As eleições para os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal (SCMS), marcadas para o próximo dia 26, deverão contar com uma lista única, liderada pelo actual provedor, Cardoso Ferreira, uma vez que Nuno Carvalho, que tinha manifestado a intenção de concorrer ao acto eleitoral, não apresentou lista dentro do respectivo prazo, que terminou no dia 9 deste mês. Em comunicado sobre as razões deste recuo, Nuno Carvalho critica a forma como foi iniciado e conduzido o respectivo processo eleitoral, afirmando que lhe foi “negado o acesso à respectiva lista de eleitores” e acusando os actuais órgãos sociais do alegado desvio de “cerca de 500 mil euros da acção social que a instituição tem a seu cargo”.

“A nossa candidatura realizou, nos últimos dias, todos os esforços ao nosso alcance que nos permitissem a apresentação de uma lista, apesar da ausência de centenas de apoiantes na lista de eleitores. Contudo, até mesmo o acesso à respectiva lista de eleitores foi negado, sem qualquer fundamento legal, ao contrário do que foi a prática em anos anteriores. Torna-se, deste modo, impossível apresentar qualquer candidatura à SCMS, não por falta de apoiantes entre os seus associados, mas sim pela forma como está a ser conduzido este processo eleitoral”, acusa Nuno Carvalho.

Acusação de alegados “desvios de dinheiro”

Nuno Carvalho defende que “toda a capacidade financeira da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal deve ser dirigida para o apoio social” e, por isso, “é crucial clarificar se foram ou não desviados cerca de 500 mil euros da acção social que a instituição tem a seu cargo”, denunciando que existe “um processo em curso, promovido pelo Ministério Público, referente a alegados desvios de dinheiro, que poderão ascender a 500 mil euros”.

O próprio processo eleitoral em curso na SCMS, refere, “estará condenado a ser apreciado nos tribunais e compete ao presidente da mesa da assembleia geral explicar como é possível que centenas de irmãos, que sempre votaram, estejam agora impedidos de votar nas eleições agendadas para o próximo dia 26 de Novembro”. “Quando os actos praticados por poucas pessoas afectam o direito de voto de centenas, é inevitável que o processo eleitoral seja contestado e, por essa razão, acredito que possa vir a ser impugnado judicialmente para mais tarde ser repetido dentro da regularidade que se impõe a uma instituição com mais de 500 anos de existência”, afirma. Nuno Carvalho garante que não contarão com a sua candidatura “para acreditar um acto eleitoral que nada tem de eleitoral, mas apenas de atestado a uma determinada recandidatura”.

Nuno Carvalho assegura que efectuou todos os esforços que permitissem que a sua candidatura “fornecesse propostas que melhorassem o papel da SCMS”, tendo construído, “durante largos meses, em estreito contacto com todos os que constituem a Misericórdia de Setúbal, nela trabalham ou dela dependem, um programa estratégico e sólido”. “Quero igualmente transmitir às centenas de pessoas que encorajam e apoiam esta candidatura que não deixaremos de participar no acto eleitoral, assim que for estabelecida a normalidade legal e democrática, e sublinhar que não retiramos o nosso foco dos três pilares que sustentam a instituição: irmãos, utentes e colaboradores”, conclui.

Provedor não comenta

Questionado pelo DIÁRIO DA REGIÃO acerca do teor do comunicado emitido por Nuno Carvalho, o actual provedor da SCMS e recandidato à função não faz, de momento, nenhum comentário.

“Darei conhecimento do teor do comunicado aos irmãos candidatos comigo aos diversos órgãos nas eleições de dia 26. De momento, não há lugar a resposta”, afirma.