Hugo Lopes, ex-aluno da escola e profissional na área da assistência médica, coordena os treinos que já habilitaram mais de 1200 alunos a socorrer vítimas de paragem cardiorrespiratória

Cerca de 400 alunos da Escola Secundária D. João II, em Setúbal, participaram num treino de Suporte Básico de Vida (SBV), uma iniciativa inteiramente coordenada por alunos com o apoio da direcção da escola. Cerca de 90% da comunidade educativa já recebeu conhecimentos em suporte básico de vida para saber como agir perante uma vítima em paragem cardiorrespiratória, graças à acção de formação e sensibilização, realizada agora pelo terceiro ano consecutivo.

O Mass Training em Suporte Básico de Vida proporcionou aos alunos de todas as turmas de 7º e 10º ano sessões teóricas, em que foi explicado o que é o algoritmo do Suporte Básico de Vida. Trata-se de um conjunto de nove passos que qualquer pessoa deve fazer para socorrer alguém em paragem cardiorrespiratória – verificar as condições de segurança, avaliar a consciência da vítima, gritar por ajuda, permeabilizar a via aérea, verificar a respiração, ligar para 112, efectuar 30 compressões torácicas, fazer duas ventilações e manter as manobras de SBV até à chegada dos profissionais médicos.

Na componente prática, ao longo de três estações, os alunos aplicaram os conhecimentos adquiridos, aprendendo a colocar uma vítima na posição lateral de segurança, a fazer as ventilações e percebendo também como os profissionais de emergência média actuam em casos de trauma.

Uma paragem cardiorrespiratória é uma paragem repentina do coração, que pode levar à morte em poucos minutos se não forem prestados os devidos cuidados de SBV, o mais cedo possível. Pode acontecer a qualquer pessoa, de qualquer idade e em qualquer circunstância, por causas respiratórias, doenças pulmonares ou acidentes de viação que impliquem traumas, explicou ao DIÁRIO DA REGIÃO Hugo Lopes, coordenador do Mass Training em Suporte Básico de Vida. Nesses casos, o suporte básico de vida “pode ser útil em duas situações: ou quando a vítima está inconsciente, mas a respirar, ou quando a vítima está inconsciente e não respira”.

Nessa situação, segundo Hugo Lopes, “é muito importante o início precoce das manobras”, enquanto os meios de socorro não chegam ao local. “Os primeiros dez minutos são essenciais e por cada minuto que passa após a paragem, as hipóteses de reanimação decrescem cerca de 10%. Ou seja, se as manobras foram iniciadas por alguém que acabou de presenciar uma paragem, há muitas probabilidades de conseguir reverter a paragem cardiorrespiratória”, sublinhou o responsável.

Formação básica para salvar vidas

 O Mass Training em Suporte Básico de Vida, realizado no auditório da Escola Secundária D. João II, ontem e hoje, teve como principal objectivo “criar a base para os alunos, professores e funcionários saberem como agir se um dia se depararem com alguma pessoa vítima de paragem cardiorrespiratória”.

A acção de formação e sensibilização foi coordenada por Hugo Lopes, 20 anos, profissional da área da assistência hospitalar e emergência médica com curso de Suporte Básico de Vida certificado pelo INEM. Tendo sido aluno da escola, do curso de Línguas e Humanidades, e trabalhando actualmente como condutor de ambulância nos bombeiros de Águas de Moura, Hugo foi convidado pela direcção da escola para realizar a iniciativa e preparou a acção ao longo de dois meses com a ajuda de outros alunos da escola, que receberam igualmente conhecimentos em suporte básico de vida. O facto de ter sido organizada, coordenada e ministrada inteiramente por alunos torna esta acção única no distrito de Setúbal.

“Não devemos guardar o nosso conhecimento para nós, muito menos quando se trata de salvar vidas. É importante incutir o suporte básico de vida nas escolas porque são passos simples que podem fazer a diferença na vida de alguém”, disse o responsável.

Para a direcção da Escola Secundária D. João II, a educação cívica para as situações de risco é igualmente uma prioridade e a adesão da comunidade ao Mass Training em Suporte Básico de Vida comprova o sucesso da iniciativa. “A sensação que temos é que os alunos ficam bastante entusiasmados, falam sobre o assunto e transmitem a mensagem aos pais, em casa”, afirmou Luísa Fuzeta, vice-directora da escola, garantindo que “a iniciativa é para continuar”.