«Estou no clube certo para atingir a final da Taça de Portugal como treinador»

Ricardo Lopes Pereira

Numa altura em que o Vitória ocupa, à 10.ª jornada, a 6.ª posição do campeonato, o Diário da Região fez 10 perguntas ao  treinador Quim Machado. A poucos dias do 105.º aniversário, o técnico, que não esconde surpresa pela grandeza do emblema sadino, não hesita na hora de escolher o presente que gostaria de dar aos adeptos esta época: “conquistar a Taça de Portugal”.

DIÁRIO DA REGIÃO (D.R.) – O Vitória está a realizar a melhor época dos últimos anos. Quais os segredos da boa campanha?

QUIM MACHADO (Q.M.) – Tudo o que temos feito deve-se essencialmente ao trabalho e à forma como conseguimos mentalizar os jogadores para o que representa vestir a camisola deste clube. Além disso, houve também uma rápida assimilação daquilo que pretendíamos em relação ao Vitória.

D.R. – O que o surpreendeu mais desde a sua chegada a Setúbal?

Q.M. – A grandeza do clube. Uma coisa é não vivermos cá e ouvirmos falar do Vitória e outra, completamente diferente, é chegar à cidade e constatar a dimensão enorme do clube. As pessoas exigem que joguemos bem, que ganhemos e que lutemos pelos troféus. Quem gosta realmente, vive o Vitória de maneira muito intensa.

D.R. – A equipa tem conseguido aliar os resultados às boas exibições. Sente que podem melhorar mais o futebol praticado e o 6.º lugar que ocupam na classificação?

Q.M. – Podemos fazer sempre mais e melhores exibições e resultados. Em termos de tabela classificativa, o 6.º lugar não é mau. Se exigirmos mais estaremos a apontar para uma vaga na Liga Europa, algo que é difícil de atingir. Claro que queremos melhorar, ter mais vitórias e golos. Temos que nos certificar que os jogadores não se acomodem e que, semana após semana, queiram jogar melhor e ter mais êxitos. Esse é o caminho a seguir. Representar o Vitória exige que lutemos por lugares condizentes com a história do clube.

D.R. – Está preparado para perder em Janeiro a dupla de atacantes (Suk e André Claro) responsável por 10 dos 16 golos da equipa no campeonato?

Q.M. – Todos os treinadores querem ter os melhores jogadores, eu não sou excepção. Se existem jogadores referenciados, como o Suk e o André Claro, deve-se ao facto de estarem a fazer um bom campeonato. A vida de treinador é também potenciar jogadores. Sabemos que um ou outro pode ser vendido e isso é o reconhecimento do trabalho realizado. No entanto, quando parte um abre-se uma porta para outro jogador que está no clube e que pode aproveitar a oportunidade para singrar. Além disso, existe a questão financeira, que é muito importante para o clube. Estamos preparados para isso.

D.R. – O Vitória tem lançado nos últimos anos jovens provenientes de escalões secundários e da formação. É uma aposta arriscada?

Q.M. – O Vitória tem demonstrado ao longo dos anos que faz um bom trabalho de scouting. Têm sido descobertos bons jogadores nesses escalões. Isso deve-se a um trabalho invísivel que, quando é bem feito, permite colher frutos. É um risco calculado. Quanto às camadas jovens, o Vitória tem dado ao futebol jogadores de qualidade, como no ano passado. Este ano também temos miúdos com potencial, como é o caso do Hortinha (André Horta), é um jovem com muito valor e poderá vir a dar um encaixe financeirto muito grande ao Vitória.

D.R. – Como jogador do Campomaiorense, já participou numa final da Taça de Portugal. Já se imaginou a regressar ao Jamor no final desta época como treinador?

Q.M. – Estive como jogador e quero atingir uma final como treinador. Pelos troféus que já conquistou, estou no clube certo para atingir uma final da Taça de Portugal como treinador. O Vitória é um clube com tradição na prova e, já transmiti aos jogadores, não temos que ter medo de o assumir. A sorte no sorteio e a nossa competência em campo irá determinar se conseguimos. Para os sadinos, a Taça é algo especial. Para já, vamos defrontar o Casa Pia, equipa que está na linha do nosso adversário anterior, o Coruchense. Temos que respeitar o oponente, que vai fazer tudo para fazer as manchetes dos jornais. Queremos chegar à final e temos de evitar que o consigam.

D.R. – Tem insistido na necessidade de haver mais público a apoiar a equipa no Estádio do Bonfim. Porquê?

Q.M. – É importante porque temos muitos jogadores jovens que precisam de sentir esse apoio. Acredito que dessa forma conseguirão render muito mais. Além disso, a missão dos nossos adversários torna-se mais difícil. É diferente ter cinco ou seis mil pessoas do que ter três. Sei que nos compete conquistar as pessoas e atrai-las com vitórias e boas exibições. Se dermos sequência ao que temos vindo a fazer, acredito que teremos cada vez mais pessoas e a cidade estará atrás de nós a apoiar-nos.

D.R. – Qual o melhor e o pior momento que viveu desde que assumiu o cargo de treinador no Vitória?

Q.M. – O melhor foi a vitória (1-0), em casa, com o Estoril. Foi a primeira e sentia a necessidade de os sócios sentirem essa alegria para irem para casa satisfeitos. O pior foi o início. As pessoas desconfiavam do nosso trabalho e questionavam-se se seríamos capazes ou não. Ao não vencermos muitos jogos na pré-época instalou-se um bocadinho a desconfiança. Tivemos de ser mentalmente fortes para conseguirmos ultrapassar tudo isso.

D.R. – O Vitória celebra o 105.º aniversário na sexta-feira. Se pudesse escolher um presente qual seria?

Q.M. – Conquistar a Taça de Portugal. Seria, por tudo o que têm feito, um prémio justo para os jogadores, para os adeptos e para o clube que completa 105 anos de vida. Creio que é a prenda que todos os sócios desejam. Seria, de facto, um grande presente.

D.R. – Qual a mensagem que gostaria de deixar aso adeptos?

Q.M. – Apoiem-nos. O clube precisa dos adeptos, nós precisamos do seu carinho. Não deixem de acreditar em nós. Sabemos a importância que têm e garanto-lhes que a equipa nunca vai deixar de procurar a vitória.