Em agosto é sempre verão. Por muitas voltas que o mundo dê, vai-se sempre parar ao bikini ou ao fato de banho. Os raios solares são inevitáveis e de tanta publicidade, anúncios, polémica, raiva, há já pessoas a ingerirem comprimidos de vitamina D por apresentarem insuficiência desta vitamina.

O sol é necessário e só faz mal, quando em vez “de criar, seca”. Hidrate-se e use protetor solar, pala além dum chapéu e duma camisa de mangas compridas, mas não perca uma visita à praia ou ao campo, ou ainda, sentar-se numa ótima esplanada a gozar o dia até ao entardecer. Belíssimo!

As calotas polares estão a derreter, o nivel das águas está a subir, os ursos andam em cima de jangadas de gelo, tudo grita por mais petições, o efeito de estufa aumentou, o calor é estonteante… Enfim, tudo parece um carnaval natural, mas não é, é algo de muito mais grave: é uma completa histeria sobre os valores que nos norteam.

No outro dia enviaram-me um e-mail em que se via um animal esfolado vivo. Porquê? Os olhos do animal mostravam sofrimento mas sobretudo incompreensão perante tanta dor e crueldade. Para que servem os estigmas da fronteira entre o normal e o parológico? Casacos de peles ou outras coisa quejandas são uma coisa que se pode fazer artificialmente. Porque não? A inveja e vaidade humana são assim tão más? É aqui que intervém uma boa educação, uma boa socialização por parte das agências socializadoras, como sejam a familia e a escola. Ensinar que todos temos direitos mas também deveres e que a empatia é a chave para muitos dos nossos problemas, resulta numa enorme capacidade de gestão humana em termos de recursos.

A educação é a chave para todos, – ou quase -, os nossos problemas. Ter consciência de que o calor veio mas não se sabe se veio para ficar definitivamente, pertence aos especialistas cienticos dessa área. Quanto a nós, que aguentemos com as previsões e com as diversas realidades globais, crúeis ou não – seres humanos ou porcaria defecada, que nos alegremos com as pequenas coisas da vida, e que vivamos um dia de cada vez e com as pequenas coisas, que por vezes nos alegram mais do que as grandes.

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Conceição Pereira

Antropóloga e professora desempregada
Cidadã solidária para com a sociedade.

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