“Procuramos criar um elo de ligação emocional com a população”

“Procuramos criar um elo de ligação emocional com a população”

“O ano de 2013 foi, de certa forma, um ano de viragem”, garante o diretor geral do Fórum Montijo, porque houve “crescimento de vendas e também de visitantes”. Carlos Costa, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, justifica essa recuperação pelo aumento da “confiança por parte dos consumidores”, mas também pelo esforço do centro comercial “procurar ter ofertas comerciais que correspondam às necessidades dos clientes”. O Fórum Montijo tem tentado ser “mais do que unicamente um local de compra, mas também um local de lazer e ocupação dos tempos livres”, “procurando criar um elo de ligação emocional com a população”. O gestor defende que o centro “acaba por acrescentar valor àquilo que é a força comercial e económica do Montijo”. Aliás, este espaço comercial “quer ser parceiro e quer estar integrado naquilo que é a atividade do concelho”, explica.

“Setúbal na Rede” – Que balanço se pode fazer da atividade do Fórum Montijo?

Carlos Costa – Eu diria que o ano de 2013 foi, de certa forma, um ano de viragem, porque estamos a receber indicadores positivos relativamente aos resultados do centro e globalmente tivemos crescimento de vendas e também de visitantes. No caso das vendas houve uma recuperação de dois por cento face ao ano de 2012. Em relação a 2014, o mês de Janeiro teve também resultados positivos e há, portanto, a registar uma inversão ou o início de uma recuperação.

SR – E como explica essa recuperação?

CC – Tem essencialmente a ver com o facto de os clientes, depois de terem vivido um período de alguma contenção, começarem agora a adquirir alguns produtos que, por uma razão ou outra, possam não ter adquirido no passado. Em termos económicos também se verifica alguma recuperação, pois os dados macroeconómicos vão nesse sentido, como, por exemplo, a subida do PIB no último trimestre do ano, e que são fatores que, de certa forma, contribuem para que haja uma confiança maior por parte dos consumidores. Sabemos que há dois fatores muito importantes na aquisição, um deles é o rendimento disponível e o outro é a confiança. No aspeto da confiança, aquilo que os dados mostram é que se tem registado uma melhoria e isso traduz-se numa recuperação da atividade comercial.

SR – Além desses fatores externos, houve alguma alteração no Fórum Montijo para conseguir inverter a situação?

CC – Aquilo que o Fórum Montijo tem feito é, claramente, procurar ter ofertas comerciais que correspondam às necessidades dos nossos clientes, atualizar o seu mix de oferta e introduzir novos conceitos. Por exemplo, no sector da decoração recebemos recentemente novos operadores e estamos também a diversificar o mix introduzindo atividades complementares à oferta do centro, como seja o caso da farmácia. Este trabalho de renovação contribui logicamente para que se possa responder àquilo que são as necessidades dos clientes. Por outro lado, ao longo deste tempo, temos procurado posicionar o centro como sendo mais do que apenas uma oferta comercial, criando aqui um elo de ligação emocional entre a população da nossa área de influência, que serão os concelhos do Montijo, Alcochete, Barreiro e Moita e um pouco de Palmela, no sentido de poder fazer com que os nossos clientes possam desfrutar do espaço.

SR – Como é que se criam esses laços emocionais?

CC – Por exemplo, com iniciativas como a corrida que fizemos o ano passado, em que tivemos aqui cerca de 2.500 pessoas a participar e em que houve um momento desportivo e de convívio entre a população da nossa área de influência. Isso contribui para que haja uma ligação ativa entre o centro e a população. Temos atividades com as escolas que acontecem ao longo do ano, procurando manter sempre um clima de grande proximidade e dando sempre motivos de visita às pessoas, para além do fator da compra. Portanto, posicionar o centro como mais do que unicamente um local de compra, mas também como um local de lazer e ocupação dos tempos livres.

SR – Mas não é o Fórum Montijo essencialmente um espaço de comércio?

CC – Pretendemos ter uma oferta alargada e proporcionar aqui uma vivência em que as pessoas se sintam bem e em que a experiência de vir ao centro se torne em algo agradável e que as pessoas, nos momentos de lazer que têm, possam estar aqui presentes. Mesmo a nível do centro comercial enquanto um produto, há aqui conjunto de facilidades e de valências que se destinam a isso. Por exemplo, temos várias zonas infantis, temos um parque infantil exterior, um parque infantil interior e um espaço Lego também destinado às crianças e aos fins-de-semana promovemos atividades para os mais pequenos.

Aquilo que procuramos é estar na cidade como uma entidade que procura promover e contribuir para o bem-estar. Renovámos recentemente as casas de banho, melhorando o centro na sua componente de produto, precisamente por essa questão de bem-estar. Pretendemos fazer melhorias na nossa zona de restauração, porque este centro comercial deverá estar atrativo para os nossos clientes, para que eles possam eleger-nos e dar-nos o privilégio de termos a sua preferência. Para isso, teremos de ter mais do que só oferta comercial e é nesse sentido que temos vindo a trabalhar e que vamos continuar a trabalhar.

SR – Essa preocupação tem obtido resultados concretos?

CC – Penso que poderá haver ainda algum potencial de crescimento pois já tivemos um número de visitantes superior. É claro que a situação que se viveu no país gerou alguma contenção de consumo nos anos anteriores e fez também com que houvesse uma diminuição no número de visitas, mas já estamos a recuperar e contamos que possamos continuar a trabalhar no sentido de ter a preferência dos nossos clientes. Até porque, em termos de oferta comercial, uma larga maioria dos nossos clientes diz que o centro dispõe daquilo que é necessário para satisfazer as suas necessidades.

Em termos de produto, segundo os nossos estudos, os resultados têm sido bastante satisfatórios. Ainda este fim-de-semana recebemos um formulário de sugestão a dar os parabéns pelas novas casas de banho. Isso são indicadores que mostram que as pessoas reconhecem que há preocupação em termos de manutenção do edifício e do produto. Há um cuidado constante com o edifício e ninguém diz que este centro comercial tem onze anos.

SR – E qual o espírito que se sente da parte dos lojistas?

CC – Diria que o facto de termos uma taxa de ocupação muito próximo dos cem por cento demonstra que se tem mantido a preferência por parte dos nossos lojistas relativamente ao centro comercial. Temos feito alguma renovação ao nível do mix, mas isso tem que ver com o ciclo de vida do centro comercial e da atividade económica, em que há sempre possibilidade de se fazer algum tipo de alteração a nível da oferta. Logicamente que, num centro comercial que tem mais de 150 lojas, existem atividades que poderão entrar em alguma dificuldade e nós procuramos substituir rapidamente para termos aqui um pleno de oferta comercial.

Esta oferta faz-se desde o lojista mais pequeno até ao lojista maior, e neste caso, por exemplo, com o hipermercado Continente.

Temos um polo de oferta que é composto pelas lojas do centro, pelo hipermercado e também por um retail park integrante deste complexo comercial e temos que promover a vitalidade do funcionamento destas várias funcionalidades. Mas considero que temos atingido esse objetivo, o que se traduz numa taxa de ocupação à volta dos 99 por cento. Logicamente, em determinadas alturas surge um ou outro lojista que nos pode pedir para sair, por as coisas não estarem a correr tão bem, e nós encontramos uma alternativa. Ou seja, para além do centro estar a funcionar bem, vamos tendo uma ou outra situação que vai sendo resolvida ao longo do tempo.

SR – E está de boa saúde financeira?

CC – É uma atividade que teve algum ajuste, no sentido de se preparar para o futuro, enquadrado na realidade do país. Este centro está claramente a preparar-se para os próximos anos, com um conjunto de investimentos que têm vindo a ser feitos e que só são possíveis havendo capacidade para continuar a apostar no futuro do centro. O Fórum Montijo está a chegar aos doze anos de atividade, mas em termos daquilo que é a sua imagem apercebida, parece estar com uns doze anos bastante bem cuidados.

SR – A inauguração para breve do Allegro de Setúbal pode retirar clientes ao Fórum Montijo?

CC – É mais um operador, é mais uma valência comercial, e é lógico que os nossos clientes que vêm, por exemplo, do Alentejo, seguramente também quererão conhecer a oferta existente no nosso futuro concorrente. Aquilo que nos compete é fazer com que a preferência que temos tido ao longo destes anos se possa manter, até porque os clientes do Alentejo também visitam habitualmente outros centros aqui na área de influência, como por exemplo o Almada Fórum que nós também gerimos. Haverá aqui alguma divisão a nível do mercado e penso que o novo operador deverá também contar com esses visitantes, mas continuaremos o nosso esforço junto deles, no sentido de podermos ter a sua preferência. Vai ser um esgrimir dos argumentos que cada um poderá apresentar como oferta a esses clientes.

SR – Que argumentos escolheria como principais para justificar a atratividade do Fórum Montijo?

CC – Uma oferta comercial muito completa, o facto de termos agregado um retail park com lojas de maior dimensão, a qualidade das âncoras que o centro tem, com marcas de referência a nível nacional e internacional, o trabalho que tem sido desenvolvido no sentido do conforto e do bem-estar que procuramos oferecer e proporcionar aos nossos clientes e também o capital relacional que o Fórum Montijo já estabeleceu com os seus clientes. Estes fatores serão determinantes para podermos continuar a ter a preferência.

SR – Como vê a acusação de que o Fórum Montijo retirou vida ao centro da cidade?

CC – Eu estaria em condições de lhe responder melhor à pergunta se estivesse cá há mais tempo, mas penso que o Fórum Montijo gerou emprego significativo na cidade e acaba por ser um ponto de visita e de atração a pessoas que possam vir de fora do concelho. Há pessoas que podem vir aqui fazer compras e ir almoçar na cidade ou fazer um passeio para conhecer a cidade. Conjuntamente com outras ofertas que existem, como o cine teatro ou o conservatório, pode haver um funcionamento de complementaridade.

Economicamente, considero que o Fórum Montijo acaba por acrescentar valor àquilo que é a força comercial e económica do Montijo. Por outro lado, um centro comercial, hoje em dia, acaba por ser incontornável na realidade do nosso país e, portanto, o desenvolvimento comercial da cidade do Montijo não estará só diretamente relacionado com o facto de ter surgido aqui o Fórum. As baixas de cidade têm perdido um pouco de atratividade, talvez também porque não se tenha feito algum investimento e alguma atualização de conceitos para fazer face a novas realidades que são incontornáveis.

SR – O Fórum Montijo é mais inimigo da cidade ou mais parceiro?

CC – Penso que temos demonstrado isso, ao longo destes anos, nas várias parcerias que têm sido feitas com as entidades locais, porque o centro comercial quer ser parceiro e quer estar integrado naquilo que é a atividade do concelho. Não podemos escamotear esta realidade, de uma certa modernização da oferta comercial através dos centros comercias, e aquilo que existe nas cidades também enquanto oferta comercial que deverá ser complementar e deverá também funcionar numa perspetiva de desenvolvimento, pensando em fatores de diferenciação, em formas de inovar e de ter uma oferta específica que possa atrair clientes. Mas, claramente, vejo o Fórum Montijo como um fator de atratividade do concelho.

SR – Mas há uma preocupação de responsabilidade social?

CC – Temos tido várias iniciativas em que temos dado contributos, quer sejam pecuniários ou de outra forma, em algumas iniciativas de marketing que o centro tem feito. Temos, por exemplo, o ecoponto da amizade, em que fazemos recolha de roupas e calçado que depois damos a instituições que necessitam de apoio. Em 2012 fizemos uma campanha muito forte de recolha de roupa a nível nacional e que distribuímos por algumas dezenas de instituições carenciadas e que foi uma ação bastante reconhecida e que esteve no Guiness, em função da quantidade de peças de roupa que foi recolhida. Procuramos utilizar as nossas capacidades para dar alguns contributos que possam ajudar entidades carenciadas.

Também no relacionamento com a comunidade, num âmbito mais cultural, é de referir que estamos sempre disponíveis e somos os primeiros a potenciar que o cine teatro Joaquim de Almeida ou o conservatório divulguem aqui as atividades que organizam. A nossa relação é claramente de parceria e já há algum tempo que atribuímos bolsas ao conservatório de artes e música para que mais crianças possam beneficiar de uma educação musical. Mesmo com o pelouro do desporto da câmara, já participámos em algumas atividades. A nossa responsabilidade para com a comunidade é total e a disponibilidade também.

SR – Porquê essa preocupação?

CC – Porque achamos que faz parte da nossa ligação com o meio envolvente. A componente mais fácil é a de oferta comercial, porque essa já existe e é incontornável mas, se queremos ter uma ligação emocional com os nossos clientes e com a comunidade envolvente, temos que estar ativamente a fazer parte dessa mesma comunidade, com contributos para iniciativas. O centro comercial recebe próximo de oito milhões de visitas e podemos também ajudar a divulgar algumas atividades, porque será visto por muitos dos nossos visitantes. Se pudermos colocar também essa valia ao dispor de entidades que possam estar em parceria connosco, isso é a forma de contribuirmos para que as entidades possam ter sucesso. E é quase também um bocadinho a nossa responsabilidade para quem nos visita diariamente.