Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, e Francisco Lopes, cabeça-de-lista da CDU pelo círculo eleitoral de Setúbal, estiveram ontem em campanha no Montijo. Os candidatos falaram à população, num palanque instalado em frente ao edifício da Galeria Municipal, ao fim da tarde, não poupando críticas ao Governo e ao PS, ao mesmo tempo que se debruçaram sobre questões estratégicas para o concelho montijense e para a região.

Francisco Lopes interveio primeiro, lembrando que “as políticas do Governo e do PS estão bem à vista no País e no concelho”. “Denunciamos as causas e os responsáveis pela situação em que se encontra o País e apresentamos soluções para o distrito de Setúbal e para Portugal com futuro”, disse o cabeça-de-lista da CDU por Setúbal, antes de garantir que a coligação mantém-se firme na luta pela construção de “um novo hospital” que sirva o Montijo e Alcochete e pela construção, faseada, do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete”.

“O anúncio foi feito pelo Governo PSD/CDS mas é acompanhado pelo PS. António Costa fez declarações públicas, dizendo que não há tempo de construir um novo aeroporto, que tem de se aproveitar o do Montijo [na Base Aérea n.º 6]. Coisa curiosa! Há uns anos diziam-nos que não era necessário construir um novo aeroporto porque o da Portela daria para 30 ou 40 anos. Agora vêm dizer que não se deve construir um novo aeroporto porque leva muito tempo e tem de se encontrar uma solução urgente. Como se vê a mentira tem perna curta e o que aqui está em causa são outros interesses”, disparou.

Jerónimo de Sousa incidiu o seu discurso numa perspectiva mais nacional e começou por salientar “o orgulho” sentido pela CDU em ter cumprido no parlamento o que sempre prometeu. “Aquilo que aqui afirmámos neste espaço, neste concelho, neste país, durante quatro anos, ali estivemos na Assembleia da República a cumprir, apresentando as nossas propostas, os nossos projectos, sempre do lado certo, dos trabalhadores e do povo, o que demonstra que os que votaram na CDU têm razões para se sentirem orgulhosos, porque o seu voto foi respeitado”, afirmou.

O líder do PCP jogou depois para cima da mesa dados estatísticos, considerando que Portugal vive “uma ofensiva” sem precedentes desde o 25 de Abril de 1974. “O nosso país hoje tem uma mancha vergonhosa de, durante estes quatro anos, mais de 800 mil portugueses terem caído na pobreza. Um balanço trágico é o que fazemos a este Governo do PSD/CDS. Desgraçaram muitas vidas. Haverá exemplo mais gritante desta política errada do que a emigração de cerca de meio milhão de portugueses, com menos de 35 anos, por a sua pátria não lhe dar garantias de emprego?”, questionou, antes de apelar ao voto “contra as malfeitorias” do actual Governo.