Câmara Municipal assegura iluminação em largos e praças e comerciantes nas respectivas ruas. As luzes devem acender-se até ao fim de semana

São perto de vinte os pinheiros de Natal que iluminam desde sábado à tarde a Rua Augusto Cardoso, na baixa comercial de Setúbal, iniciativa de cerca de duas dezenas de comerciantes empenhados em atrair mais clientes ao comércio tradicional na época festiva que se aproxima.

“Tivemos a ideia de arranjar umas árvores de Natal todas iguais, colocadas à porta dos estabelecimentos comerciais, com luzes e enfeites, e todos os lojistas quiseram aderir”, contou Licínio Santo, representante dos lojistas da Rua Augusto Cardoso.

Os comerciantes decidiram avançar com um projecto de iluminação próprio depois de concluírem que não teriam condições financeiras para participar na iluminação de Natal proposta pela Câmara Municipal de Setúbal, que desde há três anos delega nos comerciantes o investimento no aluguer das luzes a uma empresa, sendo que a autarquia assume o custo da electricidade.

“A Câmara Municipal propôs este modelo à nossa rua, mas como o valor era muito alto e nós não temos muita disponibilidade monetária, decidimos avançar com esta solução”, explicou o proprietário da Ourivesaria Espiral ao DIÁRIO DA REGIÃO. “A ideia é que isto atraia mais clientes à baixa, pois esta época é essencial para o comércio e para as vendas”, disse.

As árvores de Natal, decoradas a preceito por cada loja e com lâmpadas à prova de água, tornam agora a antiga Rua dos Sapateiros um local mais acolhedor para fazer compras, animado por luz, cor e músicas de Natal. “É uma coisa simples que faz toda a diferença. Está tudo preparado para termos um bom Natal”, garantiu Licínio Santo.

Baixa iluminada

A iluminação natalícia das principais artérias comerciais da baixa setubalense será garantida pelos comerciantes, em colaboração com a Câmara, apesar de o esforço financeiro ser “ligeiramente menor do que no ano anterior”, explicou Carla Guerreiro, vereadora das Actividades Económicas da Câmara Municipal de Setúbal.

Praça do Bocage, Largo da Misericórdia, Largo da Ribeira Velha, Avenida Luísa Todi, Largo dos Combatentes e Praça de Portugal serão as “zonas comuns” cuja iluminação de Natal é assegurada pelo município. De notar que os comerciantes da Praça do Bocage, Largo da Misericórdia e Largo da Ribeira Velha “também estão a contribuir para as outras ruas”, frisou a vereadora durante a visita que fez à iluminação da Rua Augusto Cardoso, no sábado.

Os trabalhos de colocação das luzes já estão a decorrer, e segundo Carla Guerreiro, “a ideia é que no fim de semana as luzes já estejam todas ligadas”. Sem qualquer brilho colorido deverão ficar algumas ruas, o que de resto já aconteceu no ano passado.

Obras na Rua Augusto Cardoso ameaçam comércio

Comerciantes pediram à Câmara que adie obras para Janeiro, caso contrário o comércio vai ressentir-se, alertam

O atraso na execução de uma obra de colocação de cabos de telecomunicações numa caixa subterrânea, cujo início foi anunciado para “a partir do dia 2 de Novembro”, com uma “duração prevista de duas semanas”, pode colocar em causa o esforço dos comerciantes da Rua Augusto Cardoso nesta época de Natal.

Perante o atraso da obra e a certeza do seu impacto negativo no comércio, os comerciantes da Rua Augusto Cardoso entregaram um abaixo-assinado no município, no dia 14 de Novembro, solicitando o adiamento dos trabalhos para o mês de Janeiro. Até à data desta edição, ainda não tinham obtido resposta.

Questionada sobre esta matéria, Carla Guerreiro adiantou que “a Câmara Municipal está a analisar a situação” e não sabe ao certo quando a obra poderá avançar: “estamos à espera das operadoras de telecomunicações, é um processo complicado”, disse. “O que vamos fazer é tentar evitar ao máximo os constrangimentos”, fazendo a obra de forma faseada ao longo da rua, explicou a vereadora.

A empreitada prevê a abertura de uma “vala” na Rua Augusto Cardoso, para colocação dos fios de comunicação que atravessam a rua e estão fixados em fachadas de prédios (muitos dos quais já foram retirados recentemente). Segundo um comunicado da Câmara Municipal de Setúbal, a obra conta com a colaboração da União das Freguesias de Setúbal e integra “a estratégia municipal em curso de melhoria da imagem urbana da cidade e, em particular, na revitalização do centro histórico”.

Ao DIÁRIO DA REGIÃO, o representante dos comerciantes mostrou-se peremptório. “Nós não estamos contra a obra, que até consideramos uma mais-valia, mas entendemos que não é oportuna nesta altura”. Caso a obra avance nas próximas semanas, dificultando a passagem de moradores, trabalhadores e clientes naquela zona, “a maioria das lojas fica em risco de falência: há aqui lojas que estão à espera do mês de Dezembro para recuperar liquidez e assumir os compromissos com os fornecedores”, alertou Licínio Santo.