“Temos de abrir outro aeroporto. O Montijo está lá. Não podemos esperar três anos para isso acontecer. Essa é a minha maior preocupação”. Empresário brasileiro não podia ser mais claro

David Neeleman, um dos donos da TAP, defendeu ontem, numa conferência à margem da Web Summit, cimeira mundial que está a decorrer em Lisboa, a necessidade de o aeroporto complementar à Portela, no Montijo, ser construído rapidamente.

Citado pela edição online do Jornal de Negócios, ontem, o empresário explicou que a companhia aérea portuguesa precisa de fortalecer o hub em Lisboa, mas que a falta de espaço no aeroporto Humberto Delgado não permite esse crescimento.

“Estou um pouco frustrado com o aeroporto que não está a abrir mais espaço, porque estamos a crescer mais rápido do que o aeroporto. E essa é uma coisa muito importante para o país”, referiu David Neeleman, explicando que é preciso “abrir mais pistas e mais ligações”, voltar para Toronto e Montreal, no Canadá, e apostar em mais cidades nos Estados Unidos, nordeste do Brasil e África.

“Mas o aeroporto tem de fazer a mesma coisa. Não podemos crescer se eles dizem que está limitado. Temos de abrir outro aeroporto. O Montijo está lá. Não podemos esperar três anos para isso acontecer. Essa é a minha maior preocupação”, atirou.

Neeleman defende que a TAP, a ANA e o Governo devem trabalhar em conjunto, até porque o turismo é uma grande fonte de receitas para o país. “Vemos muitos americanos aqui. E sabemos que eles gastam muito mais dinheiro do que quem vem pela Ryanair a pagar 39 euros. Uma pista nesta capital é insuportável. Temos de trabalhar rápido”, reiterou.

Sobre possíveis despedimentos na companhia área portuguesa, o empresário garante que não estão previstos, até porque a TAP está a contratar. “Fizemos um estudo interno para perceber o que temos de fazer para sermos mais eficientes. Descobrimos muitos custos”, explicou. Mas, no que diz respeito ao pessoal, “estamos a crescer, estamos a contratar pessoas”. Já noutras áreas, o empresário admite que possa haver cortes. “Mas nas outras áreas temos de ver onde podemos ser mais eficientes”, disse.