Associação de Municípios da Região de Setúbal, que tem vindo a recuperar os dois conventos da Quinta de S. Paulo, assinou ontem contrato para reabilitação que vai permitir usufruto do monumento mais antigo

 

A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) adjudicou ontem à empresa Signinum, Gestão de Património Cultural, o contrato de reabilitação do Convento da Quinta de São Paulo, em Setúbal, por 400 mil euros.

O acordo prevê a reabilitação de grande parte do Convento de São Paulo, designadamente do claustro, da nave da igreja e do antigo refeitório e respectiva cozinha, espaços que a AMRS espera ter recuperados no prazo de seis meses e que admite vir a utilizar para eventos culturais.

“Acabámos de assinar dois contractos entre a AMRS e a empresa Signinum, com vista á recuperação do Convento de São Paulo e da Casa da Nora, um edifício anexo ao Convento de São Paulo”, disse o presidente da AMRS, Rui Garcia, após a cerimónia de assinatura dos dois contractos e adjudicação das obras.

“É mais um passo num processo que a AMRS iniciou há cerca de cinco anos, de intervenção para recuperar o património da Quinta de São Paulo, dois conventos de grande valor histórico”, disse Rui Garcia, lembrando que ao longo dos últimos cinco anos a AMRS já gastou cerca de 600 mil euros em obras de consolidação do Convento de São Paulo e no Convento dos Capuchos, também no interior da Quinta de São Paulo”, acrescentou.

Rui Garcia esclareceu, no entanto, que o Convento dos Capuchos “apresenta um processo de deterioração mais acentuado do que o Convento de São Paulo e já não reúne condições para o mesmo tipo de intervenção”, que, na prática, exigiria uma reconstrução de todo o edifício, cenário que Rui Garcia disse não estar no horizonte imediato da AMRS.

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Esta ideia foi corroborada pelo arquitecto responsável pela intervenção contratualizada pela ASMRS, Vítor Mestre, que confirmou a impossibilidade de se realizar o mesmo tipo de intervenção nos dois conventos.

“São dois edifícios com um estado de degradação distinto. Quando a AMRS adquiriu a quinta, o Convento de São Paulo, apesar de tudo, ainda tinha alguma coerência física. O Convento dos Capuchos tinha várias derrocadas e um processo de degradação acentuado”, disse.

“Se a AMRS não tivesse tido a atitude de conter, com a instalação de uma cobertura provisória e algum escoramento, o processo de degradação do Convento de São Paulo, ele tinha caído também”, disse o arquitecto, acrescentando que o monumento esteve exposto, no últimos 50 anos, a um “abandono muito violento”.

O financiamento das obras será integralmente assegurado por verbas da AMRS, dado que, segundo o presidente da associação, “não há nenhum programa comunitário para este tipo de intervenção”.

A Signinum, Gestão de Património Cultural, que vai fazer as obras desta terceira fase da reabilitação do Convento de S. Paulo é especialista neste género de trabalhos, tendo no seu historial a recuperação de importantes edifícios históricos, designadamente a Torre dos Clérigos, no Porto, ou o Museu dos Coches, em Setúbal.

Convento dos Capuchos já tem ‘Casa do Fresco’ recuperada

No convento dos Capuchos, que fica também na quinta de S. Paulo e que se encontrava em estado muito mais avançado de degradação, a AMRS efectuou obras para travar a continuação da deterioração das estruturas e já reabilitou a Casa do Fresco. Uma construção autónoma, que dista alguns metros do complexo principal do edifício e que deve o seu nome a dois factores. A Casa do Fresco tem o interior decorado de frescos, de autor(es) desconhecido(s), de finais do século XVII, e tinha água corrente. A construção foi edificada junto a uma linha de água, que atravessa a sala. No interior existem bancos, para melhor acomodar quem quisesse aproveitar o excepcional ambiente de relaxamento e convite à reflexão.

O Convento dos Capuchos – oficialmente designado Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Frades Franciscanos Capuchos de Alferrara – foi construído em 1578 e reconstruido no século XVII.

Aberto a visitas mas não á exploração turística

Segundo a AMR, assim que o Convento de São Paulo estiver pronto – o que Rui Garcia estima ser até ao final do primeiro semestre do próximo ano – vai ser permitida a visita, de grupos que o solicitem e por iniciativa da associação, mas está fora de questão a utilização turística do espaço. Fátima Mourinho, secretária-geral da AMRS deixou bem claro que os conventos e a Quinta de S. Paulo continuarão a ser propriedade pública, através da associação de municípios. Rui Garcia reforçou essa ideia, assegurando que nunca será admitida a “mercantilização” daquele património.

O espaço será usado, também, para eventos promovidos pelos nove municípios da AMRS.