PS e PSD/CDS-PP alegam que o documento contém erros técnicos crassos e despesas excessivas para festas e publicidade

O PCP acusou a oposição de boicotar a gestão da União de Freguesias de Setúbal ao chumbar o orçamento para 2016, mas PS e PSD/CDS-PP argumentam que o documento tinha erros e verbas excessivas para festas e publicidade.

“PS e PSD/CDS, nas declarações de voto que apresentaram, referem ‘erros técnicos crassos’, que nunca explicam quais, o empolamento da receita – que já foi explicado não existir, mas sim aumentos fundamentados –, ou até a falta de investimento na área social”, disse, na passada quinta-feira, em conferência de Imprensa, o presidente da União de Freguesias de Setúbal, Rui Canas.

O autarca da CDU, que tem apenas maioria relativa na União de Freguesias de Setúbal, argumentou, ainda, que a atitude dos partidos da oposição põe em causa obras e projectos, como a requalificação do mercado da lota e a construção de um parque lúdico na zona do Casal das Figueiras.

O PS e a coligação PSD/CDS-PP justificam o voto contra com alegados “erros técnicos crassos” no orçamento, mas também com as despesas excessivas em determinadas rubricas, designadamente no que respeita a festas e publicidade, e deixam claro que não irão aprovar o documento tal como está.

“Na primeira apresentação do orçamento, a maioria CDU tomou a iniciativa de retirar o documento devido a falhas graves”, disse à Lusa Ana Pereira, eleita do PS na assembleia da União de Freguesias de Setúbal. A proposta que apresentaram “não previa sequer a actualização do salário mínimo na rubrica de despesas”, acrescentou a autarca socialista, adiantando que “algumas receitas também estavam empoladas”, porque eram contabilizadas verbas dos primeiros meses deste ano que, entretanto, já foram realizadas.

O coordenador do PSD na União de Freguesias de Setúbal, Ricardo Pereira, acusa o presidente da Junta de Freguesia de seguir uma estratégia de “vitimização” e lembra que, além dos erros técnicos que entretanto já terão sido corrigidos, no orçamento para 2016 há também questões políticas que não foram ainda resolvidas.

“O orçamento para 2016 que nos foi proposto previa um total de 80 mil euros para festas e publicidade, que consideramos excessivo, quando tem apenas cerca de 15 mil euros para apoios sociais. Consideramos que se trata de um orçamento eleitoralista”, disse Ricardo Pereira, defendendo que o executivo da Junta de Freguesia faria melhor se encaminhasse parte destas verbas para apoios sociais e para o movimento associativo.