A Assembleia da República discute hoje a petição pública pela construção do hospital no Seixal e por melhores cuidados de saúde. A petição “é uma iniciativa da Plataforma Juntos Pelo Hospital no Concelho do Seixal que foi entregue na Assembleia da República no dia 26 de Dezembro de 2014”, lembra a Câmara Municipal do Seixal, em comunicado de Imprensa, sublinhando que o documento, que reuniu mais de oito mil assinaturas, “foi debatido na Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República no dia 12 de Março de 2015”.

“Importa lembrar que as populações dos concelhos do Seixal, Almada e Sesimbra sentem cada vez mais dificuldades para aceder a cuidados de saúde diferenciados e que as condições da prestação de cuidados de saúde pelo Hospital Garcia de Orta se têm vindo a deteriorar, encontrando-se inúmeros serviços em situação de total ruptura”, afirma a autarquia, que lança para cima da mesa números concretos e confrangedores. “Os últimos dados oficiais conhecidos apontam para um défice de 1.302 camas hospitalares na Península de Setúbal (49% abaixo da média nacional), e para um défice de 714 médicos hospitalares (47% abaixo da média nacional).”

O Hospital Garcia de Orta, desde que entrou em funcionamento, está, sublinha o município, “subdimensionado para a população que abrange, tendo sido concebido para responder a cerca de 150 mil habitantes, embora hoje seja o hospital de referência directa para cerca de 400 mil habitantes”, além de ser “o hospital de referência em muitas especialidades para todo o sul do País e ter ainda de dar resposta aos milhares de visitantes no período estival”.

Seixal, Almada e Sesimbra com carências

Diversos estudos, refere ainda a autarquia presidida por Joaquim Santos (CDU), identificaram “carências na prestação de cuidados de saúde hospitalares às populações dos concelhos do Seixal, Almada e Sesimbra”. “Recorde-se que em 2007 foram encerrados os Serviços de Atendimento Permanente no Seixal e em Corroios, estando apenas a funcionar o de Amora, cujo período de funcionamento foi reduzido em 2011. Esta situação obriga à deslocação da população para o Hospital Garcia de Orta”, lamenta o município, considerando que “a construção do Hospital no Concelho do Seixal e de novos Centros de Saúde são cada vez mais necessários”.

A concluir, a Câmara Municipal relembra que “a 26 de Agosto de 2009 foi assinado o Acordo Estratégico entre a autarquia do Seixal e o Ministério da Saúde e aberto o concurso público para a elaboração do projecto do Hospital no Seixal”, equipamento que “deveria estar construído em 2012”.

O Hospital no Seixal representa um investimento de 60 milhões de euros. Trata-se de um equipamento de proximidade, vocacionado para os cuidados em ambulatório, com serviço de urgência a funcionar 24 horas, 72 camas, 23 especialidades e unidades de apoio domiciliário e de medicina física e de reabilitação. As Comissões de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal vão apresentar-se na Assembleia da República para assistir ao debate da petição e para, amanhã, poderem assistir à votação de um projecto de resolução sobre o Hospital no Concelho do Seixal.