O Bloco de Esquerda (BE) apresentou, em Setúbal, nove dos 22 candidatos pelo distrito às próximas legislativas. Joana Mortágua, numero um da lista, foi recebida com muitos aplausos pelos simpatizantes e militantes do Bloco de Esquerda. Na sua intervenção, a jovem bloquista começou por afirmar que apresentar a lista de candidatos “não é tarefa fácil”, pois “não se trata de um grupo de pessoas em busca de popularidade ou a arriscar a sua sorte nas urnas”.

“Há qualquer coisa de extraordinário nesta lista que eu tenho a honra de encabeçar. Há algo que nos une: chama-se projeto de solidariedade”, salientou a ativista, frisando que o BE tem um projeto, “uma ideia louca, de construir um futuro no qual os cidadãos não paguem pela dívida”. Ao longo do discurso, Joana Mortágua apontou o dedo às governações, nos últimos anos, dos governos do Partido Socialista (PS) e Partido Social-Democrata (PSD) / Partido Popular (CDS-PP). “Até hoje a democracia tem sido feita numa falsa escolha entre o PS e o PSD. As privatizações são uma escolha da falsa democracia”.

Para o Bloco de Esquerda é preciso lutar pela verdadeira democracia: “O país não está à venda. Nós lutamos para que o trabalho crie progresso e não pobreza. Neste projeto há lugar a direitos e a uma vida melhor”. Para além do projeto, a número um da lista do Bloco por Setúbal destacou ainda a atividade de “duas importantes figuras bloquistas, reconhecidas neste distrito”, Fernando Rosas e Mariana Aiveca.

Fernando Rosas, mandatário da campanha, afirmou ser um “grande prazer” regressar a Setúbal, distrito que, enquanto deputado, representou em duas legislaturas. “Foi a mais honrosa tarefa pública que tive nesta vida”. “Desde 2005, que o BE tem elegido deputados por todo o distrito. Este é um distrito que luta pelos direitos dos trabalhadores e ao qual a sociedade deve grande parte das suas conquistas politicas e sociais”, sublinhou.

Para Fernando Rosas, esta lista carrega uma “herança pesada e uma grande responsabilidade”, mas o distrito “não poderia estar melhor entregue”. “Esta é uma lista que junta a voz da experiência, a voz do movimento operário, a voz dos vereadores eleitos pelo povo, que junta os artistas e os professores. Esta é uma lista encabeçada por duas jovens ativistas que vão representar a marca do BE na Assembleia da República”.

O mandatário da campanha reconhece que esta não vai ser uma campanha eleitoral fácil, mas realça que é “preciso desmontar a mediocridade do voto útil. Esta deve ser a nossa arma”. O momento de apresentação da lista de candidatos por Setúbal contou ainda com a presença da porta-voz do partido, Catarina Martins, que fez um balanço “negro” do trabalho do Governo nos últimos quatro anos, com o aumento das taxas de emigração, de desemprego e da dívida pública. “Quem não quer mudar nada já desistiu de Portugal. É preciso agir e agora!”.