Fundamentação reconhece valor universal excepcional das Ruínas Romanas de Tróia, assim como a sua autenticidade e integridade

A Comissão Nacional da UNESCO decidiu inscrever o ‘Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Tróia’ na lista indicativa de Portugal ao Património Mundial, informou a Câmara Municipal de Grândola.

A proposta apresentada pela Tróiaresort ao organismo que representa a UNESCO em Portugal, com o apoio do Município de Grândola, fundamenta-se na justificação do valor universal excepcional do ‘Complexo Industrial Romano de Salga e Conserva de Peixe em Tróia’, na sua autenticidade e integridade e na comparação com bens idênticos de acordo com os critérios e orientações estabelecidos pelo Comité do Património Mundial.

As Ruínas Romanas de Tróia foram classificadas, em 1910, como Monumento Nacional e, em 1968, foram dotadas de uma Zona Especial de Protecção e de uma área non aedificandi.

Este sítio arqueológico foi ocupado entre a primeira metade do século I d.C. e, provavelmente, o século VI. Desde o século XVIII que é alvo de escavações, salientando-se a campanha de D. Maria I, as da Sociedade Arqueológica Lusitana no século XIX e no século XX uma longa série de outras campanhas, sob a orientação de dois directores do Museu Nacional de Arqueologia. As escavações revelaram vestígios de construções romanas numa área que se estende desde a boca da laguna da Caldeira até à Base Naval de Tróia, numa extensão de 1,5 km. Embora apenas uma pequena parte do sítio arqueológico se encontre escavado, a forte concentração de tanques de salga de peixe, constitui o elemento mais identificativo da Tróia romana sendo considerado o maior centro de produção de salga de peixe e seus derivados conhecido na geografia do antigo império romano.

O carácter excepcional deste sítio arqueológico reside essencialmente na forte concentração de oficinas de salga de peixe e na grande dimensão de muitas delas, bem como na grande capacidade das suas cetárias. Trabalhos recentes da equipa de arqueologia de TróiaResort coordenada pela Dra. Inês Vaz Pinto, permitiram identificar 25 oficinas de salga, das quais se conservam vestígios de 182 tanques, parte deles ainda completos. Calculado o volume dos 80 tanques ainda mensuráveis, conclui-se que corresponde a uma capacidade de produção instalada de 1429 m3, ou seja, 1 429 000 litros (Pinto, Magalhães e Brum, 2010). Além das oficinas de salga, foram postas a descoberto umas termas com a sua planta completa, um núcleo habitacional com um edifício de primeiro andar, necrópoles, um columbarium também utilizado como mausoléu, poços e uma roda de água, e uma basílica paleocristã com pinturas murais a fresco.