“Fomos traçando um caminho em sentido oposto ao da crise”

“Fomos traçando um caminho em sentido oposto ao da crise”

O Almada Forum “passou pelas dificuldades por que passou todo este sector, mais em concreto no período de 2012 e 2013”, mas nos últimos meses já com “uma tendência que dá sinais de inversão”, garante a diretora geral do centro comercial. Sara Santos, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, explica que “todas as atividades subiram as vendas significativamente” e os indicadores “mostram que o trabalho em conjunto de todos os operadores está a dar frutos” e que se foi “traçando um caminho em sentido oposto ao da crise”. Hoje, garante Sara Santos, o Almada Forum tem empresas “muito mais sustentáveis, muito mais capazes de continuar e com muito mais probabilidade de sucesso”. Não querendo ainda avançar pormenores sobre as novidades que se esperam, a diretora garante a introdução “de insígnias de algum peso e de renome e de serviços que vão ter bastante valor acrescentado para os visitantes e população em geral”.

“Setúbal na Rede” – Que balanço se pode fazer da atividade deste centro comercial?

SS – De uma forma global, este é um centro de sucesso, que passou pelas dificuldades por que passou todo este sector, mais em concreto no período de 2012 e 2013. Até então, os números do Almada Forum eram progressivamente de crescimento, portanto, de melhoria contínua, mas nos anos de 2012 e 2013 foi diferente e em sintonia com aquilo que foram as médias do mercado em geral. 2013, no entanto, já tem uma tendência que nos dá sinais de inversão, pois temos no segundo semestre do ano, começando até um pouquinho antes, um primeiro indicador positivo que nos leva a confiar um pouco mais naquilo que é o futuro, com um aumento do tráfego de visitantes. Portanto, enquanto no período anterior havia um congelamento, uma paralisia, das visitas, a partir de Maio temos então um aumento de tráfego, cada vez mais gradual e acentua-se a confiança, uma normalização do comportamento das famílias, um restabelecer da sua forma de viver e que naturalmente se traduziu no aumento da afluência a este centro. Esta tendência é transversal àquilo que se passou nos centros principais de referência.

SR – As vendas acompanharam esse aumento de afluência?

SS – As vendas não foram tão altas quanto a subida de tráfego mas acompanharam de alguma forma. Ou seja, temos um ano em que estamos num nível muito perto do zero, tão moderado que apenas nos dá um indicador que é de estabilidade, mas depois temos que ir um pouco mais fundo nesta análise. Temos outros indicadores muito importantes, porque o centro tem 247 lojas, é o maior centro de referência da Margem Sul e tem um mix bastante alargado, e aquilo que se verificou é que, apenas com duas exceções, as atividades todas subiram as vendas significativamente e nomeadamente algumas lojas de pequena dimensão. Ou seja, há uma reversão do processo anterior em que passávamos por uma fase de decréscimo de vendas para que as atividades em si tenham recuperado. Entre as diversas atividades, obviamente, há situações que não conseguiram esse sucesso, mas a atividade do todo conseguiu e isso é muito positivo. Estamos a falar de indicadores que não são permissivos de uma euforia, mas são transmissores de uma confiança e mostram que o trabalho em conjunto de todos os operadores estão a dar frutos, assim como a estabilidade a nível da confiança das famílias.

SR – Mas isso significa que a crise está a ser ultrapassada?

SS – Eu diria que houve passos prévios e uma atenção com muito rigor de todos nós. O centro comercial tem a particularidade de ter parceiros tão diversificados, que vão desde aos nossos lojistas, aos nossos visitantes, aos nossos prestadores de serviços diretos e indiretos, em que cada empresa e cada marca também teve um rigor e uma forma de olhar para a sua situação com seriedade e com uma perspetiva de continuidade de futuro. Ou seja, cada um de nós fez algum trabalho que era fundamental ser feito durante este período de crise. A retoma claramente que depende também de situações que nos são exógenas, mas àquelas que nos eram intrínsecas e que tinham a ver com a forma como geríamos e organizávamos a oferta, na generalidade, o que podia ser resolvido entre nós, isso foi feito. Temos hoje empresas, ou pelo menos algumas das empresas, muito mais sustentáveis, muito mais capazes de continuar e com muito mais probabilidade de sucesso. Foi do conhecimento da generalidade das pessoas a quantidade de insolvências de marcas que desapareceram, mas também passámos positivamente por todos estes processos, de as empresas, dos seus gestores e das pessoas que estão envolvidas se reorganizarem nesse sentido.

SR – Que impacto teve a crise neste espaço e na sua taxa de ocupação?

SS – Neste momento temos uma taxa de ocupação de 96% , mas estamos num período muito particular, pois 2014 é, para o Almada Fórum, uma altura em que vai renovar muitos dos seus contratos. O centro tem projetos de ampliação das suas marcas e de trazer novas marcas e para isso precisa de espaço, pelo que não vamos ocupar as lojas que vão vagando, precisamente porque precisamos de relocalizar algumas. Aquilo que se verifica é que o Almada Forum, pela sua dimensão, comparativamente a centro médios, eventualmente terá tido mais situações de insolvências, pois basta que uma empresa tivesse aqui duas ou três lojas, enquanto nos outros centros podia ter fechado apenas uma, aqui fechou mais.

Lamento, obviamente pelo desaparecimento de algumas insígnias, lamento porque elas desapareceram do país e não apenas do Almada Forum, pelo que todos perdemos com isso. Mas em todos os momentos, há oportunidades e o que assistimos com muito prazer foi ver empresas que, durante este tempo, não recorreram tanto a capitais alheios e através de capitais próprios foram fazendo o seu caminho com alguma consistência. Portanto, temos marcas disponíveis para entrarem nos centros comerciais, nomeadamente no Almada Forum, que são marcas do nosso país, são empresas sólidas que aproveitaram todo este momento de crise para dar os seus passos, até porque as condições financeiras que estão associadas são muito mais facilitadoras, inclusivamente a quem não precisa de capital alheio. Assim, assistimos com muito interesse a forma quer como algumas marcas nos olham do exterior, mas com muito mais interesse ainda com a desenvoltura de algumas marcas portuguesas que estão a dar estes passos, nomeadamente do norte do país. É muito positivo, em termos globais, todo este processo, pelo que o Almada Forum perdeu alguma coisa com esta crise mas claramente terá muito a ganhar.

SR – Como definiria o estado de espírito dos lojistas?

SS – O estado de espírito dos lojistas, face aos indicadores do final do ano e do último semestre, está um bocadinho em sintonia com aquilo que todos nós sentimos, que há uma estabilidade no consumo, há uma maior confiança dos consumidores e eles sentem que há um caminho para se trabalhar e que passa pela qualidade e pela diversidade daquilo que oferecem.

SR – Mais concretamente, o que fez o Almada Forum para enfrentar este período difícil?

SS – Os centros comerciais, e o Almada Forum não é exceção, são um conjunto que depende de todos os parceiros e em que nenhuma destas entidades vive sozinha. Portanto, nestes anos em concreto de 2012 e 2013, aquilo que se procurou fazer, analisando caso a caso, foi ajudar pontualmente todos os nossos parceiros para que pudessem efectivamente ultrapassar esta fase. Por outro lado, da nossa parte, houve também algum cuidado comercial relativamente à concorrência interna, a não comercializar as lojas sem voltar a ponderar que tipo de concorrência se faz ou não e procurar algum equilíbrio nessa matéria. Muitas vezes os centros podem ser tentados a desequilibrar essas condições, pelo que tivemos também essa preocupação com aqueles que já cá estão e que nos merecem todo o respeito, sendo que a maior parte deles está connosco desde 2002.

Por outro lado, criámos uma estratégia de futuro em que começámos desde logo a trabalhar com alguma antecedência, para fortalecer o próprio centro. Esse fortalecimento tem a ver com as marcas que vão entrar e com as expansões que se vão concretizar, porque o centro não perdeu muito em termos de performance. Existiram e existem situações pontuais, mas o centro como um todo manteve a sua boa performance, pelo que continua a ser um centro com atractividade para as insígnias e isso obviamente que é uma vantagem. Fomos traçando um caminho em sentido oposto ao da crise, apoiando as renovações, cuidando as imagens e estimulando as reformulações, pois uma loja cuidada, uma loja renovada, cativa o nosso visitante e leva a que tenha curiosidade de perceber o que esta tem para oferecer.

SR – Houve uma intervenção ativa da administração junto dos lojistas?

SS – Temos várias formas de apoiar e esse apoio pode ser inclusivamente por esta motivação e por esta contribuição. Isso é algo que beneficia, não só o lojista em concreto, mas também beneficia o visitante e com isso todos os lojistas. São formas diferentes de abordar as questões que tem depois um impacto muito positivo e no final de 2014, ou no máximo em 2015, o centro vai estar renovado e muito melhorado. Essa é uma responsabilidade desta administração, de criar atratividade para o nosso visitante e fazendo com ele se sinta bem, oferendo mais serviços.

SR – De que tipo de renovações estamos a falar?

SS – Aquele que é um trabalho mais direto passa por melhorar os serviços que temos à disposição dos nossos visitantes e também os espaços que temos para eles, melhorando-os para que os clientes se sintam bem cá dentro. Por outro lado, trabalhar junto das insígnias, para que elas renovem a sua imagem, tendo aqui no Almada Forum uma oferta excecional em termos de imagem de loja. Temos ainda o objetivo do aumento de insígnias, da sua diversidade e da expansão de algumas já existentes, que aumentam e melhoram a sua oferta e com isso tornam a oferta do centro muito mais completa. Se hoje, na Margem Sul, o centro é já de referência, exatamente pela sua oferta, diria que se tornará mais forte nesse aspeto. Vamos também apostar no aumento de serviços, aproveitando aquilo que são as valências que o centro já tem, com 5050 lugares cobertos, conforto, comodidade, acessibilidade e uma série de características que lhe são naturais como empreendimento. Ou seja, o cliente vem fazer inúmeras coisas a este centro e também acabará por utilizar uma série de serviços dentro do mesmo espaço de comodidade, não pagando parque e estando na sua zona de conforto, tem alguma comodidade, e vamos usar essas valências para aportar o centro com mais serviços.

SR – Quer dar alguns exemplos?

SS – Não posso ainda, porque temos um princípio sagrado que é o respeito pelos parceiros. Isso significa que não falamos de situações enquanto não estiverem concretizadas, embora as coisas estejam já numa fase muito final, seremos os primeiros a partilhar com os nossos lojistas. Teremos muito gosto em divulgar daqui a dois ou três meses, mas estamos a falar de insígnias de algum peso e de renome e de serviços que vão ter bastante valor acrescentado para os nossos visitantes e população em geral.

SR – Os centros comerciais são acusados de terem efeitos nefastos sobre as cidades onde se instalam. Sente que o Almada Forum tem esse efeito sobre Almada?

SS – Apesar de considerar que o Almada Forum se inseriu muito bem dentro desta magnífica cidade, sou, no entanto, muito crítica relativamente a esse aspeto. O centro comercial é um complemento à cidade, pois acredito muito vivamente no comércio tradicional, mas não nos moldes em que estávamos habituados. Assim como estes empreendimentos têm uma equipa gestora durante 14 horas por dia, 365 dias por ano, é preciso que alguém olhe para as mais-valias que existem nas cidade e consigam transformá-las para uma adaptação àquilo de que hoje os moradores têm necessidade. Na zona onde vivo, assisti, com algum espanto mas com muita surpresa positiva, que o comércio local começou a estar aberto o dia todo, no domingo até às 13 horas, conseguiu ter sucesso, criou nichos, desde a padaria até ao talho, da mercearia à peixaria e à papelaria, e os próprios comerciantes adaptaram-se à realidade, tornando aquela numa zona de sucesso.

Não sei qual é a receita, mas claramente que há todo o espaço para uma complementaridade entre aquilo que é o centro comercial e o comércio tradicional. Nós temos muitos lojistas que tinham loja na cidade e que migraram aqui para dentro e têm uma visão muito clara e muito concreta das duas experiências. Eu acredito claramente que existe complementaridade, valorizo muito o comércio tradicional, embora não possa ser nos moldes em que se encontrava, disperso e sem condições. Tem que haver uma nova realidade, com uma nova adaptação.

SR – Em que é que o Almada Forum contribui para a comunidade?

SS – Primeiro, porque tem 2700 funcionários. Somos o único centro no mundo com a certificação EMAS, que foi obtida em 2010 e temos a felicidade e o trabalho de a conseguir manter. No fundo, é uma certificação que nos traz uma responsabilidade acrescida em termos ambientais e sociais. É uma certificação que abarca toda a parte ambiental mas tem que envolver os parceiros e tem que ser transparente nos dados e na forma. Ou seja, os nossos dados são divulgados aos parceiros, a forma como passamos a informação e a responsabilidade social que lhe está inerente também é muito maior. Nesse sentido, temos algumas ações, seja com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, seja com as insígnias que se querem instalar ou que se pretendem expandir, promovendo o diálogo para que sejam contratadas as pessoas deste distrito e não de fora.

Vamos promovendo algumas ações porque sentimos esta responsabilidade social e temos uma proximidade muito grande com as autoridades locais. Exemplo disso, vai ser comemorado o Dia Internacional da Protecção Civil cá dentro, dando as condições para mostrar à população o que fazem, como fazem bem, quais são os meios que têm, quais são eventualmente as carências e acabamos por nos ligar com a comunidade procurando este elo de ligação. Creio que por essa via há sempre trabalho a fazer, mas as nossas portas estão sempre abertas para a comunidade, para que esta possa entrar no centro, possa respirar cá dentro, passando informação, dando a conhecer todas as entidades que estão no terreno e que muitas vezes não sabemos quais são as suas realidades. Temos muitas formas de contribuir para a cidade e não de a prejudicar, de todo.

SR – A abertura do Allegro em Setúbal pode ter algum efeito negativo sobre a atividade do Almada Forum?

SS – A expectativa é que no primeiro mês possa haver um desvio de tráfego, que é o normal, mas entendemos que o Allegro não fará, em termos diretos, concorrência. A nossa área de influência é mais abrangente e entendemos que não haverá uma concorrência direta. Consideramos que o Centro Comercial Colombo será o nosso principal concorrente, até pela oferta, e neste caso estamos a falar de um centro com uma dimensão menor e não cremos que, pela área de influência, nos vá fazer qualquer alteração na afluência ao Almada Forum. Excetuando o primeiro mês que é muito frequente pelo fator novidade, porque as pessoas querem ir conhecer porque gostam de ter sentido crítico e isso será muito natural. Foi o que aconteceu com a abertura do Rio Sul Shoping.

SR – Quais os argumentos que o Almada Forum apresenta para que as pessoas se mantenham fidelizadas a este espaço?

SS – Para além das características naturais, que têm a ver com a sua localização, a sua proximidade ao coração de Almada e à nossa área de influência, aquilo que são as nossas mais-valias como centro têm-se vindo a manter e acho que podem ser acrescidas. Tem a ver com a quantidade de marcas, o mix que oferecemos em termos de marcas, a qualidade das lojas que tem tido um investimento deles e nosso nesse sentido. Temos também um parceiro muito importante, e que vai abrir o centro Allegro em Setúbal, que é o hipermercado Jumbo, um hipermercado de sucesso para a própria cadeia e que tem sido também um excelente parceiro. Somos um centro com muita luz natural, com uma acessibilidade muito direta à nossa área de influência, bem como a Lisboa, onde captamos também muitos clientes, e o mix que oferecemos, que é mais completo, é mais alargado e é mais amplo do que aquilo que podem oferecer os outros centros pela sua natural dimensão.

Entretanto, temos encontrado jovens com muita vontade de fazer coisas diferentes, de acreditar no futuro e têm aparecido muitas pessoas que são residentes aqui ou que tiveram as suas origens neste distrito e com uma motivação e a acreditar no futuro. Temos aqui algumas insígnias, que apesar de serem internacionais, têm por detrás pessoas que estão a agarrar outras oportunidades para seguir os seus futuros e isso é importante e trás alguma confiança que há vontade para continuar internamente.