57 profissionais, entre antigos e actuais dirigentes dos hospital de Setúbal, participaram na confraternização. A importância do Serviço Nacional de Saúde e a necessidade de um bom serviço hospitalar na cidade foram as ideias principais dos discursos e conversas

Juntaram-se na quarta-feira, num almoço na Casa Ermelinda Freitas, através da Liga de Amigos do Hospital de São Bernardo, 57 dos antigos e actuais dirigentes do Hospital de São Bernardo (HSB), agora Centro Hospitalar de Setúbal (CHS).

A Liga de Amigos do HSB-CHS, que comemora este ano o 25.º aniversário, organizou o evento, que baptizou de “(re)encontro inter-geracional”, entre profissionais que nos últimos 42 anos, tiveram responsabilidades na gestão, direcção e coordenação do hospital de Setúbal, e tendo como lemas a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e das boas práticas ao serviço da pessoa doente.

Os antigos profissionais do CHS tiveram a oportunidade de fazer uma visita guiada na Casa Ermelinda Freitas, com a presença de Leonor Freitas, que se mostrou muito agradada com o reencontro do grupo. “Estou extremamente grata por estar aqui com pessoas com quem já não estava há algum tempo, obrigada a todos”, disse. A empresária, que é madrinha do projecto de sensibilização para o cancro da mama, com a colaboração da cirurgiã Emília Vaz Pereira, foi ainda homenageada como associada honorária da liga.

O presidente da liga, Cândido Teixeira, dedicou também algumas palavras, em forma de agradecimento, aos presentes e aos que não puderam estar presentes por motivos profissionais ou de doença, e relembrou a importância da associação. “Há três estádios de que nenhum de nós se deve esquecer: informação, conhecimento e saber. Informação todos temos, conhecimento alguns e saber muito poucos. Se nós conseguirmos fazer a conjugação dos três, estamos num mundo perfeito para evoluirmos e crescermos. Agradeço-vos a todos vós e se quiserem que isto se repita, com certeza se irá repetir”., disse.

Luís Machado Luciano, director do hospital de 1974 a 1976, no seu discurso, recordou os tempos em que trabalhou no Hospital de São Bernardo. “Foi em Setúbal que comecei a minha atividade, estou cá há 44 anos e, ao princípio arrependi-me todas as semanas, mas depois gostei e estou muito satisfeito, aqui fiz a minha vida, aqui me formei, aqui me reformei e fiz amizades”.

Jacinto Alferes, presidente da Liga de Amigos de 1991 a 2004, questionado sobre o que pensava sobre a actual situação do Serviço Nacional de Saúde, respondeu que está “muito mal” e que “as pessoas andam desmotivadas”. Luís Machado Luciano concorda e considera que os tempos mudaram e com isso também as mentalidades. “Há 42 anos, existiam 20 médicos que davam resposta a todas as necessidades médicas da população. Hoje com 300 não se consegue fazer o mesmo trabalho”., referiu o antigo director.

Several Rodrigues, director do hospital durante sete anos (1989-1996), explica que se tem assistido a uma grande evolução da Medicina. “O problema que se põe é que a evolução técnica é enorme, os actos médicos são cada vez mais sofisticados e, por isso, mais caros, mas há uma coisa que não nos podemos esquecer: a humanização. Um doente que se dirige ao hospital deve sentir-se humanamente tratável”., defendeu.

David Martins, que exerceu o cargo de presidente do conselho de administração e diretor do hospital de 1996 até 2003, considera que em Setúbal “temos um hospital que responde bastante bem, em que há serviços de excelência, mas obviamente existem algumas áreas que precisam de ajuda”. David Martins acrescentou ser “um defensor do Serviço Nacional de Saúde, porque é nos hospitais com SNS que toda a população pode encontrar uma resposta adequada”.

O almoço de convívio foi também uma oportunidade para os convidados contribuírem para a aquisição, pela Liga de Amigos do Hospital de São Bernardo, de um ecógrafo para o serviço de medicina interna da unidade hospitalar.

Joana Barbedo