Bloquistas acusam CDU de pagamento de avenças sem trabalho realizado e uso abusivo de viatura da autarquia, além de má relação do presidente com os trabalhadores

O Bloco de Esquerda anunciou, ontem, a renúncia ao executivo da Junta de Freguesia de Fernão Ferro, concelho do Seixal, por divergências profundas com a conduta do presidente Carlos Reis (CDU) na relação com os trabalhadores. Em comunicado enviado ao DIÁRIO DA REGIÃO, a Comissão Coordenadora Concelhia do Seixal dos bloquistas acusa ainda a CDU de “má gestão dos dinheiros públicos”, para reforçar a justificação da saída de Aniceto Correia () do executivo, até então responsável pela Coordenação da implementação das Festas Populares e gestão do processo administrativo.

“Os resultados eleitorais autárquicos mostraram que a população de Fernão Ferro não quis dar maioria absoluta à CDU, razão pela qual o Bloco aceitou integrar o executivo da Junta, apostado em colaborar no sentido de alcançar uma melhor gestão da nossa freguesia”, começa por lembrar a concelhia do BE no documento, apontando de seguida críticas duras aos comunistas. “Ao longo do tempo, a par da obra que tem sido feita a favor dos fregueses de Fernão Ferro, o BE foi detectando indícios de má gestão dos dinheiros públicos (o pagamento de avenças sem trabalho realizado ou o uso abusivo de veículo da autarquia são dois exemplos, apenas) e, muito particularmente, uma degradação crescente da relação do presidente da Junta, senhor Carlos Reis, com as trabalhadoras e trabalhadores da autarquia”, afirma o BE.

Os bloquistas falam ainda de “constantes ameaças, frequente recurso a processos disciplinares, exagero nas penas atribuídas” que, sublinham, “têm revelado, por parte de Carlos Reis, uma atitude autoritária e inadmissível, desrespeitadora dos direitos dos trabalhadores”.

O recente caso de processo disciplinar com despedimento (aprovado pelo executivo por três votos, com uma abstenção e o voto contra do BE) foi considerado pelos bloquistas como “a gota d’água” num “penoso caminho”. “Com efeito, não só ele é originado por circunstâncias menores, como está repleto de ilegalidades, falsidades e contradições, culminando o assédio moral exercido sobre a funcionária desde há muito”, observa a concelhia, concluindo que “lamentavelmente assim” não continuará a integrar o executivo da Junta, até agora composto por três elementos da CDU e Aniceto Correia.