O Bispo de Setúbal, D. José Ornelas, evocou a Igreja católica “que, tantas vezes, organiza solenes celebrações, ritualmente perfeitas, mas onde falta o vinho da cordialidade, da atenção aos que sofrem a fome, a negligência e o abandono”.

As palavras do Bispo de Setúbal foram proferidas em Fátima, na missa que assinalou o 99.º aniversário da quinta aparição da Virgem Maria aos pastorinhos, a 13 de Setembro de 1917.

“Não é uma receita rápida, nem uma aplicação simples para telemóvel. Tem a ver com o coração, com a atitude de vida, a começar pelo modo de olhar e terminando na conjugação do verbo amar. É um segredo que só se aprende fazendo”, afirmou na homilia, enviada ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O prelado realçou que muitas vezes “falta o vinho do amor, da ternura, da solidariedade” na Igreja, na sociedade e na família, âmbito ao qual dedicou parte significativa da homilia.

Depois de frisar que a Igreja deve estar atenta às famílias em “situações dramáticas”, o Bispo de Setúbal salientou que Maria convida a um olhar compassivo para as pessoas e casais em “situações dramáticas de ruptura, de violência, de manipulação, de abusos”.

A atitude dos católicos, prosseguiu, para esses casos não deve ser “em postura de julgamento, para condenar e estigmatizar, mas em atitude fraterna, para compreender”, com “solidariedade e misericórdia”.

“Este é o caminho que a Igreja está a tentar percorrer e que, nestes últimos anos, o papa Francisco nos vem recomendando, no seguimento da reflexão do último sínodo [sobre a família] ”, declarou.

Referindo-se aos relacionamentos que terminam com a separação e com o divórcio, D. José Ornelas acentuou que os católicos envolvidos nesses casos “não estão excomungados”.

“Aprendamos, antes de mais, e demos espaço ao acolhimento, à solidariedade e ao encorajamento à vida e à ternura nas nossas famílias, nas suas horas felizes e, sobretudo, quando sentem o peso das dificuldades e das crises”, assinalou.

A Igreja “é chamada a ser família de solidariedade e de atenção aos mais carenciados, desiludidos e feridos”, afirmou o Bispo de Setúbal, que lembrou Santa Teresa de Calcutá, “mulher simples, mulher peregrina do mundo e das culturas» que prestou uma «autêntica atenção aos mais pobres”.