A localização do aeroporto complementar à Portela já está mais do que definida. Vai mesmo efectivar-se na Base Aérea n.º 6, em Montijo, a avaliar pelo memorando de entendimento que o Governo quer ver rubricado pelas mais diversas entidades envolvidas no processo, que já receberam o documento. O presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, confirmou ontem em declarações ao Diário da Região, que a autarquia recebeu o referido memorando, ao qual já respondeu a pedir clarificações.

“Fiquei a conhecer o memorando no dia 18 [de Setembro]. Chegou-me às 11h55, mas só tomei conhecimento à tarde”, disse o autarca socialista, à margem de uma visita guiada às obras do Cais dos Pescadores, que se encontram a decorrer na zona ribeirinha da cidade montijense. “Havia uma necessidade de resposta a esse memorando até ao dia 23 [de Setembro]. Nós respondemos, a dizer que o memorando não cumpria, não clarificava determinadas coisas. Há ali questões que estão pouco clarificadas e que nós, Câmara Municipal do Montijo, apesar de concordarmos com a vinda do aeroporto e com o objectivo geral do memorando, não podíamos assinar uma coisa de cruz”, revelou, antes de especificar em concreto algumas dessas questões.

“Por exemplo, na questão da ANA aeroportos é preciso dizer que as infra-estruturas que nós apresentamos no caderno de encargos vão ser construídas por eles, como é evidente. Isso é fundamental, além de outras coisas”, adiantou o presidente do município montijense, considerando que “não faz qualquer sentido” que essa pretensão “não esteja explicitamente” contemplada no documento.

“A Câmara Municipal do Montijo manifestou, através de ofício enviado ao secretário de Estado, que está de acordo com o objectivo genérico do memorando. Agora, temos de detalhar e clarificar questões de pormenor que são preciso ficar no memorando de entendimento”, reforçou, acrescentando: “Obviamente não ficará logo espelhado o valor de quanto custarão as obras ou qual será o projecto que será feito, ou outro tipo de pormenorização, mas terá de estar uma linha e uma filosofia geral, na sequência do já falámos com a ANA Aeroportos e que, de algum modo, já consensualizámos.”

Quanto ao momento em que surge o memorando de entendimento para a definição do aeroporto complementar à Portela em Montijo, em vésperas de eleições legislativas, Nuno Canta deixa antever que houve uma tentativa de aproveitamento político por parte do maioria PSD/CDS-PP do Governo. “Sem a Secretaria de Estado nunca ter conversado com a Câmara sobre este assunto, imagine, o contacto que sempre tivemos foi com a ANA Aeroportos e com quem na ANA Aeroportos decide estas questões, de repente aparecer-nos assim um memorando sem haver uma conversa nem nenhuma interligação, percebemos o que está em jogo”, disparou, a concluir.