“O emprego e a segurança social são prioridades”

Conhecido como presidente da Associação de Comércio, Serviços, Indústria e Turismo do Distrito de Setúbal, Francisco Carriço integra agora um novo partido político, criado a partir de vários movimentos de cidadania, o Nós Cidadãos. Caso seja eleito deputado, promete apresentar propostas de combate ao desemprego, lutar pelos direitos dos pequenos e médios empresários e pela reposição dos apoios sociais.

Agência Comboio das Palavras – A população conhece-o enquanto representante máximo dos pequenos e médios empresários. Agora resolveu, em simultâneo, abraçar um novo projeto como candidato a deputado. Fale-nos um pouco de si…

Francisco Carriço – Nasci a 27 de maio de 1960 na aldeia de Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova, onde vivi até aos três anos. Tive uma infância muito feliz e ligada ao campo. Apanhei o 25 de Abril já no liceu e mudei de terra e de escola duas ou três vezes porque a atividade profissional do meu pai (professor) assim o exigia. Estas mudanças proporcionaram-me o espírito da convivência com outras pessoas.

C.P – Também o seu percurso profissional tem sido pautado pelo dinamismo e pela mudança?

F.C – Vim aos 18 anos para Lisboa e licenciei-me em engenharia química pela Faculdade de Ciências e Tecnologia. Mais tarde, tirei a pós-graduação em estratégia empresarial, no ISEG, e o mestrado em economia e gestão. Fiz o estágio em Lisboa numa empresa farmacêutica e, aos 26 anos, chego a Setúbal para chefiar o departamento de pintura na célebre Movauto, uma grande escola para mim. Aos 28 anos era director- geral de uma empresa ligada ao estado, a Resipor. Trabalhei também em várias multinacionais e, aos 32 anos, fundei a empresa Consulset, em Setúbal, que ainda hoje continua a criar postos de trabalho.

C.P – Como chegou à Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal?

F.C – Há cerca de nove anos, dois amigos, um de Setúbal e outro de Beja, representantes de empresas para as quais trabalhava, fizeram-me o convite, quase em simultâneo, para ser presidente das respectivas associações de comércio e serviços. Continuo como presidente da associação de Setúbal e fui presidente da delegação de Beja durante seis anos. Nestes últimos anos dediquei-me muito ao associativismo e tenho-me apercebido das necessidades das micro e pequenas empresas, tentando defender os direitos e interesses das mesmas.

C.P – Sente que esse trabalho tem sido reconhecido pela administração central?

F.C – Não tem sido devidamente reconhecido porque os governos não querem protagonismo no movimento associativo, porque este é constituído por independentes que podem fazer frente à classe política instituída. Nos últimos seis a oito anos, baixaram para metade as micro e pequenas empresas no país. Estes números têm sido disfarçados porque havia muitas pessoas a recibos verdes que passaram a unipessoais. As verdadeiras empresas são aquelas que criam postos de trabalho e não as que dão a si próprias os postos de trabalho. Essa é a minha grande definição de empresa. As associações nunca são ouvidas, tive reuniões com ministros e secretários de estado que prometeram mas não fizeram nada em concreto.

C.P – Por que é que resolveu integrar a lista de um movimento de cidadãos e candidatar-se à Assembleia da República como deputado independente?

F.C – Porque quero dar voz a quem mais precisa. Quero representar as micro, pequenas e médias empresas que estão a ser esmagadas. Garanto a todas as pessoas que irão votar neste projeto que a AR será completamente diferente a partir do momento em que houver deputados independentes. Será restabelecida a verdade e quem lá está terá de ouvir a verdade sobre a aquilo que se passa na sociedade civil.

C.P – Quais são as grandes apostas do Nós Cidadãos?

F.C – O desemprego é um dos nossos cavalos de batalha. Há desemprego devido à destruição maciça das micro, pequenas e médias empresas, responsáveis por 85 % do emprego em Portugal. As grandes empresas em Portugal jogam com todos os truques para não contratarem pessoas e conseguirem ter lucro. E, quando empregam é de uma maneira deficiente. Nós defendemos o modelo nórdico: um ordenado mínimo muito mais elevado e um ordenado máximo que deverá ser tabelado. Só assim podemos acabar com esta injustiça social. Há pessoas a passar fome e depois há administradores públicos com ordenados de 200 mil euros por mês. A classe média, que é o motor de desenvolvimento do país, está a ser destruída.

A segurança social é outra das nossas prioridades. Não se admite que se cortem reformas pequenas nem que haja reformas de 200 e 300 euros. Eu defendo, pessoalmente, que haja uma reforma para pessoas, que trabalhem mais de 30 anos, no valor do ordenado mínimo nacional e defendo também uma reforma máxima que não deverá ser superior a 5 mil euros. Num país como Portugal, com uma segurança social deficitária, é inadmissível que se paguem reformas de 10 mil euros.

C.P – Tem sentido o apoio da população?

F.C – As pessoas têm acolhido muito bem este movimento. No entanto, há um número significativo de cidadãos completamente descrentes. Não acreditam em políticos nem em partidos. Depois há ainda aquelas pessoas que se habituaram a votar sempre nos mesmos partidos. E, há aquele grupo, que é esse que queremos atingir, que ainda acredita na mudança.

C.P – Está confiante no voto?

F.C – Nós não vamos combater o fenómeno da abstenção. Ainda temos um grande percurso pela frente para conseguirmos passar a mensagem de que os movimentos de cidadania vão fazer de tudo para proteger a população perante a corrupção e a incompetência da maioria dos políticos que governaram até agora. Contudo, estamos confiantes e esperamos eleger três deputados, um por Setúbal, um por Lisboa e outro pelo resto do mundo.