmitido à família do falecido a sua “solidariedade pessoal e do Governo neste momento de dor e sofrimento”.
“Foi com profunda consternação que o ministro da Defesa Nacional recebeu ao final da noite de ontem [domingo] notícia do sucedido pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte. O ministro da Defesa Nacional teve já esta manhã a possibilidade de falar com a família e transmitir-lhe a sua solidariedade pessoal e do Governo neste momento de dor e sofrimento”, diz nota enviada à imprensa pelo ministério da Defesa, tutelado por Azeredo Lopes.
Hugo Abreu morreu no domingo à noite devido a um “golpe de calor” depois de um treino do curso de Comandos.
“Os familiares e os camaradas” do militar falecido, nota o Governo, “estão a receber apoio psicológico disponibilizado pelo Exército”, e “foram também tomadas todas as diligências necessárias para se apurar as circunstâncias e causas desta morte trágica”.
“Neste dia de luto para o Exército e para as Forças Armadas, o ministro da Defesa Nacional e o Governo endereçam à família do militar falecido as suas mais sinceras e sentidas condolências”, diz o executivo, através do ministério da Defesa.