Razões da saída ficam guardadas para mais tarde. Ao DIÁRIO DA REGIÃO confirmou que irá manter-se na presidência da Cáritas Portuguesa

Mais de 30 anos depois, Eugénio Fonseca deixa o cargo de presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal e remete para mais tarde explicações sobre a decisão tomada. Mas irá continuar a desempenhar funções na presidência da Cáritas Portuguesa, confirmou ao DIÁRIO DA REGIÃO.

“Conforme nota publicada, hoje [3 de Outubro], pela Vigararia Geral, na página oficial da Diocese de Setúbal, reitero a comunicação de que, a meu pedido, cessei funções na Cáritas Diocesana de Setúbal”, disse Eugénio Fonseca num comunicado, composto por 10 pontos de agradecimentos.

No documento, Eugénio Fonseca agradece “aos pobres e excluídos da Região de Setúbal” que o “ajudaram a compreender, definitivamente, o que é ser autêntico cristão”. “Que não basta praticar uma religião, no meu caso, nem pertencer a uma Igreja, por muito que a amemos, como eu a amo, conhecendo razoavelmente os Livros Sagrados e a doutrina, praticando todos os ritos litúrgicos e devoções. Que tudo isto só fará sentido e terá coerência se for para se lutar por um mundo mais justo e fraterno, no qual todos se sintam a viver numa casa comum”, revelou, acrescentando: “Meus amigos e amigas, muito amados por Deus, peço-vos perdão por tantas vezes que pude gritar mais alto por maior justiça a vosso favor e não o fiz por recear mais suspeições e maledicências, a maior parte das vezes, de quem tinha a obrigação de juntar a sua voz à minha e à de muitos outros, crentes ou não, que sabem que a vossa condição de vida é fruto de tantas escandalosas injustiças.”

O presidente da Cáritas Portuguesa agradece também a D. Manuel Martins por ter sido este a confiar-lhe “uma missão de grande responsabilidade e num tempo tão dramático para a Região de Setúbal”. “Obrigado, por isso, mas, fundamentalmente, pelo seu testemunho de cristão e de bispo, que deixou marcas indeléveis nesta Região, no País e em muitas partes do mundo.”

Bispos, colaboradores, forças vivas e população

Os agradecimentos estenderam-se ainda aos sucessores de D. Manuel Martins, como a D. Gilberto dos Reis: “Por ter continuado a confiar em mim, mesmo lutando contra alguns ‘ventos e marés’; a D. José Ornelas por ter respeitado a decisão que entendi, com profunda tristeza, tomar agora.”

Sem esquecer os colaboradores da Cáritas de Setúbal e os membros do Clero que cooperaram com esta entidade, Eugénio Fonseca agradeceu igualmente “às forças vivas da Região de Setúbal e mesmo fora dela, nomeadamente aos poderes central e locais, instituições públicas e privadas de todos os âmbitos, pela estima que nutrem pela Cáritas e os apoios que lhes têm proporcionado”, bem como a toda a população da Península de Setúbal.

A terminar, Eugénio Fonseca deixou uma mensagem de que prosseguirá o seu espírito de missão. “Quero deixar claro que continuarei no exercício das funções cívicas e eclesiais que assumi, procurando manter nelas todo o meu empenho, pois nunca me demitirei do combate por condições de maior produção de riqueza, mas, fundamentalmente, pela sua justa distribuição para que possamos viver numa região e num País muito mais próspero, sempre alicerçado num espírito de serviço e não na conquista de qualquer forma de poder”, concluiu.