“O B Planet é um espaço que ainda está a crescer”

“O B Planet é um espaço que ainda está a crescer”

“Como se trata de um centro novo, ainda em fase de crescimento”, o B Planet está “numa fase boa” por continuar “a apresentar resultados positivos de crescimento global”. “As pessoas ainda estão a descobrir” o centro comercial e a conhecer a sua oferta, pelo que o facto de ter aberto há dois anos, “já numa fase mais complicada da economia”, acabou por ser uma vantagem, pois o espaço nasceu adaptado à atual conjuntura. Essa é a convicção de Jorge Santos, diretor do B Planet, que realça ainda o facto de este “não ser um concorrente direto de nenhum dos outros espaços comerciais que existem à sua volta”, pois não é “um centro comercial puro”, pois “reúne todas as formas possíveis de comércio com um retail park, com lojas de maior dimensão que permitem ter uma oferta diferente”. Nascido no final de 2010 como Barreiro Retail Planet, viu recentemente o seu nome encurtado, porque a designação “induzia as pessoas a pensar neste como um simples retail park, pondo de parte a existência de uma galeria”.

“Setúbal na Rede” – Qual o balanço que faz da atividade do B Planet desde a sua abertura em 2010?

 

Jorge Santos – O B Planet fez dois anos no passado mês de novembro e é um centro que abriu já numa fase mais complicada da economia. Não foi uma mais-valia mas, de certa forma, acaba por ser uma vantagem em comparação com centros comerciais com mais tempo de atividade porque o histórico é completamente diferente de um centro que abriu há seis ou sete anos, perante um mercado com a economia a funcionar em pleno. Quando estes espaços fazem comparações de evolução possivelmente notam muito mais do que nós o efeito da situação económica que se vive.

Nós abrimos as portas precisamente numa altura em que o mercado começou a cair e, portanto, o nosso ponto de partida já foi mais nivelado com a situação atual. Ou seja, como se trata de um centro novo, ainda em fase de crescimento, estamos numa fase boa por continuarmos a apresentar resultados positivos de crescimento global, quer em termos de faturação, quer em termos de tráfego. As pessoas ainda nos estão a descobrir, a procurar o B Planet e a conhecer a nossa oferta. Tudo isto tem-se mostrado positivo ao longo destes dois anos. Terminámos 2012 com um crescimento de 7,1 por cento em tráfego e de 5,6 por cento de faturação global.

SR – E esses valores encontram-se dentro das expectativas delineadas?

 

JS– Sim, estes resultados estão dentro do que pretendíamos alcançar e estamos satisfeitos com os valores que temos estado a conseguir. Conseguimos manter o centro, ganhámos notoriedade, novos visitantes e clientes, assim como conseguimos manter o marketing mix dentro daquilo que pretendíamos.

SR – Que argumentos têm utilizado para a conquista de novos visitantes e clientes?

 

JS – O principal argumento que o B Planet tem é o facto de não ser um concorrente direto de nenhum dos outros espaços comerciais que existem à sua volta. Nós estamos rodeados por três superfícies importantes nesta região, nomeadamente no Seixal, Barreiro e Montijo, mas acabamos por ter características que nos distinguem destes espaços. Não somos um centro comercial puro, com uma componente mais forte de moda ou lazer. Somos sim um espaço que, em trinta mil metros quadrados, reúne todas as formas possíveis de comércio com um retail park, com lojas de maior dimensão que nos permitem ter uma oferta diferente daquilo que um centro comercial comum tem. Esses espaços não conseguem ter este tipo de âncoras porque necessitam de áreas maiores do que aquilo que normalmente um centro comercial oferece. Para além disso, temos também uma pequena galeria com a parte de serviços, de restauração, moda e hipermercado.

Acredito que a receita do sucesso do B Planet tem sido o facto de conseguirmos oferecer algo de diferente às pessoas. De certeza absoluta que uma percentagem dos nossos visitantes será também cliente de outros espaços comerciais, que acabam por se deslocar aqui por termos algo de diferente que os outros não têm. Penso que acabamos por não ser um concorrente mas um complemento aos outros centros.

SR – Os centros comerciais são hoje vistos também como espaços de lazer e de animação. O B Planet descura essa componente por assentar mais numa lógica de retail park?

 

JS – Não, a parte de lazer continua a ser importante e existe no nosso espaço. O lazer e a animação existem e têm-se desenvolvido através de ações e de atividades que procuram alcançar esse objetivo. Ou seja, o B Planet também é um sítio agradável para se estar.

 

Neste momento existem vários eventos e atividades lúdicas programadas. Mais uma vez apresentamos vantagens em relação aos restantes centros com atividades que não são comuns em espaços comerciais. É o caso da parceria que desenvolvemos com a Associação dos Amigos de Veículos Antigos e Clássicos que se reúne aqui, no primeiro domingo de cada mês, para fazer os seus encontros. Este género de atividades traz não só a componente de animação ao espaço, como também dá a oportunidade aos nossos visitantes de encontrar algo de diferente e de muito interessante, que não encontram no dia-a-dia de um centro comercial comum.

Neste momento temos também a organização de eventos mensais direcionados para públicos específicos, como é o caso das atividades lúdicas desenvolvidas com crianças, no segundo fim-de-semana de cada mês. Estamos também a organizar projetos com entidades locais para promover atividades de lazer viradas para a música e para outros elementos artísticos, como é o caso do teatro que deverá decorrer, ao longo do ano, em zonas diferentes do B Planet, no seu interior ou exterior.

SR – O B Planet beneficia de um enquadramento geográfico fora de uma zona urbana. No entanto, esta localização não trará também desvantagens para o tráfego de clientes?

 

JS – Apesar de não nos situarmos num centro urbano, encontramo-nos numa zona de fácil acesso, agora melhorada com a construção da A33, tornando-se ainda mais fácil cá chegar. Quem vem do lado do Barreiro e do Montijo, ou quem vem de Almada ou Seixal, encontra sempre uma boa rede de acessos ao centro que nos torna mais próximos.

Beneficiamos ainda da proximidade da estação de comboios da Fertagus. Diariamente passam aqui milhares de pessoas à frente do B Planet que seguem caminho para a estação, maioritariamente durante a manhã e o final do dia. Portanto, sabemos que uma percentagem das pessoas que nos visita aproveita o final do dia, no regresso a casa, para passar aqui e fazer as compras que precisa antes de ir embora. Acabamos por não estar assim tão afastados apesar da nossa localização. Não estamos dentro da cidade, mas temos bons acessos e, por isso, é fácil de cá chegar.

SR – Têm uma noção de quem é o vosso público e de onde vem?

 

JS – Sim, nós temos a noção de quem nos visita. Conseguimos alcançar as zonas mais próximas ao B Planet, como a Quinta do Conde e Azeitão, e também as zonas em volta, como Sesimbra, Palmela, Setúbal e ainda um pouco do Seixal. Toda esta zona circundante é a nossa área de influência.

SR – E têm noção do grau de satisfação dos lojistas deste espaço?

 

JS – Tal como toda a gente, os lojistas estão a sentir as dificuldades que existem neste momento. De qualquer forma, o balanço global obtido pelo centro é feito com aquilo que são os resultados das suas lojas. No B Planet temos vários lojistas que estão a conseguir fazer as suas marcas crescer e fazer os seus negócios apresentarem resultados que lhes permitem manter a atividade comercial. Portanto, de uma forma geral, considero que o balanço destes dois anos de atividade é positivo.

SR – Estes resultados acompanham todos os lojistas por igual ou existem atividades com mais dificuldades de afirmação?

 

JS – Neste momento não nos é possível afirmar que todos os negócios correm de igual modo. Infelizmente, não vivemos num mar de rosas nem estamos numa fase de grandes crescimentos. Talvez existam atividades que cresçam mais do que outras, como será o caso dos serviços em relação à área da moda, mas não existe uma diferença muito grande entre os lucros que cada uma delas apresenta. Portanto, de uma forma geral, considero que os resultados são positivos para todos.

SR – O facto de o B Planet ter sido um dos três finalistas do Prémio Nacional do Imobiliário de 2011, na categoria de Comércio, traz vantagens à vossa atividade?

 

JS – O reconhecimento é sempre bom para o nosso espaço e para a nossa atividade. No entanto, no nosso dia-a-dia acaba por não ter assim tanto influência quanto isso. O trabalho de gestão do centro é feito por nós e pelos lojistas que aqui operam. Desta forma, encontramos maior expressão na atividade de quem está à frente das lojas e de quem contribui através de um trabalho conjunto.

SR – Na perspetiva de quem cá trabalha diariamente, esse prémio reflete que este é um espaço eficaz?

 

JS – O prémio releva a componente estética e a funcional. O B Planet, com a sua localização, o parque de estacionamento com 1800 lugares, pisos cobertos e vários acessos para a zona de retail park e da galeria, torna-se um sítio fácil de estar e de visitar. Pela forma como se pode circular dentro dos espaços e pela ligação entre estes, o B Planet apresenta características que facilitam e ajudam quem nos visita.

SR – O que significou a mudança do nome através da sua simplificação para B Planet?

 

JS – Ao sentirmos que o centro comercial não estava a ser potenciado devidamente decidimos apostar na comunicação e preocupámo-nos com o modo como promovemos o B Planet junto dos nossos clientes. Apostámos numa maior visibilidade dos logótipos das marcas que aqui temos e decidimos alterar o próprio nome do centro. Chegámos à conclusão que a designação Barreiro Retail Planet não explicava a oferta que disponibilizamos e que induzia as pessoas a pensar no B Planet como um simples retail park, pondo de parte a existência de uma galeria. Por esse motivo decidimos fazer a alteração e retirar a denominação de “retail”. Também a designação “Barreiro” induzia as pessoas em erro, porque apesar de estar localizado no concelho, fica distante da cidade com esse nome. Mas deixámos ficar o B que, apesar de tudo, é uma referência à localização do centro e permite outro tipo de leituras.

 

SR– Quais as expectativas para o futuro do B Planet?

 

JS – Tal como já referi, o centro é muito recente e, por isso, considero que dois anos ainda é um período muito curto para aquilo que é a vida de um centro. O B Planet é um espaço que ainda está a crescer e que está a conseguir sobreviver muito bem nesta fase mais complicada. Portanto, estamos otimistas em relação ao futuro do nosso centro e acredito que tem tudo para continuar a evoluir de uma forma positiva. O proprietário está bastante consciente das dificuldades atuais do país e tem feito os possíveis para ajudar e colaborar com os lojistas para que estes consigam manter as suas atividades de uma forma correta e para que os seus negócios andem para a frente. Penso que, com esta postura, temos tudo para conseguir crescer e manter uma boa evolução.

SR – Qual o grau de satisfação por parte do investidor?

 

JS – O B Planet é um projeto do grupo Milligan, promotor inglês de imobiliário, que foi adquirido, logo na fase inicial, pela companhia francesa Eiffage, que o promoveu e que se manteve como proprietária deste espaço.

Enquanto proprietária e gestora em Portugal, o B Planet é o único projeto que a empresa detém em solo nacional. A Eiffage tem por hábito a promoção dos espaços, a sua personalização e venda, não tendo o costume de ficar com a sua gestão.

Até ao momento, desenvolveu duas áreas comerciais em Portugal, o B Planet e o Parque Nascente, em Gondomar, um espaço com 64 mil metros quadrados que acabou por passar para um outro grupo francês, o Klépierre. Portanto, neste momento, este é o único centro que a Eiffage gere em Portugal, tendo ainda um projeto comercial em stand by para a zona de Alverca.

Por isso, acredito que a empresa continua a acreditar que o país tem viabilidade e que faz sentido a edificação de novos projetos. Contudo, houve um momento em que deixou de fazer sentido avançar com a construção de um novo centro devido à paragem da economia. Portanto, a situação atual que Portugal apresenta hoje fez-nos paralisar o avanço deste projeto porque sabíamos que, à partida, seria complicada a comercialização e o funcionamento do mesmo. O projeto existe, as licenças de construção existem e a vontade de o fazer avançar mantém-se. Existe a expectativa de que a situação seja invertida em 2014, de acordo com aquilo que são as previsões dos sinais de retoma da economia. Até lá, vamos dar um tempo e aguardar que surjam melhorias no clima financeiro português.