Uma marcha vai ser promovida, no próximo dia 22, pelas assembleias municipais dos cinco concelhos do Alentejo Litoral, como forma de sensibilização para os problemas das estradas e dos serviços de saúde da região. A iniciativa vai ter lugar no concelho de Santiago do Cacém, partindo de dois pontos, na cidade de Santiago do Cacém e na Aldeia de Santo André, tendo como destino o Hospital do Litoral Alentejano (HLA), disse ontem à agência Lusa o presidente da Assembleia Municipal (AM) de Grândola, Rafael Rodrigues.

Autarcas do Alentejo Litoral

Os itinerários, que vão ser percorridos a pé, “sintetizam”, de acordo com o autarca comunista, duas áreas problemáticas no litoral alentejano, devido ao mau estado da estrada nacional 261 e às reconhecidas carências do HLA. A decisão foi tomada, no domingo, em Grândola, durante a reunião conjunta das assembleias municipais de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, e na qual, segundo Rafael Rodrigues, participaram cerca de 250 pessoas, entre autarcas, deputados da Assembleia da República e população.

A iniciativa visou contribuir para a resolução de situações que “estão fora da esfera municipal” e se “arrastam há anos”, apesar de algumas “manifestações de boa vontade” que, no entanto, “não têm efeitos práticos no terreno”, explicou o presidente da AM de Grândola. Um exemplo apontado pelo autarca foram as adiadas obras do itinerário complementar IC 1, no troço entre Alcácer do Sal e Grândola, no qual já foram registadas quatro mortes deste o início do ano.

Na reunião foi aprovada, por maioria, uma declaração de princípios e tomada de posição, que os autarcas pretendem enviar ao Presidente da República, à presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e aos grupos parlamentares. As assembleias municipais consideram ser preciso “reforçar e consolidar” a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano, tanto ao nível do HLA como dos centros e extensões de saúde, apontando também a “reparação urgente” do troço do IC1 entre Alcácer do Sal e Grândola, a “conclusão urgente” das obras do itinerário principal 8, entre Sines e Beja, “com prioridade para a ligação à autoestrada A2”, e a construção do IC4, “fundamental para aproximar as populações do litoral alentejano”.

A ligação ferroviária entre Sines e Badajoz está igualmente na lista de preocupações dos autarcas, que rejeitam “em definitivo” a opção por Relvas Verdes/Melides-Grândola Norte, “pelas consequências negativas para os ecossistemas e centros urbanos”.