Bloquistas querem saber se administração portuária tem capacidade para responder a “incidentes maiores” do que o derrame actual, considerado ‘grau quatro’ o mais baixo no Plano Mar Limpo

O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre se os meios disponíveis no porto de Sines são suficientes para remover derrames e se está identificada a origem do combustível derramado no domingo no terminal de contentores.

Numa pergunta dirigida ao Ministério do Ambiente e subscrita pelos deputados Jorge Costa, Joana Mortágua e Sandra Cunha, os bloquistas questionam se “as entidades competentes dispõem, no local e de forma permanente, dos meios técnicos e humanos necessários à remoção eficaz de combustível em caso de derrame”.

Os três deputados querem também saber que medidas vai o Ministério do Ambiente tomar para garantir que o porto de Sines, tenha “as condições necessárias para uma resposta eficaz a derrames deste tipo e esteja preparado para derrames superiores”.

“O comandante do porto de Sines afirmou que iam ser precisos meios para concluir a operação de remover o combustível derramado. A hipótese de recurso a outras entidades para a recolha do material do derrame estava a ser estudada, tendo sido dado como provável o pedido de ajuda”, argumentam os bloquistas, para fundamentar a pergunta, entregue na terça-feira.

O facto de o derrame ocorrido em Sines estar classificado com “grau quatro”, o mais baixo no âmbito do Plano Mar Limpo, deixou os eleitos do BE com dúvidas sobre a capacidade da administração portuária em dar resposta a “incidentes maiores”.

“Apesar de se tratar de um pequeno incidente, a administração do porto parece não dispor dos meios para conter e solucionar o derrame, o que levanta fundadas preocupações relativamente a incidentes deste tipo e agrava esses receios para incidentes maiores e de maior gravidade”,

apontam, questionando ainda se está identificada “a origem do derrame”.

O derrame de “algumas toneladas” de “fuel oil”, combustível usado pelos navios, ocorrido na noite de domingo (dia 2) no mar está desde então a ser alvo de trabalhos de contenção e de remoção, a cargo da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS), com o apoio da Autoridade Marítima.

Segundo a administração portuária, o terminal de contentores do porto de Sines retomou parcialmente a actividade, podendo já receber navios, enquanto continuam os trabalhos de contenção e de remoção do combustível derramado no mar.