A autarquia não poupa crítica à empresa de transportes públicos e lembra que em apenas dois anos e meio “foram suprimidas duas carreiras” e que houve redução de 113 viagens/dia útil

A Câmara Municipal do Seixal aprovou, na reunião do executivo que decorreu na quarta-feira passada, uma tomada de posição pela melhoria urgente do serviço público de transporte rodoviário de passageiros. O município exige à TST o cumprimento integral de carreiras previstas e a reposição das carreiras retiradas.

A autarquia lembra que é indiscutível o papel fundamental que os transportes públicos assumem na vida quotidiana das populações, como garante da indispensável mobilidade inerente à vida activa, nas suas mais variadas dimensões.

“Consciente da sua importância, o concelho do Seixal, com 160 mil habitantes e uma área geográfica de 95 Km2, sempre exigiu e incentivou de forma assertiva os operadores rodoviários, no caso concreto, a Transportes Sul do Tejo (TST), a aumentar em qualidade e quantidade os serviços públicos que presta. Esta empresa é a uma das detentoras de título para prestação do serviço público de transporte rodoviário no concelho”, começa por sublinhar o município, criticando de seguida o comportamento dos TST. “Contudo, desde há largos anos, prossegue uma política de reorganização da rede e de ajustamentos dos horários, carreiras e percursos que, na prática, resultaram em cortes nas carreiras e em maior espaçamento entre as mesmas, reduzindo significativamente o direito à mobilidade e necessidades das populações, direito esse inscrito na Constituição da República Portuguesa, nascida da Revolução de Abril”, vinca a autarquia.

Carreiras suprimidas e desinvestimento na frota

Só no período de dois anos e meio, explica o município, “foram suprimidas duas carreiras, 24 sofreram alterações no intervalo médio entre viagens, houve redução de 113 viagens/dia útil, de 94 viagens/dia aos sábados e de 86 viagens/dia aos domingos e feriados”. Em acréscimo, adianta, “tem-se verificado o desinvestimento na frota, quer através da redução do número de viaturas operacionais, quer pela notória falta de manutenção das condições de segurança e conforto dos passageiros”.

O descontentamento em relação ao serviço prestado pela TST “é de tal ordem que a população se tem mobilizado na elaboração e subscrição de petições, reclamando a melhoria dos serviços prestados”. A mais recente petição recebida foi iniciativa da Associação de Defesa do Ambiente – Grupo Flamingo, “por entender que a TST coloca em causa o direito à mobilidade das populações, com custos a nível ambiental, energético e económico”, lembra a Autarquia que se diz estar “solidária” com as petições lançadas pelas populações.

Assim, a Câmara do Seixal deliberou “exigir da TST o cumprimento integral das carreiras previstas e a reposição das carreiras retiradas, bem como a fiscalização e garantia do cumprimento das obrigações de prestação do serviço público por parte da empresa TST, com a devida articulação e colaboração por parte da AMT/Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e do IMT/Instituto da Mobilidade e dos Transportes, IP”.