Vitória sem argumentos para travar leão obriga adeptos a sofrer até ao fim do campeonato

 

 

O Vitória foi anteontem goleado, por 5-0, pelo Sporting e continua, quando falta uma jornada para o final do campeonato, em risco de ser despromovido à 2.ª Liga. Apesar de terem entrado em campo em Alvalade a saber que a Académica já tinha sido relegada (empatou a zero com o Sp. Braga) e que o Tondela se mantém na luta pela sobrevivência depois de ter vencido sexta-feira em Paços de Ferreira (1-4), os sadinos não tiveram capacidade para travar um leão que ainda sonha com o título de campeão.

Com o desaire sofrido, a equipa de Quim Machado adiou a decisão da permanência para a derradeira ronda quando defrontar, em Setúbal, o Paços de Ferreira. Para não sofrer um dissabor no final dos 90 minutos dessa partida, não tendo de estar dependente do desfecho entre o Tondela e a Académica (se os tondelenses não vencerem até a derrota sadina mantém a equipa no escalão principal), o Vitória tem de pontuar no Bonfim.

O encontro da 33.ª jornada veio confirmar o péssimo momento que o conjunto liderado por Quim Machado atravessa. Com 29 pontos, os setubalenses somam já 14 jornadas sem ganhar (10 derrotas, cinco delas consecutivas). Quanto ao jogo, desde cedo se percebeu que dificilmente os sadinos tinham argumentos para ombrearem com o Sporting.

O 3x4x3 de Quim Machado carecia não só de velocidade, como de eficácia defensiva – havia demasiado espaço entre os três centrais e os quatro homens do meio-campo – e de falta de entrosamento entre os jogadores, muitas vezes surpreendidos por passes de ruptura na zona central. Os golos dos lisboetas no primeiro tempo são espelho disso mesmo. Com início sempre na zona central.

Primeiro, William Carvalho desmarcou Slimani, que passou a bola para Bryan Ruiz e este isolou Gelson Martins – titular no lugar de João Mário que ficou de fora devido a problemas físicos -, que picou a bola por cima do guarda-redes Ricardo, para inaugurar o marcador, aos 25 minutos.

Depois, aos 37 minutos, novamente com William Carvalho, que tinha recuperado a bola após falha de Paulo Tavares, chegou às imediações da área e assistiu Téo Gutierrez, que rematou junto ao poste esquerdo da baliza de Ricardo para o 2-0, resultado que dava justiça ao marcador ao intervalo.

Os comandados de Jorge Jesus, muito disciplinados tacticamente, não desarmaram no segundo tempo, mostrando que o 6-0 da primeira volta, no Bonfim, não tinha sido por acaso e fizeram o terceiro tento, aos 55 minutos. Adrien tirou um adversário da frente e assistiu Gelson Martins, que, com um remate em jeito bisou no encontro.

Foi necessário esperar 58 minutos para que Quim Machado corrigisse os erros do meio campo. Retirou Dani e Paulo Tavares, fazendo entrar André Horta, que na próxima temporada irá representar o Benfica [n.d.r.: presidente Fernando Oliveira e treinador Quim Machado confirmaram-no anteontem], e Miguel Lourenço. Já a pensar na última jornada, com os bracarenses, Jorge Jesus retirou Slimani, há muito ‘tapado’ com amarelos, e fez entrar Marvin Zeegelar, fazendo avançar no terreno Bruno César, que era o lateral esquerdo até então.

O brasileiro Bruno César acabou por estar na origem do quarto golo, aos 71 minutos. De livre, após falta de Vasco Costa – jogador que viu o segundo cartão amarelo e a consequente expulsão, falhando, por isso, a derradeira ronda com os pacenses – sobre Zeegelar, serviu Bryan Ruiz que, sem oposição, rematou com o pé esquerdo para o fundo da baliza de Ricardo. Aos 90+2 minutos, o internacional da Costa Rica viria a bisar e a selar o resultado (5-0), de livre directo.


 

«Não conseguimos impor o nosso futebol»

Quim Machado

“Não estivemos bem, não fizemos um jogo bem conseguido. Tínhamos dado uma imagem positiva contra o Braga e o Benfica, mas hoje (anteontem) não conseguimos impor o nosso futebol. Não tivemos bola. Julgo que se deveu ao Sporting, que está numa fase muito boa, sempre com pressão alta sobre nós.

É evidente que depois da primeira volta, toda a gente se questiona sobre esta situação (na tabela). No Inverno, perdemos duas referências da nossa equipa (Suk e Rúben Semedo) e, depois, as equipas também começaram a estudar a forma como jogamos. Houve também algumas arbitragens que nos prejudicaram. Tivemos algumas situações que podiam ter dado pontos e não deram. Só temos 29 pontos, parece que estamos mortos, mas só dependemos de nós.

As pessoas agora dão valor ao Tondela, que está com o moral em alta. Fizemos grandes jogos. Ao longo desta segunda volta, mesmo não pontuando, conseguimos quase sempre jogar bem. Esta será uma semana que temos de trabalhar normalmente, como ao longo da época, há que controlar a ansiedade. Vamos jogar para ganhar e acredito que com o nosso público também será mais fácil.

(Sobre André Horta e o Benfica) É um miúdo com grande potencial, é um grande jogador, está a fazer um grande campeonato. Não tenho dúvidas de que vai atingir um patamar elevadíssimo.”


Ricardo Lopes Pereira