A Praça do Brasil, em Setúbal, foi o ponto de concentração para os cerca de 500 trabalhadores da administração pública, que percorreram as ruas da cidade em protesto contra a precariedade e em defesa dos direitos de trabalho. A ação de luta, convocada pela União de Sindicatos de Setúbal, culminou com uma concentração frente ao centro de emprego.

Protesto da Administração Pública em SetúbalAo lado dos trabalhadores esteve Arménio Carlos, Secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN). Arménio Carlos apelou a que os trabalhadores “sejam os protagonistas da mudança” que é necessária ao país, na sequência das duas “derrotas monumentais nas eleições europeias e autárquicas” dos partidos do governo Partido Social-Democrata (PSD) e CDS-PP e que “como não há duas sem três, têm que passar por uma nova derrota nas próximas eleições legislativas”.

Esta concentração de trabalhadores teve como objetivos denunciar a crescente utilização de contratos de trabalho precário “com que o Governo pretende disfarçar”. “Por um lado, os escandalosos números do desemprego no nosso país e, por outro lado, ocupar postos de trabalhos efetivos e que se encontrariam por preencher, fruto das criminosas limitações e elevada burocratização impostas à contratação de trabalhadores para o sector público”, salienta, em comunicado, a secção do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local do concelho de Setúbal (STAL)

 Neste desfile por Setúbal, os trabalhadores afirmaram-se contra a ocupação de postos de trabalho de natureza permanente por trabalhadores a quem não são reconhecidos os mesmos direitos que os trabalhadores com contrato em funções públicas a termo. Os manifestantes exigiram a defesa do emprego público de qualidade e com vínculo efetivo, cumprindo-se a lei e o direito constitucional ao trabalho, “pois se a utilização de trabalhadores desempregados, serve para satisfazer as necessidades dos serviços a prestar às populações, os trabalhadores que estão contratados nestas situações devem ter vínculo público e efetivo”.

 Os trabalhadores reunidos nesta acção prometeram não baixar os braços e continuar a lutar contra precariedade e pelo trabalho com direitos, “na reivindicação do cumprimento da lei fundamental do país, de que a um posto trabalho permanente vínculo efetivo”.

 Nesta ação de luta os trabalhadores exigiram igualmente a abertura de concursos para ingresso na administração pública, “por forma a que esta se volte a encontrar livre dos espartilhos impostos pelo governo que procura impor uma crescente dependência da prestação de serviços por parte de entidades privadas, que visam a obtenção de lucro fácil, a partir da necessidade de cumprimento das mais básicas expectativas dos cidadãos portugueses, nomeadamente nas áreas da saúde, ensino, segurança social e administração local”, conclui o STAL.