De acordo com a opinião dos especialistas, a economia não tem avançado como era expectável e a crise não descola, o que nos deixa à mercê de uma eventual depressão.

Como sempre, continua-se com uma grande fé no poder dos sortilégios e poucos são os que se apercebem da real situação em que se encontra a economia. Ou seja, que os níveis de rendimento e de emprego – a prosperidade dum país- continuam gravemente afetados.

Face à crise, os meios preventivos exigiam que o maior número possível de pessoas importantes repetissem, o mais firmemente possível, que os acontecimentos que se dizia poderem evitar situações complicadas não deviam ser adiados, mas nunca houve coragem para os aflorar e combater, deixando que a crise se acentuasse.

As medidas agora preconizadas pela EU, colocam à disposição dos países verbas astronómicas com vista ao fomento/desenvolvimento da economia. Será que se aperceberam que a vida económica consiste na produção, no emprego e no consumo e que nenhum destes fatores pode ser olvidado?

Ninguém tem a certeza de nada e ninguém se digna dar explicações sobre assuntos sérios para a vida dos cidadãos. Apenas lhes interessa a política do “disse isto, mas é mentira. Disse aquilo, mas é populismo. É o diz que disse e nada mais…”.

No meio desta confusão, todos os dias ouvimos falar do triunfo sobre a pobreza e a exclusão social mas, não fora a generosidade e a iniciativa de todos os cidadãos, o descalabro instalar-se-ia e não haveria medidas anti-crise que concertassem este Mundo desconexado.

As implicações da globalização para a redução da pobreza constituem matéria de intenso debate, mas tal debate fica sempre adiado para data oportuna. O impacto da globalização sobre a pobreza, não termina no número de empregos criados e no respetivo multiplicador da economia. A globalização tem é tornado a economia mundial mais propensa a crises.

O capitalismo liberal sugere a socialização do investimento, mas muitas são as opiniões que mostram como os benefícios da liberalização não são lineares quanto à correlação positiva na redução da pobreza. A liberalização financeira quer doméstica quer internacional parece ter estado associada a dolorosas crises financeiras.

É importante reconhecer que a liberalização são fenómenos domésticos, bem como internacionais, podendo, em tempo de crises, gerar o pânico financeiro, dado que as margens de confiança na manutenção daquilo que são a estrutura financeira de dívida e de crédito, certamente, desaparecerão, isto, porque, os ativos dos bancos já não igualam as responsabilidades perante os depositantes.

Na Europa, dividida entre Norte e Sul, procede-se a um mudança de estratégia que poderá levar a uma reconstrução Europeia, reconstrução que deveria ter em conta aproximar e unir mais os homens, preconizando-se uma formula que passaria pela organização de solidariedades no campo económico e social.

“I have a dream”, gritou Luther King. O nosso sonho, também, é vermos a criação duma grande NAÇÃO EUROPEIA, embora os Estados/Nação que constituem a atual UE continuassem a manter a sua individualidade e a sua cultura.

Enfim, estamos no patamar das grandes decisões, uma vez que a crise é responsável pelas assimetrias de crescimento e desenvolvimento, para além de problemas da estreita dependência que os programas de estabilização nunca vão conseguir resolver em pleno.

A crise já mostrou como a instabilidade financeira corrói a estabilidade macroeconómica, a qual, como é sabido, não assegura a estabilidade financeira e a austeridade imposta pelo FMI complica ainda mais o limiar da sobrevivência.

Chegamos a um momento em que não há travão para a impaciência das pessoas, adivinhando-se que a marginalização, exclusão e aumento da pobreza irá ser marcado por maiores conflitos sociais no Mundo e em cada País, embora as perspetivas de longo prazo anunciadas pelos “donos” do Mundo sejam otimistas.

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António Alves

Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal
Foi Membro da Direção do Clube Naval Setubalense, da Direcção da ANEE-Ass Nacional das Empresas Operadoras Portuárias, da Direcção Nacional dos Agentes de Navegação do Centro de Portugal. Foi também Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal, do Conselho Geral do Hospital do Barreiro, da Direcção do Club Setubalense, da Assembleia Geral do Club Setubalense e da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi. Para além disso, foi Vice Presidente da Liga dos Amigos do Fórum Luisa Todi e Presidente da Assembleia Geral do Vitória Futebol Clube-SAD, bem como Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. Atualmente é reformado.

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