Uma notícia publicada no Boletim Municipal de Alcácer do Sal motivou uma acesa polémica que marcou a reunião pública do executivo municipal de ontem. A vereadora do Partido Socialista (PS), Isabel Vicente, questionou a maioria comunista sobre uma noticia, publicada na ultima edição do boletim municipal, sob o titulo “Câmara deixa de ter dividas a mais de 90 dias”, onde é afirmado que a autarquia “deixou de ter divida escondida, a qual estava avaliada em cerca de um milhão de euros”.

CM Alcácer do Sal_contas geram polémicaIsabel Vicente pediu explicações sobre essa afirmação, garantindo que “todas as faturas que a câmara recebeu, no mandato PS, foram lançadas na contabilidade” e “atirando uma pergunta direta a Vítor Proença da CDU. Gostaria de saber se o seu sucessor, na câmara de Santiago do Cacém, já conseguiu pagar os 19 milhões de divida que o senhor lá deixou”, disse a eleita socialista., considerando ainda que “com estes malabarismos políticos, o executivo da CDU tenta esconder a falta de projetos para o concelho”.

O presidente da câmara pediu ao PS que colocasse as questões por escrito, mas não deixou de dar algumas respostas, aconselhando Isabel Vicente a “pensar muito bem” antes de levantar esta questão publicamente porque, atendendo à gravidade das matérias em causa, “a população e esta câmara podem vir a testemunhar um conjunto de faltas objetivas muito desagradáveis”. O autarca da CDU deu um “exemplo”. O caso de uma empresa de construção civil que está a exigir ao município o pagamento de 44 mil euros de juros por ter sido iniciada a obra de construção do novo centro escolar do Torrão, antes de o concurso de empreitada ter o visto do Tribunal de Contas.

Segundo Vítor Proença, entre o anterior executivo do PS e o empreiteiro pode ter havido uma “combinação” para pagamento dos juros pelos créditos que a empresa receberia com atraso. Isabel Vicente disse “desconhecer essa negociata” e pediu para ter acesso aos documentos que a comprovam.

Vítor Proença lembrou ainda que logo no inicio do atual mandato perguntou duas vezes se “havia divida escondida”, tendo-lhe sido “dito que não havia”, mas que “passados uns meses o Revisor Oficial de Contas, ao cruzar as contas da câmara com as da Águas Públicas do Alentejo, constatou que havia 500 mil euros de divida escondida”. Sobre a acusação da falta de projetos para o concelho, o presidente da edilidade disse apenas que “todos temos que ter calma”, deixando implícito que o mandato está ainda numa fase inicial.

O Boletim Municipal motivou ainda a intervenção de Luísa Ferreira do PS que questionou a maioria sobre a adjudicação do trabalho de impressão, por “ajuste direto” a uma empresa de fora do concelho, quando em Alcácer do Sal também há uma gráfica. Vítor Proença respondeu que foram consultadas cinco gráficas, que o trabalho foi adjudicado à que apresentou “o preço mais baixo” e que essa empresa, do Montijo, é a mesma que fornecia esses serviços ao anterior executivo socialista.

Na reunião de ontem, o presidente da câmara, que preside também à Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), revelou que os cinco municípios que integram a comunidade solicitaram uma reunião ao ministério da Saúde, para tratar da situação do Hospital de Santiago do Cacém. Vítor Proença referiu que 30 chefes da unidade hospitalar estão demissionários e informou que a reunião com o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, em que vão estar presente os presidentes das câmaras de Alcácer, Grândola, Santiago do Cacém, Sines e Odemira, está marcada para dia oito de abril. Luísa Ferreira, vereadora do PS, acrescentou que o Hospital do Litoral Alentejano precisa de mais “87 funcionários” para “funcionar devidamente”.