Viola Silva, Comandante Distrital de Setúbal da PSP

É o oficial da PSP, oriundo do primeiro curso da Escola Superior de Polícia, com mais tempo de comando operacional em Portugal – já lá vão mais de 20 anos de comando efectivo. O Superintendente António Manuel Viola Silva está de regresso a uma casa que conhece bem, depois de ter sido nomeado, por despacho ministerial, como , iniciando funções apenas no passado dia 26.

Conhecido, desde logo entre os seus pares, pela sua verticalidade, frontalidade e sentido de justiça, o novo homem forte da PSP da região apresenta um currículo que fala por si e não esconde que veio ocupar a sua cadeira de sonho.

Leva mais de 31 anos na PSP. Ainda se recorda do momento em que decidiu abraçar esta carreira?

Era estudante de engenharia no Instituto Superior Técnico, quando abriu a Escola Superior de Polícia e concorri por brincadeira, porque gostava da polícia, gostava muito de desportos, gostava muito da vida activa. Acabei por entrar e sou oriundo do primeiro curso da Escola Superior de Polícia. Faço parte dos que inauguraram aquela escola em 1984.

Superintendente ou Comandante, como prefere que o tratem?

É irrelevante. Desde que não me chamem nomes feios… [risos]

Chega agora ao Comando Distrital de Setúbal, mas é profundo conhecedor da região…

… Para mim, isto é um regresso às origens. Passei aqui cinco anos como subcomissário. Comecei por comandar Almada, depois fui instalar Santo André – instalei a esquadra e comandei-a – e regressei a Setúbal. Depois vim para a esquadra da Bela Vista e ao mesmo tempo comandei o trânsito. E estive no início da Brigada Anticrime de Setúbal. Foi criada na minha vigência. Fui promovido a Comissário, em 1995, momento em que saí da região. Estive 20 anos fora.

É portanto um regresso com significado particular?

Este é, para mim, um Comando especial. Estudei em Setúbal, fui aqui Subcomissário durante cinco anos… Já vou no quinto Comando Distrital da minha carreira e este de Setúbal, em relação aos outros quatro Comandos, é especial, precisamente porque é um regresso às origens, a casa. E depois é gratificante vir trabalhar com pessoas que comandei há 20 anos e que hoje reencontro. É diferente. Tem um significado especial para mim.

Como se caracteriza este Comando de Setúbal?

É o terceiro maior do País, logo atrás de Lisboa e Porto, em termos de efectivos e a nível de criminalidade também. Temos mais de 1200 homens. É um Comando com “n” dificuldades, em termos criminais. Isso é público, sempre foi assim. É um Comando de grande envergadura neste momento.

Pelo conhecimento que tem da região, qual é a tipologia de crime mais recorrente no distrito?

Só iniciei funções no dia 26 de Outubro, não obstante ter tomado posse antes. Mas, posso dizer-lhe que é o mesmo que se verificava quando cá estive: o mais praticado é o furto, mas o que mais nos preocupa é o roubo em via pública. Isso preocupa-nos muito, bem como algum sentimento de insegurança que as pessoas possam ter de andar na rua à noite. Note-se que furto é diferente de roubo: no furto não há contacto com as vítimas, ao contrário do que acontece no roubo. O roubo é o que iremos tentar combater mais.

­Qual é o maior desafio que a PSP tem pela frente na região: falta de condições logísticas ou de efectivos?

Estou em funções há 15 dias e não gosto de falar do que não conheço. Ainda não conheço suficientemente em pormenor o Comando. Ainda estou a nomear a equipa, a organizar a minha equipa, porque um Comando com 1200 homens, com tantas divisões e esquadras, não é pêra doce. Temos de nomear pessoas, equipas. Cada Comandante, dentro do que a Lei diz, tem a sua forma de estruturar um Comando. Vou conhecer a realidade e ver o efectivo que tenho, como ele está distribuído…

E qual o concelho da região que inspira maiores cuidados à PSP?

Não vamos englobar os do Litoral Alentejano, que, quando houve a última reestruturação, passaram para a GNR. Ganhámos áreas na parte urbana e perdemos na parte rural. Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines passaram para a GNR.

Neste momento, em termos de queixas apresentadas à PSP, temos maior número de registos nas divisões do Barreiro e do Seixal. Temos quatro divisões (Setúbal, Barreiro, Seixal e Almada), sendo que cada uma delas tem várias esquadras, umas destacadas e outras de competência específica. Ora, no que diz respeito a divisões, onde temos maior índice de criminalidade, à presente data, é nas divisões do Barreiro e do Seixal. Depois vem Almada. Neste momento, a Divisão de Setúbal é a que apresenta menor número de queixas registadas.

E que leitura se pode fazer desses números?

Estamos a baixar o crime em todas as divisões, em relação ao ano passado. Na criminalidade violenta, temos uma redução de 7,8% no distrito. No crime geral, que é tudo o resto, registamos uma redução de 3,7%. Ou seja, em todas as divisões temos registado este ano menos crimes em relação a 2014. Isto são dados objectivos, porque actualmente com o sistema informatizado que temos, é impossível alterar ou manipular dados.

Espera, durante o seu comando, baixar ainda muito mais a taxa criminal.

O meu objectivo é sempre baixar o crime. Fico bastante satisfeito quando podemos responder que o crime reduziu em relação ao ano anterior, que se registaram menos queixas-crime. Embora o ideal seja não haver crime, isso é uma utopia.