No ano passado foram distribuídos 1 milhão e 33 mil euros. Agora são 5 milhões e 71 mil, cuja fatia de leão é para a Mota Engil, accionista maioritário

A Amarsul, empresa de valorização e tratamento de resíduos sólidos que abrange os nove concelhos da Península de Setúbal (Almada, Barreiro, Seixal, Sesimbra, Palmela, Setúbal, Moita, Montijo e Alcochete) vai distribuir 5 milhões e 71 mil euros de dividendos pelo accionistas, sendo que o maioritário é a Mota Engil.

A decisão foi aprovada pelo conselho de administração da empresa no dia 19 deste mês, sendo que os dois administradores que representam os nove municípios votaram contra a proposta.

Este é o segundo ano consecutivo em que a empresa distribui lucros pelo accionistas e com um crescimento exponencial, tendo em conta que no ano passado foram distribuídos 1 milhão e 33 mil euros.

A distribuição de dividendos pelos accionistas é contestada pelo PCP. O executivo da organização regional de Setúbal do partido enviou ontem um comunicado em que se afirma contrário à decisão da maioria dos administradores.

“O executivo da DORS do PCP repudia esta decisão da Motta Engil e do conselho de administração da AMARSUL. O PCP defende que os dividendos devem reverter para a empresa, contribuindo positivamente para que o valor da tarifa não seja agravado, sobrecarregando a vida dos munícipes, e para investimentos indispensáveis para a melhoria do serviço e das condições e segurança dos trabalhadores”, refere o documento.

A AMARSUL, S.A. foi criada a 4 de Março de 1997, como uma empresa de capitais exclusivamente públicos, com 51% do Estado, através da empresa pública EGF-Empresa Geral de Fomento, e 49% dos nove Municípios da Península de Setúbal, com um contrato de concessão de 25 anos para a valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos até 2022.

Segundo o PCP, desde a sua criação, até à privatização da EGF, em 2014, a aplicação dos Resultados Líquidos dos Exercícios,os dividendos da AMARSUL, tem revertido integralmente para investir no desenvolvimento e modernização da empresa, para que a tarifa a aplicar aos municípios não aumentasse para valores com consequências negativas no nível de vida dos munícipes dos nove concelhos e para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores. Os resultados durante 17 anos revelaram uma empresa económica e financeiramente equilibrada.