O novo espaço enoturístico da Quinta do Piloto, em Palmela, que abriu ao público a 10 de junho, pretende ser “um projeto de referência para a região”, de acordo com o enólogo e administrador, Filipe Cardoso. O espaço resulta de um processo de recuperação das instalações iniciado em 2013, num investimento global de 350 mil euros, apoiado em cerca de 180 mil euros pelo Programa de Desenvolvimento Rural 2007 a 2013.

Nas instalações, que sempre estiveram a vinificar, funciona agora um espaço museológico, sala de provas e loja, programas e espaços para eventos, destacando-se a localização em plena Serra do Louro, a vista privilegiada sobre Lisboa e Vale do Tejo e o amplo espaço exterior. No verão, o espaço vai estar aberto de quarta-feira a domingo, das 10 às 13 horas e das 14 às 19 horas, visitas às 11 e às 16 horas, e no inverno, de quarta-feira a domingo, das 09h30 às 13 horas e das 14 horas às 18h30, visitas às 15h30.

Os visitantes podem adquirir uma garrafa de vinho na loja e, simplesmente, sentar-se a provar, a desfrutar do ambiente e da paisagem, ou podem participar nas visitas comentadas à adega, que terminam com uma prova de três ou cinco vinhos, que pode também incluir produtos regionais. “Temos o objetivo que seja um projeto de referência para a região, com esta vista magnífica, o espaço exterior e toda esta envolvência”, realçou Filipe Cardoso, durante a inauguração do espaço enoturístico, na véspera da abertura, desejando que seja “um projeto importante, não só para a Quinta do Piloto, mas também para a região”.

O enólogo e administrador explicou que a intenção é que “o projeto não acabe aqui”, estando também em vista a recuperação da casa senhorial, para criação de quartos para turismo rural. “Este não é só mais um projeto. É um projeto na área do enoturismo que tem significado e que acreditamos que vai ter impacto, seja por toda a história associada a esta adega e a esta família enquanto grande produtora de uvas e vinhos em Palmela, mas também por todo o potencial que o espaço revela, com a vista em direção a Lisboa ou a possibilidade de realização de eventos no exterior”, salientou Henrique Soares, presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal.

Ao mesmo tempo, referiu, “vai ser mais um ponto de venda e de promoção dos vinhos da região” e “a melhor forma que temos de promover os vinhos e a região é com eventos, trazendo cá as pessoas, levando-as a conhecer a história, a provar os vinhos nos próprios locais onde são produzidos”. Para o presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Amaro, este é “um local abençoado pela natureza e pela paisagem, mas também pela história de uma família empreendedora, que muito tem feito por Palmela e pelos vinhos”.

“Tem tudo para ser um espaço de referência nesta rede”, acredita, fazendo votos para “que seja mais um motivo de atratividade para quem visita a região”. Álvaro Amaro considera que, “nestes momentos adversos, é importante haver gente que contraria o ciclo” e, “para o concelho, é importante ter parceiros desta natureza”.

A Quinta do Piloto é propriedade da família Cardoso há quatro gerações. Até há cerca de dois anos e meio, toda a produção era vendida a granel para outros operadores, até que a Quinta do Piloto lançou o seu primeiro vinho engarrafado, o Piloto Collection Roxo.

A este, juntam-se, atualmente, o Piloto Collection Touriga Nacional, o Piloto Collection Cabernet Sauvignon, o Reserva Tinto e o Reserva Branco. O vinho engarrafado corresponde a uma pequena percentagem, 20 mil litros dos cerca de dois milhões de litros de vinho produzidos por ano, já que os vinhos da Quinta do Piloto são edições limitadas de lotes excecionais, colhidos nos 200 hectares de vinhas da família.

“Num patamar de vinhos de qualidade e preço médio e médio alto, o negócio está a correr bastante bem, os vinhos estão a vender bem, a qualidade está a ser reconhecida e isso é o mais importante”, congratula-se Filipe Cardoso. A empresa está já também a apostar na exportação, para Inglaterra, Holanda, Suíça, Angola e China.