PS acusou CDU de hipocrisia. “Montiagri” vai mesmo receber nome do antigo presidente da Câmara eleito pela APU

O Parque de Exposições do Montijo, também conhecido como “Montiagri”, vai mudar de nome. O espaço vai passar a designar-se como “Parque de Exposições de Acácio Dores”.

A proposta, para atribuição do nome do antigo presidente da Câmara do Montijo no período de 1980-1982, eleito pela então APU, foi apresentada pela CDU e acabou por ser aprovada na última quarta-feira, durante a reunião do executivo autárquico presidido por Nuno Canta. Valeram os quatro votos favoráveis da oposição – dois da CDU e outros tantos do PSD –, que fizeram com que o documento passasse, já que a gestão socialista votou contra.

“Os eleitos pelo Partido Socialista votaram contra a proposta da CDU porque a mesma é feita de hipocrisia política e de um ajustamento de contas com a história.

A hipocrisia política provém do facto do PCP ter recusado a candidatura de Acácio Dores para um segundo mandato como presidente da Câmara tendo justamente como ponto de discórdia a Montiagri”, justificaram os socialistas, em declaração de voto lida por Nuno Canta. “É da história política desta terra que o projecto Montiagri foi erguido com o recurso a financiamento bancário de 99 mil contos, e que contribuiu para a primeira dívida de médio e longo prazo significativa do município do Montijo. É do conhecimento de todos os partidos da terra que a Montiagri foi construída como prioridade política da coligação APU liderada pelo PCP, em detrimento da construção de infra-estruturas básicas nos bairros clandestinos, designadamente no bairro do Areias, do bairro do Afonsoeiro”, criticou.

Na proposta aprovada, a CDU sublinhou o trabalho e o carácter de Acácio Dores, que classificou como “homem de forte personalidade e de convicções democráticas, que soube congregar à sua volta esforços de mulheres e homens, com ou sem filiação partidária, erguendo a maior feira comercial, industrial e agropecuária do Montijo, a Montiagri”.

A Assembleia Municipal, recorde-se, já havia aprovado a 19 de Setembro de 2014 uma recomendação à Câmara nesse mesmo sentido, mas só agora a proposta foi votada.