Custódio Carvalho Pinto é setubalense de gema. Fez carreira como bancário, mas foi dentro de água que descobriu a sua paixão pelo rio, pela natação e pelas piscinas, que sempre reivindicou para a cidade. Aos 86 anos, escreveu um livro com as suas memórias.
Histórias e Memórias da Minha Vida – Crónicas de Setúbal, assim se intitula a primeira obra de Custódio Carvalho Pinto, 86 anos, setubalense. No livro folheiam-se algumas das suas “histórias e passagens mais marcantes vividas na bela cidade do Sado”, entre o Clube Naval Setubalense, a defesa da requalificação do Forte de Albarquel e a luta pela construção das primeiras piscinas públicas em Setúbal. Uma visão pessoal que se foi transformando em causa colectiva, com sucessos e recuos, e que dá hoje fôlego ao livro de Custódio Pinto, lançado recentemente, porque “mais vale tarde que nunca”.
A história de vida do recém-estreado autor escreve-se nas mesmas linhas que a história de Setúbal, ou não fosse uma das figuras mais populares e beneméritas reconhecidas na população. Nascido na Freguesia de S. Julião, filho de Jesuino Pinto e Maria das Mercês Carvalho Pinto e o mais novo de cinco irmãos, construiu carreira em companhias de seguro e instituições bancárias. Foi a nadar com o pai, na praia da Cachofarra, desde os cinco anos, que abraçou a paixão pela água, a natação e os desportos náuticos. “À medida que ia crescendo, o meu pai levava-me e aos meus irmãos para a prainha do estaleiro (actual Praia da Saúde) e para a doca do Naval, onde podíamos praticar natação, porque nessa altura Setúbal não tinha piscinas”, conta, enquanto folheia o livro de 170 páginas.
Aos dezoito anos, tornou-se o segundo sócio do Clube Naval Setubalense, de que muito se orgulha como a sua “segunda casa”. Era aí que participava em campeonatos de natação com equipas convidadas de todo o país, “um verdadeiro espectáculo com as brincadeiras do polo aquático”, que a população não perdia de vista, sentada em bancadas ao longo da doca, segundo descreve no livro. Assim foi levando a prática da natação às praias de Tróia, Albarquel e Figueirinha, onde não raras vezes salvou crianças de situações de afogamento, além de ensinar adultos e mais velhos a nadar com segurança.