Liquidar o passivo até 2017, requalificar o Lar Acácio Barradas e assumir a gestão do Externato Diocesano são objectivos para o próximo mandato

O actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, Cardoso Ferreira, foi reeleito na quinta-feira, dia 26, com 117 votos a favor, 20 votos nulos e seis votos brancos.

Para o próximo mandato, o provedor aponta como meta no campo financeiro ter, “em 2017, o passivo completamente pago”, prosseguindo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, “sem despedimentos e mantendo as requalificações e os investimentos”.

É também ambição dos órgãos recém-eleitos para o mandato que agora se vai iniciar a requalificação e modernização do Lar Acácio Barradas, para “dar melhor qualidade de vida aos utentes”, refere. Cardoso Ferreira adianta que “a Misericórdia já sinalizou ao bispo de Setúbal a sua disponibilidade para vir a relançar o Externato Diocesano de Setúbal”, actualmente encerrado, e aguarda uma resposta. “Sendo um equipamento que está ligado à Igreja, ninguém melhor que uma instituição também ligada à Igreja para o assumir”, considera.

Cardoso Ferreira mostra-se “preocupado com a questão das políticas sociais”. “Não sabemos quais vão ser as orientações do novo Governo na área social, estamos expectantes sobre como podem afectar as misericórdias”, confessa.

Nuno Carvalho exige esclarecimentos sobre alegadas “irregularidades”

No dia em que decorreram as eleições para a Misericórdia de Setúbal, após terminado o acto eleitoral, Nuno Carvalho, que pretendia inicialmente candidatar-se, mas acabou por recuar, realizou uma sessão de esclarecimento, que reuniu cerca de 150 pessoas, entre elas vários irmãos da Misericórdia.

Nuno Carvalho exige que, tanto o provedor como o presidente da mesa da assembleia geral da instituição, Paulo Valdez, esclareçam as alegadas “irregularidades” que diz existirem tanto neste acto eleitoral como nas contas da Misericórdia. Na sessão, vários presentes assinaram um abaixo-assinado, para que o bispo e o ministro se pronunciem sobre a situação da Misericórdia.

Nuno Carvalho afirma ter conhecimento de que “dezenas de irmãos tentaram praticar o seu direito de voto e foram impedidos de o fazer”. No início de Novembro, Nuno Carvalho tinha já denunciado a existência de “um processo em curso, promovido pelo Ministério Público, referente a alegados desvios de dinheiro, que poderão ascender a 500 mil euros” e diz ter em sua posse e tencionar entregar no Ministério Público documentos relativos ao período entre 2008 e 2012, que comprovam ter havido “desconformidades entre orçamentos aprovados e contas executadas que superam os 200 mil euros”.

Sobre as informações que têm sido veiculadas por Nuno Carvalho, Cardoso Ferreira afirma que “as questões internas da Misericórdia são discutidas nos órgãos próprios” e “não podem andar na praça pública”, pois tal “causa inquietação e incerteza” ao funcionamento da instituição. Esta segunda-feira, vai realizar-se uma assembleia geral e o provedor apela a que “todos os irmãos que tenham dúvidas ou críticas compareçam e as coloquem”.