Ainda não foi desta que o Vitória quebrou, no Bonfim, o jejum de quase 17 anos sem vencer o Benfica no campeonato. Não colocando a superioridade das águias em causa, a derrota, por 2-4, explica-se em parte pelas inúmeras falhas defensivas dos comandados de Quim Machado, que no final do encontro lamentou alguma falha de experiência dos seus jogadores.

Depois do êxito categórico no reduto do Belenenses, os sadinos não conseguiram continuar na senda das vitórias. Pizzi (35 minutos) e Jonas (39), ambos na primeira parte, e Mitroglou e o guarda-redes Ricardo (79) na própria baliza, após remate ao poste do avançado grego fizeram os tentos dos lisboetas, que somaram o quinto triufo consecutivo na I Liga.

Na 5.ª posição à entrada para a 13.ª jornada, os setubalenses, que até entraram melhor no jogo, amenizaram o seu primeiro desaire no seu estádio com golos de Vasco Costa (59 minutos) e Suk (88), que apontou o seu oitavo tento na prova e criou muitas dificuldades à defensiva encarnada.

Logo aos 2 minutos, o Vitória levou perigo junto da baliza adversária, mas Arnold não deu o melhor seguimento após lance de Suk na esquerda. No minuto seguinte, um canto preto entrou a área de Júlio César, mas a invasão não trouxe nada de nefasto para o guardião brasileiro.

O Vitória entrou bem no jogo, mas foi recuando perante um Benfica em crescendo a partir dos 20 minutos. Aos 21, já instalados no meio campo contrário, Pizzi cobrou um livre e Lisandro, de cabeça, testou a atenção de Ricardo. Pouco depois Suk rematou à baliza contrária, mas sem o sucesso que desejava.

Com dois golos de rajada, entre os 35 e 39 minutos, Pizzi e Jonas, ambos assistidos por André Almeida, o Benfica materializou o ascendente que teve no primeiro tempo. Os jogadores do Vitória não ficaram isento de culpa em ambos os lances. No primeiro, Pizzi apareceu à vontade depois de passar facilmente pelo Fábio Pacheco. No segundo, houve falta de entendimento entre Ricardo e Frederico Venâncio.

Intervalo chegou antes dos 45 minutos

Os golos abanaram um pouco a equipa de Quim Machado que, ainda assim, respondeu bom lance de ataque em que Arnold cruzou na direita para André Horta tentar servir Suk no lado contrário. Valeu Lisandro a afastar o perigo antes do intervalo, que chegaria, por ordem do juiz Manuel Mota antes… dos 45 minutos!

O árbitro bracarense, que mostrou uma clara dualidade de critérios em termos técnicos e disciplinares (perdoou o segundo cartão amarelo e consequente expulsão a Lisandro ao simular uma falta no interior da área sadina, terminou a primeira parte a três segundos dos 45 minutos, não tendo em atenção o tempo perdido com celebrações de golos e um par de interrupções.

Depois do intervalo, o timoneiro dos sadinos deu um sinal de inconformismo com o resultado ao trocar o médio Ruca pelo avançado Vasco Costa, que viria a ter influência na reacção vitoriana. No entanto, na sequência de um mau atraso de Frederico Venâncio, que teve uma noite para esquecer, o Benfica desperdiçou a possibilidade do terceiro golo, com Jonas e Mitroglou a revelarem-se demasiado perdulários na cara de Ricardo.

À segunda tentativa, instantes depois de William ter cabeceado sobre a trave da baliza dos lisboetas, o grego redimiu-se da falha anterior. Isolado perante o guarda-redes dos anfitriões, Mitroglu disparou para o 0-3 do Benfica quando o cronómetro assinalava 54 minutos.

Vasco Costa ainda deu esperança

Apesar da diferença de três golos, o Vitória não atirou a toalha ao chão. A reacção foi premiada com um golo aos 58 minutos. O avançado Vasco Costa reduziu ao encostar para o 1-3 depois de um remate de Suk ao poste esquerdo da baliza defendida pelo brasileiro Júlio César.

O golo animou as hostes verde e brancas no Bonfim e, aos 71 minutos, a equipa voltou a visar o último reduto benfiquista com um disparo de André Horta, um dos melhores da equipa, que saiu muito longe do alvo. Aos 75 e e77 foi a vez de Vasco Costa e Frederico Venâncio, respectivamente, tentarem a sua sorte, mas nenhum dos dois teve sucesso.

Aos 79 minutos, o Benfica fez o 1-4 (autogolo do guardião Ricardo) num lance em que tudo correu mal ao Vitória. Djuricic lançou um contra-ataque perigoso e, na cara do golo, o médio serviu Gonçalo Guedes, que rematou contra Costinha, que evita o quarto na primeira investida. Na recarga, Mitroglou remata ao poste direito. A bola faz ricochete no ferro, toca na perna esquerda de Ricardo e entra na baliza num lance caricato.

Apesar do golpe, o Vitória ainda teve energias para voltar a reduzir a desvantagem através do sul-coreano Suk, aos 88 minutos. O avançado desviou, com um toque subtil, um remate forte de Vasco Costa estabelecendo o resultado final em 2-4 num jogo em que os vitorianos deram uma boa réplica ao adversário.

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Quim Machado

«Diferença de um golo refletia melhor o que se passou em campo»

Na primeira parte, entramos bem no jogo, tivemos algumas dificuldades na zona interior, com as movimentações de PIzzi, Gonçalo Guedes e Jonas, não conseguimos anular esse jogo do Benfica. O Benfica é uma grande equipa, mas foram quatro golos consentidos. Temos muitos jovens que cometem muitos erros. Na segunda parte voltámos a entrar bem no jogo, o Vasco entrou bem, conseguimos muitos cantos a nosso favor e marcámos dois golos ao Benfica que já não sofria há quatro jornadas. Não queremos fugir ao que estamos habituados e ao bom futebol que temos apresentado.

Depois de sofrer dois golos contra o Benfica não é fácil de recuperar. No primeiro, o Pizzi aparece naquela zona à vontade e passa pelo Fábio com alguma facilidade. No segundo o Ricardo e Venâncio hesitam. Mas depois reagimos bem, não me recordo nos últimos jogos de ver o Benfica sofrer tantos cantos. Depois falta algum discernimento na área. Tivemos oportunidades para fazer mais golos, mas somos uma equipa bastante jovem e isso faz toda a diferença. Temos qualidade, mas falta-nos experiência. A segunda parte foi bem conseguida, os adeptos no fim reconheceram isso e acabaram a bater palmas. Para se jogar no Vitória, tem de ser ter essa mentalidade de querer ganhar. Não temos é jogadores com experiência, mas temos juventude e esse espírito de querer ganhar. Se não arriscássemos o Suk não tinha oito golos e o André não teria 5. O Benfica acaba por ganhar bem, mas a diferença de um golo refletia melhor o que se passou em campo.

Temos dois dias para recuperar bem os jogadores e pensar no jogo com o Rio Ave. Amanhã [hoje] pensamos nisso, o importante agora é descansar e recuperar. O Vitória já a conquistou três vezesa Taça. É um troféu importante para nós. Queremos recuperar bem e, pelo que temos feito, permite-me acreditar que podemos passar a eliminatória seguinte. Temos jogado bem, não vou abdicar do futebol de ataque. O jogo com o Rio Ave é só um jogo, não podemos falhar. Na terça-feira vamos ter de estar outra vez a cem por cento.

[Fala-se em Suk para o Sporting. Preparado para o perder?] Muito sinceramente, fico contente por ver os meus jogadores no mercado, é sinal que temos trabalhado bem. Nenhum treinador quer perder jogadores, mas por outro lado é o reconhecimento do que temos feito. Tem jogado bem e tem feito golos. O Suk é um grande profissional. Nesta altura tem 8 golos, está em primeiro, não tem golos de penalty. Está no mercado com todo o mérito, se vai ser vendido ou não, não sei.”

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O QUE DISSERAM OS AUTORES DOS GOLOS VITORIANOS

Suk

“Penso que estou a atravessar o melhor momento da minha carreira [oito golos em 13 jornadas] mas quero mais, tenho de trabalhar mais para mostrar mais. O que eu quero é ajudar o Vitória. Não sei se saio na abertura do mercado. Se algum clube fizer uma boa oferta, talvez vá. Benfica, Sporting e FC Porto? Gosto das três grandes equipas. Se me quiserem eu vou.”

Vasco Costa

“O resultado não foi justo. Demos uma boa réplica e pelo menos o empate merecíamos. Praticamos futebol atacante, entramos sempre para ganhar e hoje (anteontem) não foi diferente. É o meu primeiro golo na I Liga e isso é especial. Quero dedicá-lo à minha avó, recentemente falecida.”