A Câmara Municipal de Alcácer do Sal e a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa vão iniciar a procura de barcos e outros tesouros arqueológicos afundados no rio Sado. O município e a universidade preparam-se para assinar um protocolo de cooperação em que as duas entidades definem o objetivo de apostar na arqueologia subaquática, designadamente através de trabalhos de prospeção para encontrar tesouros submersos no rio, entre a cidade de Alcácer do Sal e o local da antiga feitoria fenícia que existiu nas margens do Sado.

O projeto visa investigar “todo o património cultural subaquático jazente nas águas do rio Sado, entre a cidade de Alcácer e a feitoria fenícia do Abul, património esse que se suspeita ser abundante e de enorme valor cientifico”, lê-se na proposta aprovada ontem, por unanimidade, na reunião de câmara.

Vítor Proença, presidente do executivo municipal, afirmou tratar-se de uma aposta que está a gerar “um entusiasmo muito grande”, da parte do município e dos responsáveis académicos, que vai trazer a Alcácer “especialistas que trabalham em várias partes do mundo”, e que deve corresponder a mais um contributo desta região para a arqueologia nacional. “Se hoje temos vasos cerâmicos expostos em Lisboa, quem sabe amanhã teremos outros achados”, disse o autarca da cidade alcacerense, conhecida pela sua riqueza arqueológica, cujo espólio, testemunho de milhares de anos de história, se encontra patente na cripta arqueológica que funciona por baixo do castelo local. O protocolo com a faculdade de ciências foi aprovado e elogiado pelo PS. A vereadora Isabel Marçano disse que se trata de uma medida “muito importante” que “só pode trazer bons resultados”.

Se a proposta de investigação arqueológica em cooperação com a universidade foi consensual entre os dois partidos representados no executivo camarário, a proposta para a elaboração do Plano Estratégico de Ação para o Desenvolvimento do Concelho (PEADC) dificilmente poderia ter sido mais polémica. A proposta para a contratação de uma empresa que vai trabalhar no PEADC foi aprovada somente com os votos da Coligação Democrática Unitária (CDU), com o Partido Socialista (PS) a votar contra e a criticar a decisão. Isabel Vicente, vereadora do PS, leu uma declaração de voto em que afirma tratar-se de uma “medida despesista” por já haver um plano idêntico, aprovado no anterior mandato de maioria rosa.

Vítor Proença refutou a crítica, apresentando também uma declaração de voto em que a CDU classifica a elaboração do plano como um “elemento determinante” à próxima revisão do Plano Diretor Municipal (PDM). Na reunião de câmara de ontem o executivo aprovou também a cedência do novo quiosque do Largo dos Açougues à Associação de Defesa do Património de Alcácer do Sal (ADPA). O vereador Manuel Vítor Jesus (CDU) explicou que esta foi a melhor utilização que surgiu para o quiosque, em proveito da cidade, depois de o concurso público para exploração do equipamento ter ficado deserto.

A cedência foi elogiada pela oposição, através de Isabel Vicente que expressou a esperança de que a associação possa encontrar forma de o equipamento contribuir para o reforço do seu financiamento, e Vítor Proença recordou que a APDA já usou pontualmente o quiosque nas comemorações deste ano do 25 de Abril. A vereação aprovou, também por unanimidade, a oferta dos livros escolares a todos os alunos do primeiro ciclo do concelho. A doação dos manuais, segundo a vereadora Ana Chaves (CDU) vai abranger, no próximo ano letivo, um total de 413 crianças.