Gestor admitiu que a ANA está a trabalhar com o Governo no estudo do projeto para o Montijo

O presidente do Conselho de Administração da Ana – Aeroportos de Portugal afirmou, na última sexta-feira, que “é importante tomar decisões políticas” sobre a solução para uma nova infraestrutura aeroportuária ainda este ano, considerando a melhor solução o aeroporto complementar no Montijo.

O gestor – que falava à margem da 4.ª Conferência Económica Franco-Portuguesa sobre o “Contributo do Investimento Francês para o Crescimento Português”, que decorria em Lisboa – afirmou que “a convicção da ANA é a de que a solução do Montijo [Portela + 1] é a melhor para a região de Lisboa e para o País”. “Não porque essa seja a solução do interesse da ANA, mas porque a ANA interpreta o interesse do País e da região de Lisboa como sendo o aeroporto complementar a solução mais adequada”, justificou, acrescentando que o consenso que a generalidade dos ‘stakeholders’ (investidores) já mostraram face a essa solução “com certeza que deve ter algum fundamento”.

“Temos as nossas convicções sobre o que deve ser feito e já estão todos os trabalhos preparados”, afirmou.

Questionado sobre se a ANA está a trabalhar em conjunto com o Governo no estudo do projeto do aeroporto do Montijo complementar ao de Lisboa, Ponce de Leão foi taxativo: “Sim, mas não digo mais nada.” O gestor lembrou, contudo, que, quer o calendário quer a decisão, não são da ANA, admitindo que “possa haver outros ângulos e abordagens do problema que tenham de ser considerados e pesar na decisão final”. A este propósito, recordou que há diversas soluções no quadro da Portela: continuar a investir no aeroporto, um novo aeroporto ou substituir a Portela por uma solução Portela + 1.

Necessidade de haver vontade política

Jorge Ponce de Leão lembrou ainda que o ministro das Infraestruturas, Pedro Marques, já disse publicamente “que esperava poder ter uma decisão este ano sobre a solução do aumento da capacidade da aeroportuária da região de Lisboa”.

“[É importante haver] vontade política de tomar uma decisão qualquer que ela seja. Isso é do interesse do país e da ANA, porque temos a responsabilidade de assegurar o desenvolvimento do sistema aeroportuário e, consequentemente, é importante tomar decisões políticas. Estamos conscientes de que o Governo já interpretou o sentido de diligência em pelo menos conhecermos qual o caminho”, considerou.

Sobre o investimento de três mil milhões de euros da francesa Vinci na concessão da ANA em 2013 e o que mudou na companhia desde então, afirmou que hoje a empresa “faz parte de um grupo internacional”.

“As próprias companhias aéreas deixaram de olhar para a ANA como uma empresa com responsabilidades na gestão da rede aeroportuária nacional, mas sim como um potencial grande ‘player’ a nível dos aeroportos mundial. Mudou qualitativamente a relação entre a ANA e as companhias aeroportuárias no sentido de tornarem a ANA mais capaz, efetiva e eficaz no próprio desenvolvimento das capacidades de crescimento”, disse.

No final de Janeiro, o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta (PS), pediu ao Governo uma decisão “urgente” sobre a localização do novo aeroporto complementar ao da Portela, tendo então defendido que a deslocação das companhias ‘low-cost’ [baixo custo] para a Base Aérea n.º 6, no Montijo, pode ser importante para o concelho, mas também para toda a região de Setúbal.

foto de Francisco Santos