O desenvolvimento tecnológico e científico de cada país é um dos pilares fundamentais para o seu desenvolvimento. O tempo que cada investigador dedica ao projeto que abraça corresponde a avanços que fazem a diferença e podem devolver a esperança aos que dessa investigação possam vir a beneficiar no futuro.

Perante a realidade dos factos e atendendo ao panorama atual onde aquilo que se verifica é uma desvalorização ao conhecimento, muitos investigadores acabam por sair do país, pelo facto de sentirem que, em Portugal, não lhe é reconhecido o mérito nem dado as condições necessárias à prática da ciência.

Na passada sexta, faleceu alguém que promovia o conhecimento, preocupava-se com a ciência e acreditava no que o crescimento científico poderia representar para o País. Mariano Gago descrevia-se como membro de uma geração que quis levar a ciência para a rua, a experimentação para a escola e a argumentação científica para os debates da sociedade e para a política.

Lamentava que, sempre que o nível de qualificações aumentava em Portugal e se formavam mais pessoas, “logo se ouve um coro trágico lamentar-se: ‘Mas que vão fazer? Onde arranjarão emprego? Alguma vez terão futuro no nosso país? Para que servirão?'”.

Este homem deixa, sem dúvida, a sua marca. É importante agora que se reflita em tudo o que foi capaz de dar com a sabedoria que o caracterizava, para que erros recentes possam ser corrigidos e se aprenda (novamente) a valorizar o conhecimento, a ciência e o crescimento científico em Portugal. “Devemos-lhe a aposta na ciência”..
Fotografia de capa por Mars P.

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Ana Cardoso

Psicopedagoga na clínica da família (Setúbal); investigadora no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (FCM-UNL).
Desde 1999 que trabalha na área da saúde mental. Exerceu funções clínicas no Hospital Miguel Bombarda até 2007. Desde essa altura que tem colaborado com o departamento de saúde mental da Faculdade de Ciências Médicas, participando em vários projectos de investigação científica (avaliação de necessidades, intervenções familiares, doenças neuropsiquiátricas, adesão ao tratamento). Mestrado em Saúde Mental pela FCM. Várias publicações científicas realizadas na área da saúde mental.

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