A edição 1000 é uma barreira mágica em qualquer publicação pelo que não poderíamos deixar de a assinalar.

Editar mil números de qualquer jornal é sempre sinal de longevidade, da capacidade económica e da vitalidade do projecto. No caso da imprensa regional, em Setúbal e nesta conjuntura económica, é ainda muito mais do que isso.

Ultrapassar a barreira dos mil exemplares publicados é um autêntico feito, que mostra tenacidade, prova perseverança e testemunha a vontade inabalável que temos em dar à região um jornal diário, no que isso implica da existência da marca à concretização do produto, todos os dias.

A edição 1000 do DIÁRIO DA REGIÃO é filha da mesma realidade, da mesma mãe, de força desumana e alma bestial, que tem parido todos os outros números, dia a após dia, no período mais difícil para a imprensa regional dos últimos 40 anos.

Há quase cinco anos que fazemos um jornal todos os dias úteis, faça chuva ou faça sol, debaixo da imensa crise económica e financeira que se abateu sobre o país e que mudou radicalmente o panorama dos jornais no nosso distrito.

Constatamos, infelizmente com menos orgulho do que tristeza, que o DIÁRIO DA REGIÃO é dos poucos sobreviventes no que diz respeito a jornais na nossa região. Depois do número de títulos ter chegado às dezenas, hoje são tão poucos que vale a pena nomear as honrosas excepções que subsistem. Entre os regionais somos apenas dois jornais; o DIÁRIO DA REGIÃO e o semanário ‘Semmais’. No âmbito local o número é um pouco maior: ‘O Setubalense’, em Setúbal, o ‘Jornal do Pinhal Novo’, em Palmela, o ‘Sesimbrense’, em Sesimbra, e ‘O Leme’, em Santiago do Cacém. Entre os que cumprem a periodicidade que afirmam são apenas estes. Há mais alguns títulos mas irregulares, que se publicam quando podem.

Se a quantidade é elucidativa quanto às dificuldades por que passa a imprensa local e regional, a qualidade seria um domínio igualmente adequado, ou ainda mais propicio à análise do ‘estado da arte’ neste sector. Não vamos por ai, neste momento, devido à complexidade e, sobretudo, ao melindre que tal caminho encerra, mas há duas coisas simples que não podemos deixar de dizer. Primeiro, que todos os jornais do nosso distrito (e do país) gostariam, com toda a certeza, de poderem oferecer mais e melhores conteúdos aos seus leitores. Em segundo lugar, que, apesar, desse desejo genérico que demonstra limitações comuns, existem significativas diferenças, de grau e não só, que fazem toda a diferença.

Neste ponto, não resistimos à tentação de dizer que acreditamos que o DIÁRIO DA REGIÃO é o melhor jornal do distrito de Setúbal. É o único diário, o mais actual, mais abrangente geograficamente – e não apenas no âmbito territorial, em abstracto, mas no terreno, o mais próximo de cada um dos 13 concelhos – o melhor dotado de recursos, técnicos e humanos, o mais profissional e o que mais informação produz. O DIÁRIO DA REGIÃO publica todos os dias o mesmo número de páginas que os outros jornais imprimem por semana ou por mês e, na nossa opinião, com melhores noticias, com mais interesse e qualidade jornalística.

Não dizemos isto por vaidade, mas somente para vincar as diferenças. A experiencia de anos ensinou-nos que não podemos estar apenas à espera que o mundo reconheça o nosso mérito. A história real, do país, da nossa região e das nossas gentes, está repleta de exemplos muito meritórios de que a História escrita pouco ou nada reza.

O registo histórico reescreve a história, a generalização apaga a diferença individual, a mediocridade ignora o mérito e a maledicência confunde, baralha e destrói. Os defeitos e vícios de que sofrem os fracos e malformados também afectam muito este meio e a comunicação social, que regista para a História, também tem a sua história.

É por isso que deixamos este testemunho, para memória futura.

Mas deixemos esses aspectos menos positivos. O que nos dá mais prazer referir é que estas mil edições foram para nós também as mil e uma noites. E referimo-nos não só às noites efectivas, de fecho, de trabalho e dedicação, mas à componente mágica de fantasia que a expressão encerra.

Este jornal nasceu de um sonho que continua vivo. Em cada número, em cada cada ano, a paixão renova-se e cresce de força e vigor. Sonhamos com uma região onde todos possam viver melhor, mais informados, mais livres e participativos e com instituições cada vez mais abertas e transparentes.

Francisco Alves Rito   www